Novas espécies de peixes de recife

Recentemente, várias novas espécies de peixes foram descobertas nos recifes de Fakfak, na Indonésia.
Novas espécies de peixes de recife

Última atualização: 03 Abril, 2021

Um grupo de pesquisadores indonésios acreditam ter descoberto novas espécies de peixes nos recifes da costa de Papua Ocidental. Esse marco, ao mesmo tempo que incentiva a vida marinha, mostra a necessidade de cuidar desses ecossistemas.

Os recifes de coral são ecossistemas extremamente sensíveis. Mudanças de apenas um grau na temperatura da água podem destruir todo um recife de coral. O pior é que é nesses locais que nasce toda a vida dos oceanos: sem esse tipo de habitats, todas as espécies marinhas que conhecemos estariam totalmente condenadas à extinção.

As novas espécies de peixes descobertas

Cientistas da Indonésia descobriram um conjunto de organismos que potencialmente podem ser novas espécies. A fim de estudar a biodiversidade dos recifes na Baía de Berau e na Baía de Nusalasi Van den Bosch – no distrito costeiro de Fakfak – essas pessoas coletaram amostras de vários pontos do recife durante 2 semanas.

As águas do Fakfak abrigam muitos animais endêmicos e, portanto, de grande importância ecológica. Entre as novas espécies de peixes descobertas estão as seguintes:

  • 1 peixe-agulha do gênero Choeroichthys.
  • 2 peixes damisela dos gêneros Pomacentrus e Chrysiptera.
  • 1 bodião do gênero Halichoeres.
  • 3 gobios dos gêneros Amblyeleotris , Eviota e Myersina.
  • 1 peixe do gênero Trichonotus.
  • 1 peixe do gênero Ecsenius.

Se forem espécies novas, esses animais serão tratados como tal e poderão ser adicionados à grande riqueza de táxons diversos que povoam os recifes marinhos da Indonésia.

Um novo tipo de peixe coral.

Recifes de Fakfak, uma área de conservação

A descoberta das novas espécies de peixes não é um evento isolado. Nessa região do mundo, devido à presença de recifes, a biodiversidade marinha é conhecida por ser muito elevada. Tanto que o próprio governo da região designou 3500 quilômetros quadrados de oceano como área de conservação marinha.

Essa classificação faz com que não só os recifes possam ser uma área de pesquisa da natureza, mas que a pesca comercial seja controlada. Além disso, o turismo na região deve ter como objetivo a conservação do meio ambiente e dos organismos que nele habitam.

Infelizmente, todos esses avanços pela defesa da natureza também têm inimigos. Durante a pesquisa, foram descobertas áreas dos recifes que foram bombardeadas com explosivos para que os animais saíssem e, assim, pudessem ser pescados.

Essas ações prejudicam permanentemente o recife, que levará anos para se restabelecer, desde que a temperatura dos oceanos não continue subindo. Infelizmente, os ecossistemas marinhos estão cada vez mais ameaçados.

O branqueamento, doença dos corais

Embora as novas espécies de peixes descobertas sejam um vislumbre de esperança, é um fato que os corais no mundo todo estão morrendo. De qualquer forma, os recifes de coral a oeste de Papua parecem manter um melhor estado de saúde, devido à baixa densidade populacional de suas costas.

Por outro lado, essa região não é uma área de sobre-exploração de pesca, e a pouca atividade pesqueira que existe está em vias de ser regulamentada. Assim, essa área marinha é considerada um hotspot de biodiversidade. De fato, essas pequenas regiões que ainda prevalecem serão no futuro a semente para regenerar os recifes já perdidos.

Se, em um futuro próximo, os humanos forem capazes de deter a aceleração das mudanças climáticas, muitas espécies diferentes de corais e outros habitantes dos recifes serão necessárias para recuperar a biodiversidade já perdida.

Existem novas espécies de peixes nos recifes de coral.

Os recifes de coral morrem literalmente de um mal chamado branqueamento. Os corais perdem as algas que vivem em seu interior devido ao aumento da temperatura. Quando essas algas simbióticas morrem, os corais não conseguem mais sobreviver, perdem a cor e todo o recife se torna um cemitério branco do que antes era um lugar cheio de vida.

Esse e outros fenômenos estão destruindo alguns dos ecossistemas mais repletos de vida do mundo todo. Parte da fauna comprometida por essas mudanças climáticas ainda pode ser preservada, mas o prognóstico não é nada animador.

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