Granuloma eosinofílico em gatos: causas, diagnóstico e tratamento

Doenças como granuloma eosinofílico em gatos, juntamente com inúmeras patologias dermatológicas, podem afetar a saúde do seu animal de estimação e diminuir sua qualidade de vida. É importante saber identificá-los para iniciar um bom tratamento a tempo.
Granuloma eosinofílico em gatos: causas, diagnóstico e tratamento

Última atualização: 21 Outubro, 2021

Uma doença pode ser causada por vários agentes etiológicos, o que torna o processo diagnóstico um tanto difícil. Nessas situações, fazer uma subdivisão será o mais adequado: até no caso de uma mesma patologia, as diferenças nos padrões das manifestações clínicas tornam necessária uma determinada classificação. O granuloma eosinofílico em gatos é um exemplo disso.

Essa patologia deve ser tratada de forma diferente dependendo da variante patológica que o paciente apresenta. Preste muita atenção e não deixe de ler, pois a seguir nos aprofundaremos nesse interessante complexo eosinofílico.

O que é granuloma eosinofílico felino?

O granuloma eosinofílico em gatos faz parte de um complexo de doenças cutâneas, mucocutâneas e da cavidade oral que afetam os felinos. Com base na histopatologia, uma classificação em várias categorias foi determinada: granuloma eosinofílico, úlcera indolente e placa eosinofílica.

Essas 3 formas têm uma característica comum: o alto acúmulo de eosinófilos nos tecidos. Os eosinófilos são células que fazem parte do sistema imunológico no organismo dos gatos e são responsáveis pela defesa contra agentes estranhos e alguns elementos infecciosos. No entanto, em condições anormais, podem ser prejudiciais à sua saúde.

As reações alérgicas em animais andam de mãos dadas com os eosinófilos. Essas células têm a capacidade de controlar a liberação de histamina, gerando uma leve inflamação na área em que atuam. Em situações normais, tendem a desaparecer por conta própria após algumas horas, mas no granuloma eosinofílico em gatos isso não acontece.

Um veterinário trata um gato com coccidiose.

Causas de granuloma eosinofílico em gatos

O granuloma eosinofílico em gatos se manifesta como uma resposta secundária a várias situações, como as seguintes:

  • Dermatite atópica gerada por alérgenos ambientais.
  • Infestações de ectoparasitas que desencadeiam uma resposta de hipersensibilidade a picadas (pulgas, mosquitos e carrapatos, entre outros).
  • Pioderma (infecção bacteriana da pele).
  • Hipersensibilidade alimentar.

Até o momento, a predisposição genética não era considerada um fator determinante no granuloma eosinofílico em gatos. No entanto, foi observado que a frequência de apresentação aumenta em fêmeas e em espécimes de pelagem branca, o que faz suspeitar que os genes tenham algo a ver com isso.

Sintomas do complexo eosinofílico em gatos

Cada uma das formas que compõem o complexo eosinofílico em gatos possui uma determinada sintomatologia que a caracteriza e, ao mesmo tempo, facilita ao veterinário a determinação de um diagnóstico definitivo. A seguir, mostramos suas peculiaridades.

Granuloma eosinofílico

Conhecida como granuloma colagenolítico (devido à destruição do colágeno que geralmente ocorre na área afetada), essa patologia se caracteriza por apresentar lesões lineares. Seu animal de estimação pode apresentar essas feridas na cavidade oral, no queixo, no lábio inferior, no nariz e no focinho. Manchas esbranquiçadas causadas por danos ao colágeno também aparecerão.

Um aspecto interessante que inclui a apresentação do granuloma eosinofílico em gatos é a ausência de prurido (coceira). Se o seu animal sofre dessa doença, você poderá observar lesões alopécicas (sem pelos), avermelhadas e com granulação. Na maioria dos casos, as feridas seguem a mesma direção do padrão de higienização do gato.

Úlcera indolente

Também conhecida como úlcera eosinofílica, afeta mais fêmeas entre 5 e 6 anos de idade. Concentra-se na junção mucocutânea do lábio superior, local onde a lesão se manifesta. O granuloma eosinofílico em gatos começa como uma pequena protuberância que, com o tempo, ulcera e atinge o nariz.

As feridas com alopecia local, eritematizadas (maior coloração), brilhantes e delimitadas são os sinais mais frequentes nesses felinos. Úlceras não são excluídas nessa patologia. Embora as feridas sejam percebidas como dolorosas e feias (semelhantes à carne cozida), poucos pacientes sentem coceira e dor.

Placa eosinofílica

Observou-se que felinos entre 2 e 6 anos são os mais afetados por essa variante. Durante a primavera, quando as condições ambientais favorecem a proliferação de ectoparasitas e alérgenos ao ar livre, o número de casos tende a aumentar. Um dos principais sinais desse granuloma eosinofílico em gatos é o alto grau de coceira percebido pelos animais.

