Infertilidade em gatas: causas, diagnóstico e tratamento

A infertilidade em gatas é uma condição que pode ter várias causas, desde um tumor ou cisto até uma falha cromossômica herdada ao longo de gerações.
Infertilidade em gatas: causas, diagnóstico e tratamento

Última atualização: 11 agosto, 2021

Embora a criação de felinos esteja se tornando cada vez mais comum no mundo todo, a maioria dos estudos sobre eficácia reprodutiva em animais de estimação tem sido realizada em canídeos. Contudo, será uma surpresa saber que até 20% dos gatos de raça shorthair são estéreis e não se reproduzem. Você sabe o que causa infertilidade em gatas?

A infertilidade do sexo feminino nessa espécie (Felis silvestris catus) pode se dever a fatores como cruzamento incorreto, anestro prolongado, cios silenciosos ou problemas hormonais, nutricionais, genéticos ou cromossômicos. Se você quiser saber mais sobre a disfunção reprodutiva das gatas, continue lendo.

O ciclo reprodutivo felino

As gatas apresentam vários ciclos reprodutivos ao longo do ano, chamados de estro. A fecundação é interna e ocorre por penetração e, curiosamente, é a própria relação sexual que estimula sexualmente a fêmea. As espículas do pênis do macho se esfregam nas paredes da vagina da gata, promovendo a ovulação se for o momento certo.

As gatas copulam com vários pretendentes durante o cio, por isso é muito comum que uma ninhada seja composta por descendentes de mais de um pai. A maturidade sexual é atingida aos 4-5 meses e a gestação, uma vez que ocorre a fertilização, dura cerca de 66 dias. O desmame dos filhotes termina em aproximadamente 8-10 semanas.

Fases do ciclo ovulatório felino

Como indicam fontes profissionais , as gatas são poliéstricas sazonais, ou seja, apresentam vários ciclos ovulatórios ao longo do ano, mas concentrados em um estágio específico. A fase reprodutiva desses felinos ocorre na primavera e no verão, pois um fotoperíodo caracterizado por 14 horas de luz diária promove a secreção de certos hormônios sexuais.

As diferentes fases de estro da gata podem se concentrar nos seguintes eventos:

  • Proestro: durante o proestro, a fêmea atrai machos que não foram esterilizados, mas ela ainda não está pronta para gerar descendentes. Essa fase dura apenas alguns dias e a gata não mostra sinais óbvios de cio.
  • Estro: essa fase dura cerca de uma semana e costuma ser identificada com o cio propriamente dito. A gata atrai os machos e exibe comportamentos de apego exagerados, uma taxa mais elevada de vocalizações e certas posturas. Uma fêmea nesse estado deve copular 4 a 6 vezes para engravidar.
  • Interestro: se a fêmea não engravidar durante o estro, ela entrará na próxima fase. É o processo intermediário da fase reprodutiva em que a gata não está receptivo e dura de 3 dias a 3 semanas.
  • Anestro: é o período de dormência fora da estação reprodutiva e dura grande parte do ano. De qualquer modo, se o fotoperíodo estiver muito alterado em uma gata doméstica, ela pode entrar no proestro mesmo que não seja a época indicada.

 

Uma gata prenhe.

Causas de infertilidade em gatas

Agora que você conhece um pouco melhor as singularidades reprodutivas dos felinos domésticos, estamos prontos para explorar as causas da infertilidade em gatas. Não perca.

Reprodução na hora errada

Segundo estudos da National Library of Medicine, 75% dos criadores reproduzem fêmeas receptivas com machos durante os 3 dias após o início do estro, pois parece ser a data com maior índice de sucesso. No entanto, também foi registrado que os coitos no dia 1 muitas vezes promove a liberação de ovos imaturos ou de baixa qualidade.

Com isso, queremos dizer que o fato de ver uma gata copular nem sempre se traduz em gravidez. Às vezes, ela não começou a produzir óvulos ou os primeiros gametas podem estar imaturos e defeituosos. Portanto, não é recomendado cruzar a gata apenas no primeiro dia do estro.

