Insuficiência pancreática exócrina em animais de estimação

A insuficiência pancreática exócrina em animais de estimação é uma doença que afeta a digestão dos alimentos. Descubra por que ela surge.
Insuficiência pancreática exócrina em animais de estimação

Última atualização: 13 Março, 2021

A insuficiência pancreática exócrina ou IPE é uma patologia que consiste na incapacidade do pâncreas de sintetizar as enzimas envolvidas na digestão dos alimentos. Essa condição parece típica de humanos, mas também pode se manifestar em animais de estimação.

Como muitas outras doenças, o ponto principal para prevenir e tratar a IPE é a identificação precoce. Se você quiser descobrir quais são os sinais que mostram essa patologia e como lidar com ela, continue lendo.

O pâncreas está envolvido na digestão

O pâncreas é um órgão do sistema digestivo que está ligado ao estômago e à primeira parte do duodeno. Sua função é dupla, pois secreta no intestino compostos que auxiliam na digestão dos nutrientes (função exócrina) e hormônios que circulam na corrente sanguínea (função endócrina). A seguir, falaremos sobre ambas.

Função exócrina

O pâncreas produz enzimas que ajudam na digestão das gorduras, dos glicídios  e das proteínas dos alimentos. Essas enzimas são lipase, amilase e tripsina, respectivamente. As células do duto pancreático também secretam bicarbonato para promover a ação enzimática e fator intrínseco que permite a absorção da vitamina B12.

Além disso, o pâncreas exócrino também produz substâncias bacteriostáticas que regulam a flora do trato gastrointestinal e participam da manutenção da mucosa intestinal.

Função endócrina

O pâncreas libera no sangue os hormônios que regulam a quantidade de glicose no organismo, a insulina e o glucagon. A insulina diminui o nível de glicose no sangue e o glucagon aumenta. O diabetes é consequência de uma alteração no equilíbrio desses hormônios. A insuficiência pancreática exócrina em animais de estimação, portanto, afeta o papel do pâncreas na digestão.

Insuficiência pancreática exócrina em animais de estimação.

O que causa a insuficiência pancreática exócrina?

Os ácinos pancreáticos são o conjunto de células responsáveis pela produção de todo o suco pancreático. Em cães, a atrofia desses ácinos é a causa mais comum de insuficiência pancreática exócrina e, por exemplo, o pastor alemão é uma raça com predisposição genética à atrofia acinar pancreática. No entanto, em gatos, a causa geralmente é idiopática e resultado de uma pancreatite crônica.

A destruição dessas células tem como consequência um déficit de enzimas pancreáticas que regulam a digestão. Tudo isso envolve uma série de sintomas característicos que apresentaremos a seguir.

Sintomas de insuficiência pancreática exócrina em animais de estimação

Os sintomas mais frequentes nessa patologia são problemas digestivos, como:

  • Vômitos.
  • Diarreia.
  • Dor abdominal.
  • Perda de peso.
  • Fezes cinzentas ou amarelas.
  • Flatulências.
  • Coprofagia, ou seja, comer fezes.
  • Polidipsia, necessidade urgente de beber.

A poliúria e a polidipsia também podem ocorrer quando a IPE é causada por pancreatite crônica complicada por diabetes mellitus.

Os exames de sangue não confirmam completamente o diagnóstico, mas excluem a presença de outras doenças. Para confirmar a insuficiência pancreática exócrina em animais de estimação, é necessário realizar um teste específico no veterinário.

Esse teste é chamado teste de imunorreatividade do da tripsina ou TLI (sigla em inglês para Trypsinogen-like Immunoreactivity) e é realizado em cães em jejum. O teste detecta os níveis de tripsinogênio e tripsina no soro. O tripsinogênio é a molécula precursora da tripsina, e os valores abaixo da faixa normal indicam atividade pancreática insuficiente.

Quais tratamentos existem?

Para complementar a ação do pâncreas, é necessário fornecer ao animal um complemento nutricional de enzimas pancreáticas nos alimentos, além de uma dieta altamente digestível.

O prognóstico é bom, mas o tratamento geralmente dura a vida toda. A dose apropriada é estabelecida pelo veterinário com base no peso e na condição do animal. Às vezes, outros medicamentos precisam ser adicionados ao tratamento principal para tratar os sintomas. A resposta ao tratamento é observada após algumas semanas, pois o animal começa a ganhar peso, o seu apetite diminui, e a diarreia e o vômito cessam.

Um cachorro triste no veterinário.

Tal como acontece com outras doenças, um prognóstico oportuno é importante para garantir a saúde do animal. Se você suspeita de um problema digestivo em seu cão ou gato, não deixe de levar o animal ao veterinário, pois a insuficiência pancreática exócrina em animais de estimação pode ser complicada sem um tratamento oportuno.

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