As lesões serão perceptíveis como estruturas circulares ou ovais, visualmente muito inchadas, sem pelos e avermelhadas. As áreas afetadas incluem abdômen, coxas e área da virilha, e podem até aparecer na face. O inchaço dos gânglios linfáticos geralmente aparece junto com o resto dos sinais.

Como diagnosticar a doença?

Nas 3 variantes do granuloma eosinofílico em gatos, um exame físico geral do paciente é essencial. Por se tratar de uma patologia de origem dermatológica, a semelhança com outras dermatoses pode ser muito grande. A realização de testes e estudos diagnósticos ajudará o veterinário a distinguir essa condição de outras com sinais semelhantes.

Diagnóstico diferencial

Doenças como carcinoma de células escamosas, calicivírus, linfossarcoma, mastocitoma e criptococose podem ser confundidas com esse complexo. Por outro lado, o fibrossarcoma, os vírus do herpes e o pênfigo vulgar são apenas alguns exemplos da grande variedade de patologias com as quais o granuloma eosinofílico compartilha sua sintomatologia.

Para descartar a presença de agentes bacterianos, uma cultura bacteriana e um antibiograma podem ser indicados no gato. Existe a possibilidade de se tratar de uma doença causada por parasitas: nesses casos, a raspagem de pele será uma excelente opção.

Diagnóstico definitivo

Devido à eosinofilia característica dessa doença, o uso da citologia será uma ferramenta muito útil para a obtenção de um diagnóstico definitivo. Um grande número de macrófagos e eosinófilos será indicativo de placa e granuloma eosinofílico em gatos, enquanto uma predominância de macrófagos e algumas bactérias será observada na úlcera eosinofílica.

Outra ferramenta diagnóstica essencial para determinar o granuloma eosinofílico em gatos é a biópsia de pele. Nela, áreas de inflamação (com presença de eosinófilos, mastócitos e outras células inflamatórias), ulceração e áreas multifocais granulomatosas são observadas com mais detalhes.

Tratamento de granuloma eosinofílico em gatos

O tratamento para o combate ao granuloma eosinofílico em gatos é muito amplo. O objetivo principal é eliminar a sua causa, e uma terapia sintomática começará a reduzir o desconforto físico do animal.

É necessário erradicar os ectoparasitas presentes e verificar se a dieta administrada não é a causa da hipersensibilidade. Simultaneamente, as seguintes medidas terapêuticas podem ser indicadas:

  • Imunossupressores: ciclofosfamida a uma taxa de 1 mg/kg por via oral em dias alternados por 4 a 6 semanas. A ciclosporina também é usada na dose de 7 mg/kg a cada 24 horas por 4 semanas. Esse tratamento visa reduzir a quantidade de eosinófilos presentes e estabilizar o sistema imunológico.
  • Antibióticos: com base nos resultados do antibiograma, é possível administrar amoxicilina com ácido clavulânico, na taxa de 12,5 mg/kg a cada 24 horas por até 10 dias, ou trimetoprima com sulfametoxazol, na dose de 30 mg/kg com a mesma frequência.
  • Glicocorticoides: recomenda-se administrar prednisona na taxa de 2 a 4 mg/kg por via oral nos primeiros dias, seguida de 2 mg/kg com intervalo de 48 horas. A dexametasona e a metilprednisolona são drogas que também podem ser indicadas nesse tratamento. Lembre-se de diminuir gradualmente as doses para evitar que as lesões voltem a aparecer.
  • Anti-histamínicos: a fim de reduzir a hipersensibilidade, uma boa estratégia terapêutica será a aplicação de clorfenamina e cloridrato de hidroxizina por duas semanas. Quando a causa do granuloma eosinofílico em gatos é desconhecida, os corticosteroides parecem funcionar melhor.

Tratamento alternativo

Também é possível aplicar alguns tratamentos alternativos fora do campo farmacológico. As opções são as seguintes:

  1. Cirurgia, criocirurgia ou radiação: o granuloma eosinofílico em gatos pode se tornar crônico. Nessas situações, o tratamento se complica. O uso de radiação, criocirurgia e várias técnicas cirúrgicas será considerado pelo veterinário.
  2. Suplementos de ácidos graxos: incorporá-los na dieta de seu animal de estimação será sempre uma excelente opção para aliviar os sintomas. Use-os por pelo menos 30 dias para notar mudanças positivas.
Um gato com granuloma enosinofílico.

Prognóstico de granuloma eosinofílico em gatos

De modo geral, o granuloma eosinofílico em gatos tem prognóstico favorável. A diretriz que marcará a boa evolução da doença será o acompanhamento das indicações terapêuticas estabelecidas pelos especialistas. Também é necessário fazer consultas periódicas como medida de controle com o veterinário.

Como acontece com todas as doenças, a detecção precoce da condição será fundamental para melhorar a saúde. Observe constantemente seu gato, pois qualquer anormalidade em sua pele e pelagem deve ser relatada imediatamente para avaliação. Siga essas recomendações e assim você deixará seu felino mais feliz ao seu lado.

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