Os mamíferos marinhos dormem?

setembro 20, 2019
Sim, a resposta curta é que os mamíferos marinhos dormem, mas talvez a maneira como alguns deles fazem isso possa surpreendê-lo.

Assim como no caso dos seres humanos, o sono e o descanso são fundamentais para os outros animais. No entanto, no caso dos mamíferos marinhos, esse processo é um pouco diferente e, sem dúvida, surpreendente. Descubra mais detalhes a respeito de como os mamíferos marinhos dormem a seguir.

Quais mamíferos marinhos existem?

Este grupo de animais compreende cerca de 130 espécies diferentes. Todas elas estão mais ou menos adaptadas à vida na água: corpos mais hidrodinâmicos e membros adaptados que facilitam o movimento, na maioria dos casos.

Em geral, os mamíferos marinhos podem ser divididos em três grandes grupos:

  • Ordem Sirenia ou sirênios: neste grupo estão, por exemplo, os peixes-boi.
  • Cetáceosno qual estão incluídas as baleias, belugas e golfinhos, entre outros.
  • Os caniformes, onde podemos encontrar os mamíferos que passam algum tempo em terra firme. Isso inclui focas, leões-marinhos, morsas e até o urso polar.

O que é o sono?

Responder a essa pergunta ainda é difícil. O sono, para começar, é um estado fisiológico e uma necessidade. Ele ajuda a equilibrar alguns processos físicos e psíquicos internos, razão pela qual é de vital importância.

Quais mamíferos marinhos existem?

O sono pode ser dividido em cinco fases. No decorrer dessas fases, algo acontece: o movimento voluntário e a atividade muscular diminuem até serem interrompidos. Isso implica que os músculos relaxam completamente e a atividade cerebral também é alterada. Então, como os mamíferos marinhos fazem para dormir?

Como os mamíferos marinhos dormem?

Para resolver o problema do movimento, muitas espécies de mamíferos marinhos recorreram ao chamado sono uni-hemisférico. Essa palavra longa significa o seguinte: enquanto uma parte do cérebro está ‘dormindo’, o hemisfério restante fica responsável por estar alerta e ativo.

Note que esse tipo de sono não é exclusivo dos animais marinhos, pois também ocorre em aves e espécies específicas de répteis. Também foi demonstrado que os hemisférios são ativados e desativados alternadamente, de modo que ambos os lados do cérebro descansam igualmente.

Esse mecanismo permite que, por exemplo, os mamíferos marinhos possam continuar respirando. Embora para o resto dos mamíferos respirar seja um processo involuntário, nos cetáceos ele é completamente voluntário. A solução para quando eles dormem é recorrer à parte ativa do cérebro para garantir que a respiração continue acontecendo.

Como a baleia dorme?

O sono uni-hemisférico também permite que mamíferos marinhos nadem e continuem se movendo. Dessa forma, além de manter sua posição, isso ajuda na tarefa de subir à superfície para respirar. Esse fenômeno também os ajuda a manter a temperatura corporal.

Curiosidades finais sobre o sono dos mamíferos marinhos

Recentemente, um estudo desvendou parte da biologia por trás do fenômeno do sono desses animais, e a resposta tem a ver com um componente intimamente ligado ao cérebro, chamado acetilcolina.

Os resultados, publicados em uma revista científica de prestígio, sugerem que este composto é encontrado em altas concentrações no lado “desperto” do cérebro, e dificilmente existe no lado adormecido.

Como curiosidade final, não podemos deixar de mencionar o sono do golfinho. Além de ser um dos mamíferos marinhos com sono uni-hemisférico, é curioso ver que os golfinhos dormem com um olho aberto, que se alterna de acordo com o hemisfério do cérebro que está ativo. Isso permite que eles vejam o que está acontecendo ao seu redor e mantenham um certo estado de alerta contra qualquer perigo.

  • Lapierre, J. L., Kosenko, P. O., Lyamin, O. I., Kodama, T., Mukhametov, L. M., & Siegel, J. M. (2007). Cortical acetylcholine release is lateralized during asymmetrical slow-wave sleep in northern fur seals. Journal of Neuroscience27(44), 11999-12006.

 

  • Howard, R. S., Finneran, J. J., & Ridgway, S. H. (2006). Bispectral index monitoring of unihemispheric effects in dolphins. Anesthesia & Analgesia103(3), 626-632.