Ovulação espontânea

Como já dissemos, via de regra a gata deve ser estimulada pelo pênis do macho para liberar os ovos. Infelizmente, nos processos de ovulação espontânea, ela pode “liberá-los” sem nenhum estímulo e não ter nenhum disponível para o momento do coito. Segundo fontes já citadas, esse problema pode ocorrer em até 87% das gatas e é mais evidente em espécimes com sobrepeso.

Às vezes, se a gata se reproduz com poucos machos, ela não libera óvulos.

Estresse e falta de experiência

Em certas ocasiões, uma fêmea muito jovem ou seletiva pode rejeitar o macho, apesar de estar no meio de seu estro. A probabilidade de rejeição pode ser aumentada se a gata for jovem, não tiver se reproduzir antes ou se as condições do estabelecimento não forem as ideais.

Problemas anatômicos

A atresia vaginal é uma malformação congênita que resulta na ausência da vagina e do útero. Gatas com essa condição são incapazes de se reproduzir, pois os espermatozoides do macho não chegam naturalmente aos óvulos, que, apesar disso, são funcionais.

Além dos problemas da fêmea, é importante levar em consideração que o problema pode estar no macho. Por exemplo, a fimose ou a a presença de um corpo estranho no pênis do gato são condições que impedem a penetração adequada e, portanto, a fecundação.

Doenças infecciosas

Não existem muitos estudos científicos que quantifiquem a infertilidade em gatas devido a infecções, mas é sabido que essas condições podem dificultar a reprodução. Por exemplo, alguns retrovírus e parvovírus felinos foram identificados como agentes abortivos em felinos. A bactéria Chlamydophila felis também pode causar complicações.

Outras causas

Apresentamos muitos dos possíveis desencadeadores da infertilidade em gatas, mas lembre-se de que existem muitos outros. Na lista a seguir, tentamos reunir o restante dos impedimentos reprodutivos nessa espécie:

  • Alterações hormonais ou deficiência na produção de certos hormônios.
  • Cistos ovarianos, endometriose crônica e outras condições anatômicas do sistema reprodutor.
  • Nutrição deficiente e problemas de desenvolvimento.
  • Condições hereditárias, incluindo falhas cromossômicas. Algumas raças são mais propensas a esses eventos do que outras.

Como a infertilidade em gatas é diagnosticada?

Conforme indicado pelo site veterinário VCA Hospitais, o diagnóstico da infertilidade felina começa sempre com uma análise física aprofundada, pois permite elucidar graves falhas sistêmicas que podem estar afetando toda a fisiologia da gata. Após essa avaliação superficial, as seguintes estratégias podem ser utilizadas:

  • Exames laboratoriais: a contagem de células sanguíneas e a concentração de certos hormônios no plasma sanguíneo podem ajudar a elucidar a infertilidade.
  • Exames para detecção de infecções: a obtenção de amostras da mucosa e de outros tecidos do animal pode permitir o isolamento de patógenos virais, bacterianos e protozoários.
  • Cultura e citologia vaginal: obtenção de amostras do tecido vaginal da gata para observar disfunções fisiológicas ou possíveis quadros infecciosos crônicos.
  • Técnicas de imagem: ultrassons, raios-X e tomografia permitem a observação dos canais internos da gata e suas estruturas ovarianas.

Possíveis tratamentos

Detectar a causa da infertilidade em gatas pode ser uma tarefa muito complexa, uma vez que, em alguns casos, essa condição é multifatorial e é explicada por uma miríade de fatores endógenos e exógenos. Portanto, nem sempre pode ser tratada em curto prazo ou com um simples medicamento.

Nos casos em que a gata está em perfeita saúde e a disfunção se deve a um desequilíbrio hormonal, certas injeções podem ser úteis. Por outro lado, se a causa forem cistos ovarianos, uma falha anatômica na vagina ou um tipo de câncer, a intervenção cirúrgica será o primeiro passo a seguir.

O aumento do horário de verão e a redução do ruído e do estresse no ambiente do animal também são recomendados em todos os casos.

 

Filhotes de gato mamando

Finalmente, você deve ter em mente que às vezes a causa da infertilidade em gatas é uma falha cromossômica, genética e hereditária. Nesses casos, por mais que insista, só poderá estressar o animal ou prejudicá-lo: às vezes, a fêmea não consegue se reproduzir e é melhor concebê-la apenas como um animal de companhia, sem grandes pretensões.

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