O efeito do gelo nos cães: saiba mais!

outubro 27, 2019
Durante o verão, as temperaturas podem subir a níveis desesperadores para os nossos animais de estimação. Muitos donos querem ajudar seus bichinhos a se refrescarem, mas você sabe qual é o efeito do gelo nos cães?

Todos os anos, em tempos de calor sufocante, tendemos a oferecer algo refrescante aos cães, como água gelada ou cubos de gelo. No entanto, será que isso é seguro? Hoje, vamos falar sobre o efeito do gelo nos cães.

O mito sobre o efeito mortal do gelo nos cães

Existe uma crença generalizada de que a ingestão de gelo ou água gelada é perigosa para os cães. Supostamente, ela pode causar inchaço no estômago.

Isso poderia levar os animais a desenvolver a síndrome de dilatação volvo-gástrica, uma condição que causa risco de morte.

O que é a síndrome de dilatação volvo-gástrica?

A síndrome de dilatação volvo-gástrica (DVG) é uma doença séria, com taxas de mortalidade variando entre 10% e 60%. A dilatação volvo-gástrica ocorre por conta da acumulação de gases, líquidos ou uma combinação de ambos no estômago.

Assim, o estômago fica distendido com gás ou líquido e ocorre a rotação ao longo do eixo do esôfago e do coração. Os fatores associados ao aparecimento dessa síndrome incluem aerofagia, exercícios imediatamente depois de comer e excesso de comida no estômago.

Quais raças são suscetíveis a essa síndrome?

Os animais mais comumente afetados pela DVG são cães grandes ou gigantes, de peito profundo. Sendo assim, essa descrição abrange o dogue alemão, o pastor alemão, o poodle padrão e os grandes cães de raças mistas.

O diagnóstico precoce, a estabilização médica, a intervenção cirúrgica e o monitoramento pós-operatório são fatores importantes para a redução da taxa de mortalidade.

Cachorro com o rosto no gelo

A ingestão de gelo pode induzir essa síndrome?

Não há evidências de que a ingestão de gelo tenha a ver com o desenvolvimento da DVG. O perigo real para o seu cão vem quando o animal consome muita água de forma rápida, depois de engolir uma grande quantidade de ar.

Apesar de não ser um fator de risco para a DVG, os veterinários não recomendam dar muita água gelada a um cão após atividades físicas intensas. Pense nisso: se você estiver com calor e beber um copo de água gelada rapidamente, o que acontece?

Como você deve ter lembrando, a água, em vez de aliviar a sede, traz dor e desconforto. Pode não ser prejudicial, mas por que você faria isso com o seu cão?

Nessas circunstâncias, quando os animais estão com calor e sede, é provável que bebam muita água rapidamente. Beber muita água, por outro lado, realmente é um fator de risco conhecido para o inchaço no estômago.

Para evitar que seu cão inche, ofereça várias pequenas refeições ao longo do dia, em vez de uma ou duas grandes. Não o deixe beber muita água de uma só vez e evite a prática de exercícios, pelo menos uma hora após a refeição.

Qual é o efeito do gelo nos dentes dos cães?

Os cubos de gelo são uma causa comum de quebra de dentes em cães. Quanto maior e mais rígido for o cubo, maiores as chances de isso acontecer.

Cachorro se refrescando com gelo

Mastigar algo duro com frequência pode causar um desgaste significativo no esmalte dos dentes. Uma opção é oferecer raspas ou cubos menores para ajudar a evitar esses problemas.

A ingestão de gelo em cães pode levar ao sufocamento?

É possível que o cão engasgue com um cubo de gelo grande se o animal não conseguir mastigá-lo. Novamente, é uma opção melhor oferecer pequenos pedaços ou raspas de gelo para evitar esse risco.

Os animais que perderam dentes ou apresentam doenças dentárias avançadas têm uma menor capacidade de mastigar e um maior risco de sufocamento.

Da mesma forma, cães que têm dificuldades respiratórias ou algum distúrbio neurológico podem apresentar um risco aumentado de se sufocarem com um cubo de gelo.

É aconselhável consultar sempre o veterinário se você estiver preocupado com a capacidade do seu cão de mastigar e ingerir cubos de gelo.

Em caso de insolação, o gelo pode ser usado em cães?

Em uma situação de superaquecimento, os especialistas não aconselham o uso de gelo. A indicação para esses casos é oferecer água fria, mas não gelo. O cão deve esfriar gradualmente para evitar uma vasoconstrição repentina.

Na insolação, é importante promover o processo de resfriamento. Recomenda-se molhar o cão com água em temperatura ambiente — com ênfase na barriga e nas costas — exceto na área da cabeça. Depois disso, você deve ir rapidamente ao consultório veterinário.

Mesmo que você consiga controlar a insolação do seu cão em casa, é uma boa ideia ir ao veterinário para ter certeza de que o animal não sofreu danos internos.

É importante reconhecer os sinais de uma insolação: vermelhidão nas gengivas, vômitos, suspiros pesados, confusão, dificuldade em respirar, pele quente e saliva espessa.

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