As espécies podem ser recuperadas da extinção?

31 Dezembro, 2020
A rigor, nenhuma técnica atualmente disponível pode criar espécimes vivos geneticamente idênticos às espécies extintas, embora tais organismos possam estar muito próximos dos seus ancestrais extintos.

A extinção, embora possa parecer um fenômeno cruel, é algo que aconteceu com relativa regularidade ao longo da história do planeta Terra. Na verdade, o declínio na diversidade de espécies a nível global ocorreu devido a várias extinções em massa e a nível local devido a outros fenômenos menores.

Assim, em um ecossistema que atinge constantemente novos equilíbrios, espécies extintas dão lugar a outras mais preparadas para o uso dos recursos. Infelizmente, a intervenção humana em todos os recursos do planeta, direta ou indiretamente, forçou a extinção de numerosas espécies em um ritmo vertiginoso.

Isso levanta uma questão interessante: devemos, se pudermos, reverter as extinções que aconteceram por nossa causa? Descubra aqui tudo o que se sabe sobre esse assunto e as considerações éticas que o acompanham.

O que significa reverter a extinção?

É interessante saber que, nas últimas décadas, um setor científico tem promovido uma nova intervenção no mundo, que foi denominada desextinção. Essa iniciativa propõe a criação – através do uso de metodologias genéticas – de um organismo que seja ou se assemelhe muito a um membro de uma espécie extinta.

É realmente possível resgatar uma espécie da extinção?

Certamente, hoje a tecnologia necessária está à nossa disposição para resgatar uma espécie da extinção. Existem três maneiras de trazer espécies de volta da extinção:

  1. Clonagem.
  2. Engenharia genética.
  3. Criação seletiva ou acasalamento estratégico.

A clonagem envolve a inserção de um núcleo das células do animal extinto no ovo não fertilizado de uma espécie hospedeira e, em seguida, a implantação da célula em um substituto. Por esse método, foram clonadas a ovelha Dolly em 1996 e uma espécie animal extinta, uma Capra pyrenaica em 2009, que só conseguiu viver por 10 minutos.

Assim, teoricamente, o núcleo de um óvulo de uma elefanta poderia ser substituído por outro extraído de uma célula de mamute-lanoso. Explicado de forma simples, dessa forma, o código genético do elefante é substituído pelo do mamute.

Um pulso elétrico faz com que a célula comece a se multiplicar e, se tudo correr bem, um embrião se desenvolverá. O embrião é então colocado em uma elefanta para continuar um processo de gestação “normal”.

É realmente possível resgatar uma espécie?

Outras metodologias

Na abordagem dominada pela engenharia genética, os cientistas resgatam fragmentos de sequências de DNA do animal extinto e preenchem as lacunas – sequências ausentes – com informações do DNA de uma espécie viva intimamente relacionada. Essa alternativa melhora com o advento do sistema CRISPR para inserção direcionada de DNA.

Alternativamente, na reprodução seletiva ou acasalamento estratégico, os cientistas identificam certos traços e reproduzem seletivamente parentes vivos próximos de uma espécie extinta até que os espécimes vivos comecem a se parecer com seus ancestrais desaparecidos.

Uma combinação desses métodos pode ser usada no ressurgimento das espécies.

Existem projetos em andamento para recuperar espécies em extinção?

Hoje, há uma série de projetos em andamento, como os encarregados de reviver o pombo-correio, o mamute-lanoso e a rã da espécie Rheobatrachus silus. Atualmente, já foram investidos esforços nessas espécies animais emblemáticas, além das já mencionadas, como o moa, o periquito-da-carolina ou o golfinho-lacustre-chinês.

Na África do Sul, há um projeto para reviver o quaga (Equus quagga quagga), uma subespécie da zebra comum. O Projeto Quagga visa reproduzir uma população morfologicamente próxima à original. Essa iniciativa foi lançada em 1987, e em 2005 os animais de quinta geração tinham características reconhecíveis do quaga.

É uma boa ideia reverter a extinção de uma espécie?

Como em todas as questões polêmicas, as opiniões estão divididas. Os defensores argumentam que temos a obrigação moral de recuperar os animais que desapareceram por nossa causa.

Por exemplo, o pombo-correio, o dugongo-de-steller e o dodô foram perdidos devido à caça, à destruição do habitat e às doenças causadas pelo homem. Teoriza-se que todos esses animais ainda estariam conosco se não fosse por certas atividades humanas.

Além disso, especialistas apontam que essa pode ser uma forma de aumentar a biodiversidade. Por exemplo, grandes herbívoros de pastoreio, como mamutes-lanosos, podem melhorar a qualidade do solo ou transformar áreas áridas da tundra siberiana em pastagens ricas.

Razões citadas pelos críticos

Os críticos argumentam que essas técnicas podem tirar recursos dos programas de esforço de conservação para as espécies atuais. Isso colocaria ainda mais animais em risco de extinção.

Além disso, as espécies reintroduzidas podem ter dificuldade para sobreviver na natureza. Muitos dos seus antigos habitats não existem mais, então esses animais não teriam mecanismos de defesa para se proteger dos predadores atuais.

Ademais, seu sistema imunológico pode não estar equipado para lidar com novos patógenos. Uma vez infectados com certos parasitas, esses animais revividos poderiam transmitir doenças a outras espécies, fato que teria um impacto muito negativo nos ecossistemas atuais.

Razões citadas pelos detratores

Em suma, não está nada claro quem vencerá o debate, principalmente porque não sabemos exatamente aonde a pesquisa sobre a extinção nos levará. Claramente, decisões difíceis precisarão ser tomadas no futuro. O que você faria?