Peixes cartilaginosos: habitat, tipos e características

Os condrictes são parentes próximos dos placodermes, portanto também pertencem ao grupo de organismos que possuem mandíbulas articuladas (gnatostomados).
Peixes cartilaginosos: habitat, tipos e características

Última atualização: 10 Julho, 2021

Pertencentes à classe Chondrichthyes, os peixes cartilaginosos são animais que possuem esqueletos de cartilagem. Essa classe inclui tubarões, raias e quimeras, táxons que têm uma história evolutiva antiga, já que apareceram há mais de 450 milhões de anos.

Os Chondrichthyes são, em sua maioria, predadores. Por isso, têm um importante papel ecológico, controlando as populações de suas presas. Suas carnes fornecem grande quantidade de proteínas, gorduras e vitamina A, por isso são utilizadas para consumo humano. Se você quiser saber mais sobre essas espécies, continue lendo. Certamente vai surpreender você.

Tipos e características dos peixes cartilaginosos

Os peixes cartilaginosos, também chamados de condrictes, se caracterizam por terem um esqueleto cartilaginoso. Além disso, sua pele é coberta por escamas placoides, que se assemelham aos dentes de um vertebrado. É por isso que esses organismos têm uma textura áspera ao toque.

Sua boca contém numerosos dentes parcialmente calcificados. Eles não estão fundidos à mandíbula, portanto, também têm várias substituições. Esses peixes possuem 2 fossas nasais, 1 espiráculo e 5 a 7 aberturas branquiais. Seus olhos não possuem pálpebras como os dos humanos, mas possuem uma membrana leve e transparente, chamada nictitante, que cumpre a mesma função.

Outra característica principal é a presença de nadadeiras pélvicas na parte inferior do corpo, que funcionam como os órgãos reprodutores desses peixes. Essas nadadeiras, também chamadas de clásperes, são modificadas para poder depositar os gametas (espermatozoides) dentro da fêmea. É por isso que apenas os machos os apresentam, mas é uma característica de todo o grupo.

De acordo com o Instituto de Biologia da UNAM, o grupo dos condrictes contém cerca de 900 espécies. Esse táxon é dividido em 2 subclasses: os elasmobrânquios (tubarões e raias) e os holocéfalos (quimeras). A seguir, vamos contar quais são as suas peculiaridades.

 

Holocéfalos (quimeras)

Esses peixes são habitantes comuns de águas profundas no fundo dos oceanos. Além disso, possuem uma mandíbula unida ao crânio e seus dentes são divididos em 3 pares de placas dentais, que crescem lenta e continuamente sem substituições. O primeiro fóssil representante desse grupo é Callorhinchus, proveniente da Alemanha, datado do Jurássico Médio.

 

As quimeras são peixes cartilaginosos.

Elasmobrânquios (tubarões e raias)

Os membros dessa subclasse têm corpos em forma de torpedo (fusiformes), achatados nas laterais. Apesar de terem olhos, sua visão não é muito boa, então eles confiam no olfato para detectar suas presas. Os bulbos olfativos, áreas do cérebro responsáveis pelo processamento das informações do olfato, são altamente desenvolvidos.

Os elasmobrânquios também têm uma sensação de eletrossensibilidade, com a qual são capazes de detectar variações em estímulos elétricos de baixa frequência. Eles conseguem fazer isso por meio das ampolas de Lorenzini, que servem para se orientar através de campos elétricos e para detectar campos bioelétricos de suas presas.

As mandíbulas desse grupo são móveis, pois estão suspensas por uma cartilagem que as une ao crânio. Isso permite que a mandíbula inferior se projete para fora, permitindo capturar a presa.

 

Peixes cartilaginosos: tubarões

Como os peixes cartilaginosos nadam?

Os peixes cartilaginosos precisam nadar constantemente para que a água passe pelas fendas branquiais e assim possam respirar. Por essa razão, eles desenvolveram diferentes mecanismos de nado: a propulsão por ondulação e propulsão por apêndices.

O primeiro mecanismo refere-se ao uso da cauda cujos movimentos oscilantes permitem ao peixe avançar. É usado pela maioria dos tubarões, pois suas nadadeiras peitorais só permitem que mantenham a estabilidade, mas não têm flexibilidade.

Em outras palavras, eles usam a cauda sacudindo-a de um lado para o outro para avançar, enquanto suas outras nadadeiras os mantêm estáveis e retos.

Por sua vez, o segundo mecanismo envolve o uso das nadadeiras peitorais ou apêndices laterais. Essa adaptação locomotora é utilizada por jamantas e raias, que levantam e abaixam seus apêndices para poder se propelir na água, estratégia semelhante ao “voo”, mas debaixo d’água.

