Por que as pesquisas sísmicas afetam os cetáceos?

abril 8, 2019
Levantamentos sísmicos afetam os cetáceos e outras espécies marinhas em um nível fisiológico e comportamental, e isso pode ser tão sério que alguns animais acabam morrendo.

Há muitas notícias e manifestações baseadas em pesquisas sísmicas que afetam os cetáceos. Estes mamíferos marinhos são ameaçados por esses métodos de extração, que são proibidos em alguns lugares, como o santuário nas Ilhas Baleares.

O que são as pesquisas sísmicas?

Costuma-se dizem que as pesquisas sísmicas afetam os cetáceos, mas muitas pessoas não sabem o que são essas pesquisas.

Levantamentos sísmicos são um método que permite localizar reservas marinhas de petróleo ou gás dentro de uma rocha, o que permite explorá-los melhor.

Essas ondas permitem que o fundo do mar seja mapeado, o que pode levar a jornadas intensivas por várias semanas ou até mesmo meses, de modo que, se atingirem os animais, podem prejudicá-los.

As ondas acústicas são emitidas através de canhões de ar comprimido. Quando retornam, trazem consigo informações sobre as diferentes camadas do fundo do mar.

Os dispositivos utilizados para emitir essas ondas podem gerar grandes intensidades sonoras, que podem afetar o bem-estar, a fisiologia ou o comportamento de diversos organismos marinhos.

Cardume de peixes

As pesquisas afetam outros animais marinhos?

Embora o foco deste artigo seja falar sobre se as pesquisas sísmicas afetam os cetáceos, a verdade é que elas também têm efeitos sobre outros seres vivos que vivem no mar, principalmente os peixes. Isso provocou muitas tentativas de interromper as pesquisas no Mediterrâneo.

Os peixes ósseos, isto é, aqueles que têm espinhas ósseas em vez de cartilagem, são especialmente sensíveis às pesquisas sísmicas. Isso porque eles têm bexiga natatória, um espaço cheio de gás que permite regular sua flutuação.

As pesquisas sísmicas também afetam a audição desses animais, de modo que há uma grande quantidade de atordoamento e perda de audição e capacidade de flutuar, o que pode ser desastroso.

Além disso, a prática tem efeitos econômicos: as pescas diminuem entre 30% e 50% nas regiões onde esse tipo de pesquisa sísmica é realizada.

Não só os peixes podem ser afetados: leões-marinhos, focas e morsas sofrem de perda de audição e mudanças de comportamento, embora os efeitos sobre esses animais tenham sido pouco estudados.

No caso das tartarugas marinhas, suas rotas migratórias podem ser afetadas e ocorrem mudanças em seus comportamentos sociais. Até mesmo lulas gigantes podem ser afetadas, com lesões em seus órgãos internos.

Cetáceos mortos na praia

As pesquisas sísmicas afetam os cetáceos?

Do modo como as baleias se comunicam, é impossível negar que as pesquisas sísmicas afetam os cetáceos: estamos falando de animais que precisam do som não apenas para se comunicar, mas também para nadar ou caçar.

Assim, ainda que pareça inacreditável, foi verificado que as pesquisas sísmicas afetam os cetáceos, inclusive a nível interno; o aumento de bolhas de gás causa danos no fígado, nos rins e até no fornecimento de sangue.

As estruturas auditivas são as mais afetadas, e até mesmo os ossos que compõem esse sentido podem ser fraturados.

As lesões podem transformar os animais em seres totalmente surdos, de modo que espécies como a baleia azul – que é solitária, mas se une a um grupo graças à sua música – podem permanecer totalmente sozinhas por toda a vida.

Embora as mudanças não sejam permanentes, uma mudança no limiar de sensibilidade por alguns dias pode significar a morte dos animais, já que eles precisam ouvir para procurar comida.

Obviamente, embora o som esteja longe e não ocorram danos físicos, esses animais perdem a habilidade de ecolocalizar barcos ou se comunicar devido ao ruído de fundo, além de mudar as rotas migratórias e causar estresse.

Os levantamentos sísmicos afetam negativamente os cetáceos e são vistos como ameaças aos ecossistemas, por isso, se nós queremos proteger a fauna marinha é preciso que sejam proibidas estas atividades em áreas protegidas.