Memória do elefante: mitos e verdades

abril 19, 2019
Além da afirmação popular sobre a grande memória do elefante, há evidências científicas que comprovam a capacidade desses animais para guardarem memórias por muito tempo.

É comum dizer “você tem memória de elefante” aludindo ao fato de que os elefantes parecem ter uma memória inigualável em relação a qualquer outro animal. No entanto, até onde vai a memória do elefante? É verdade que ele é capaz de se lembrar de tudo?

A história do elefante e da cadeira

Há uma história que diz que é possível amarrar um elefante adulto a uma cadeira e ela não se moverá. Será que um elefante não pode mover uma cadeira? Claro que pode! Então, por que ele não o faz? E, afinal, o que isso tem a ver com a memória do elefante?

Os elefantes jovens, para serem treinados, ficam amarrados com uma corrente a uma grande âncora que é enterrada no chão ou presa a uma árvore. É claro que esta não é uma posição agradável para ninguém, muito menos para um elefante. Por isso, ele vai tentar de todas as formas sair dessa situação.

Toda vez que ele puxa a corrente, ele se machuca. Entretanto, o animal fica repetindo esse processo até se frustrar muitas vezes. O que ele faz? Se rende e não tenta novamente. Esse fato permanece em sua memória para sempre. Por isso, quando ele está amarrado, independentemente de onde, não tenta mais se desvencilhar porque sabe que não pode.

É por isso que um elefante amarrado a uma cadeira não se mexe. Mesmo que o animal seja amarrado a uma pedra pequena, também não se mexerá. Afinal, ele lembra que ter uma corrente amarrada na perna é algo que ele não pode mudar. Nesse caso, a memória acaba pregando uma peça no animal.

Elefante

A memória do elefante parece infinita

Dizem que se machucarmos um elefante, ele nunca esquecerá. Quão verdadeira é essa afirmação? Parece que os cientistas ainda estão fascinados pela memória do elefante, que ainda não foram capazes de decifrar.

Acredita-se que o tamanho e a composição de seu cérebro façam parte da resposta. Os elefantes são capazes de demonstrar grandes emoções, como alegria, dor ou luto. Além disso, eles aprendem coisas novas facilmente. Inclusive, podem até imitar sons! Os cientistas chegaram à conclusão de que uma acumulação tão grande de tantas emoções e fatos teria a ver com o cérebro dos elefantes.

Novas descobertas científicas

Embora durante anos se acreditasse que apenas o tamanho do cérebro influenciava a inteligência e a memória dos elefantes, isso não fazia muito sentido. Afinal, o tamanho do cérebro de uma baleia é infinitamente maior e não reflete as mesmas qualidades.

Portanto, deveria haver algo diferente no cérebro dos elefantes. O neocórtex desses animais é muito complexo e semelhante ao dos humanos, macacos e golfinhos; um córtex grosso e com alta concentração de neurônios. Isso faz muito mais sentido.

De fato, o elevado desenvolvimento do hipocampo influencia diretamente a capacidade do elefante de poder recordar e manifestar emoções passadas, bem como sofrer de estresse pós-traumático. Acredita-se que os elefantes choram seus mortos e até mesmo mantêm um certo tempo de luto, o que não é o caso da maioria das espécies.

Elefantes nadadores

De fato, esse ato só era conhecido em humanos. Entretanto, os elefantes parecem imitar a nós, fazendo uma cerimônia de sepultamento do elefante morto. Além disso, eles seguem mantendo respeito ao passar pelo lugar onde um animal foi enterrado há muito tempo. É incrível!

A memória do elefante também lhe permite aprender ações de sobrevivência nos primeiros anos de suas vidas, assim como acontece com os seres humanos. Uma vez aprendidas, eles se lembram dessas ações pelo resto de suas vidas.

A memória eterna do elefante

Até onde vai a memória do elefante? Até o fim da sua vida. Quando algo acontece a um elefante que fica marcado, torna-se uma memória indelével. Por essa razão, eles demonstram atitudes negativas em relação aos cheiros de roupas e utensílios de uma tribo que matava elefantes como símbolo de virilidade. Por isso, lembre-se: não machuque um elefante, porque ele jamais esquecerá.