Gigantismo e nanismo insular: você sabe do que se trata?

junho 21, 2019
Gigantismo e nanismo insular são os processos evolutivos dos animais e plantas que vivem sozinhos em uma ilha ou arquipélago, longe do continente. Desta forma, buscam sobreviver apesar das condições externas.

Estes dois mecanismos, conhecidos como gigantismo e nanismo insular, se manifestam em certas espécies endêmicas nas ilhas de todo o planeta. Contaremos tudo que você precisa saber sobre o tema neste artigo.

Quais fatores favorecem o gigantismo e o nanismo insular?

Como primeira medida, é muito importante definir a que estamos nos referindo quando falamos de gigantismo e nanismo insular.

Em ambos os casos, trata-se de uma resposta evolutiva das espécies animais – e também de alguns vegetais – que vivem em ilhas separadas dos continentes.

No gigantismo insular, as espécies crescem mais que seus antepassados, e isso pode ocorrer devido a três principais causas:

1. Ausência de predadores

Quando um animal é pequeno, é mais propenso a ser devorado por outro maior, mas também é mais fácil se esconder. Se na ilha onde habitam não há ninguém para caçá-los, então não haverá problema em crescer mais do que o normal.

2. Falta de competidores

Outra causa do gigantismo insular é que não existem espécies oponentes que briguem pelos mesmos recursos. Ao serem “únicos”, podem comer mais e melhor e, portanto, crescer.

3. Presença de grandes presas

Quando o alimento é muito grande, os animais têm que se adaptar. Uma maneira é crescer também.

Por sua vez, o nanismo insular é o processo evolutivo inverso do anterior, e é mais comum do que imaginamos. Por estarem “presos” em um habitat pequeno como uma ilha, os animais diminuem seu tamanho para poder se adaptar à falta de recursos.

Exemplos de gigantismo insular

Os roedores e as aves são claros exemplos de gigantismo insular, mas não os únicos. Ainda que a maioria das espécies que cresceram mais que o habitual como processo evolutivo estejam extintas, ainda restam algumas na atualidade, que são:

1. Tartaruga de Galápagos

No total, são 10 espécies que se enquadram na denominação “tartaruga de Galápagos”- foto principal deste artigo – e estão relacionadas entre si. Vivem nesta ilha do Oceano Pacífico que pertence ao Equador, e são as maiores do mundo.

O Chelonoidis nigra tem exemplares que podem medir mais de dois metros e pesar meia tonelada. A sua expectativa de vida pode chegar aos 170 anos!

2. Weta

Estão entre os maiores e mais pesados insetos do mundo, e seu habitat é a Nova Zelândia. O weta gigante pode medir 10 centímetros e pesar mais ou menos 30 gramas.

Os machos são maiores do que as fêmeas, e também são mais agressivos.

Durante o dia permanecem escondidos em buracos ou árvores, e à noite saem para caçar graças as suas poderosas mandíbulas que lhes permitem comer besouros e traças.

Weta, um inseto da Nova Zelândia

3. Fossa

Trata-se de um mamífero carnívoro endêmico da Ilha de Madagascar, considerado o único predador em seu território. Comparado a espécies antigas, a fossa atual mede e pesa o dobro de antes.

Gigantismo e nanismo insular

Hoje, são encontrados exemplares de machos com 80 centímetros de comprimento – mais 90 centímetros de rabo – que pesam mais ou menos 10 quilos.

Exemplos de nanismo insular

O processo conhecido como nanismo insular é mais comum entre os mamíferos, ainda que também aconteça com alguns répteis. Entre eles, podemos destacar:

1. Raposa das ilhas

Trata-se de um pequeno canídeo em risco de extinção habitante das Ilhas de Santa Bárbara, na costa da Califórnia. É a menor raposa da América do Norte, com um corpo similar ao de um gato doméstico.

Tem 50 centímetros de comprimento – mais 20 centímetros de rabo – e pesa mais ou menos 2 quilos.

Raposa anã

2. Crocodilo cubano

Este réptil é o menor da família dos sáurios – não passa dos três metros de comprimento – e, como seu nome indica, vive na Ilha de Cuba (seu habitat é muito restrito).

Ele se alimenta de aves, peixes e mamíferos e, apesar do seu tamanho, é um dos mais perigosos do mundo.

Crocodilo cubano

O gigantismo e o nanismo insular, sem dúvida, são formas de evolução que os animais possuem para se adaptarem ao habitat. Ainda assim, em muitos casos – considerando também fatores externos como o aparecimento do homem – eles não conseguem sobreviver e são extintos.

  • Lomolino, M. V. (2005). Body size evolution in insular vertebrates: Generality of the island rule. Journal of Biogeography. https://doi.org/10.1111/j.1365-2699.2005.01314.x