Todas as espécies apresentam um ou ambos os mecanismos de natação. Isso vai depender da estrutura corporal de cada um dos peixes cartilaginosos, uma vez que o formato do corpo afeta a locomoção e a flutuabilidade do organismo.

Esses peixes são máquinas otimizadas para a natação, pois suas modificações lhes conferem uma grande capacidade hidrodinâmica. O fato de ter um esqueleto cartilaginoso (leve) melhora a flutuabilidade e o uso das escamas diminui a turbulência da água. Além disso, essas espécies não têm bexiga natatória, então seu fígado cumpre essa função.

A grande quantidade de lipídios hepáticos permite que os peixes cartilaginosos flutuem.

Reprodução dos peixes cartilaginosos

Os condrictes têm um processo de fertilização interna, mas são capazes de apresentar os 3 tipos de reprodução: vivíparos, ovíparos e ovovivíparos. A seguir, descrevemos cada uma dessas estratégias.

Ovovivíparos

Esse modo de reprodução está em um ponto intermediário de oviparidade e viviparidade, pois o desenvolvimento do embrião ocorre dentro de um ovo que fica guardado dentro da mãe. Quando o ovo choca, a mãe dá à luz filhotes totalmente desenvolvidos.

Vivíparos

É o tipo de reprodução em que a mãe fornece nutrientes aos filhotes por meio da placenta. Com isso, a fêmea mantém a saúde e o crescimento dos filhos. Alguns exemplos de espécies vivíparas são o tubarão-martelo (Sphyrnidae sp.) e o tubarão-azul (Prionace glauca).

Ovíparos

Terminado o acasalamento, as fêmeas depositam cápsulas duras no solo ou as prendem a rochas ou algas. Os embriões usam a gema do ovo (saco vitelino) para se alimentar e se desenvolver até a eclosão.

Habitat dos peixes cartilaginosos

Esses peixes podem ter tanto habitats marinhos quanto de água doce. Geralmente, são encontrados em recifes de coral nos trópicos, fossas oceânicas das profundezas, em rios ou em áreas de convergência dos rios com o mar (estuários).

Embora apresentem características ancestrais e conservadas, os condrictes tiveram que se adaptar ao ambiente. É por isso que o processo evolutivo aprimorou certas características, como o olfato e a percepção mecânica, para garantir a captura de suas presas.

A biologia dos condrictes os transforma em máquinas capazes de sobreviver e ter sucesso em seu ambiente.

 

Um grupo de tubarões-martelo.

A evolução é um processo que promove a conservação e o aprimoramento das características que mais beneficiam as espécies. Por esse motivo, embora o esqueleto ósseo seja mais resistente, em alguns casos o esqueleto cartilaginoso é preferido por sua flexibilidade e leveza. Tubarões, raias e quimeras são exemplos vivos disso.

It might interest you...
O que é a ictiologia?
Meus AnimaisLeia em Meus Animais
O que é a ictiologia?

A ictiologia é um ramo da biologia que estuda os peixes. Os peixes são um grupo grande e diversificado, e a ictiologia é responsável por classificá...



  • Galíndez, E. J. (2016). Reproducción de peces cartilaginosos. Revista Ciencias Morfológicas18.
  • Flores, Luis & Morrone, Juan & Alcocer, Javier & León, Gerardo. (2016). Diversidad y afinidades biogeográficas de los tiburones, rayas y quimeras (Chondrichthyes: Elasmobranchii, Holocephali) de México. Revista de Biología Tropical. 64. 10.15517/rbt.v64i4.22774.
  • Cope, E. D. 1872. On two extinct forms of Physostomi of the Neotropical region. Proceedings of the American Philosophical Society 12:52-55.
  • Nelson, J. S. 1994. Fishes of the world. John Wiley & Sons. 3rd ed., 600 p.
  • Montero, Ricardo & Autino, Analía. (2004). Sistemática y filogenia de los Vertebrados, con énfasis en la fauna argentina. Primera Edición.. Montero, Ricardo & Autino, Analía. (2004). Sistemática y filogenia de los Vertebrados, con énfasis en la fauna argentina. Primera Edición.
  • Suárez, Mario E., & Lamilla, Julio, & Marquardt, Carlos (2004). Peces Chimaeriformes (Chondrichthyes, Holocephali) del Neógeno de la Formación Bahía Inglesa (Región de Atacama, Chile). Andean Geology, 31(1),105-117.[fecha de Consulta 16 de Junio de 2021]. ISSN: 0718-7092. Disponible en: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=173918528006