Por que você nunca deve dar paracetamol ao seu cão?

Nunca devemos medicar nosso animal sem a prescrição de um profissional, pois as consequências podem ser fatais.

Última atualização: 06 Fevereiro, 2021

Dar paracetamol ao seu cão talvez seja uma das piores decisões que você pode tomar sobre a saúde do seu animal. Sempre que ele apresentar algum sintoma de doença, é preciso ir ao veterinário, pois é o profissional que mais sabe sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de patologias em animais não humanos.

O paracetamol é um medicamento pertencente ao grupo dos AINEs (anti-inflamatórios não esteroides) com propriedades analgésicas e antipiréticas. Portanto, são usados ​​para diminuir a dor leve ou moderada e reduzir a febre.

Sintomas de envenenamento por paracetamol em cães

Os cães podem tomar paracetamol, mas em doses mínimasA dose terapêutica de paracetamol em cães é de 15 mg/kg e a dose letal é de 150 mg/kg. O paracetamol é geralmente comercializado, para humanos, em comprimidos de 1000 mg. Isso significa que se, por exemplo, dermos uma pílula a um cão de sete quilos, teremos excedido a dose letal e o animal provavelmente morrerá.

Quando um indivíduo toma paracetamol, o medicamento se liga às proteínas do sangue, o que impede o transporte de oxigênio. Além disso, sua passagem pelo fígado, em grandes doses, causa necrose nesse órgão. Por esse motivo, os sintomas mais comuns ao dar paracetamol ao seu cão são:

  • Cianose: certas partes do corpo do animal adquirem uma coloração azulada. Isso ocorre porque os glóbulos vermelhos não estão transportando mais oxigênio.
  • Taquicardia.
  • Dispneia ou falta de ar
  • Icterícia: coloração amarelada da pele e das membranas mucosas devido à insuficiência hepática.
  • Fraqueza.
  • Inchaço nas patas.
  • Dor abdominal.
  • Vômito.
  • Falta de apetite.
  • Coma.

Consequências

A pior e mais extrema consequência de dar paracetamol ao seu cão é a possível morte do animal. Como dissemos, é um medicamento que impede a oxigenação dos tecidos e causa sérios danos ao fígado.

O paracetamol e o restante dos AINEs, causam danos diretos à mucosa gastrointestinal, pois, ao se juntarem ao suco gástrico, aumentam muito mais sua acidez. Por outro lado, inibem as prostaglandinas, moléculas cuja função é proteger a mucosa gastrointestinal. Em doses baixas, esses efeitos não são perceptíveis, mas na intoxicação por overdose, eles são.

Devido à forma como o paracetamol é metabolizado a nível renal, ou seja, nos rins, doses baixas são facilmente excretadas. Porém, em altas doses, ele é reabsorvido e retorna à corrente sanguínea. Isso leva à reintoxicação e à dificuldade de excreção do medicamento.

Por fim, a ligação do acetaminofeno com a hemoglobina cria uma molécula chamada meta-hemoglobina, que é incapaz de se ligar ao oxigênio. Além disso, causa hemólise ou destruição dos glóbulos vermelhos.

Tratamento de envenenamento por paracetamol em cães

A primeira coisa que devemos fazer quando nos deparamos com uma possível intoxicação por paracetamol em um cão é ir ao veterinário imediatamente. Se possível, temos que dizer quando e quanto ele foi capaz de tomar.

Normalmente, o envenenamento por paracetamol é tratado por descontaminação digestivaPrimeiramente, é feita uma tentativa de induzir o vômito no animal, caso não tenham se passado mais de quatro horas desde a ingestão do remédio. Na impossibilidade de induzir o vômito, procedemos à lavagem do estômago e à administração de carvão ativado, que é capaz de absorver as moléculas livres do medicamento.

Se mais tempo tiver se passado e o dano sofrido for maior, você pode escolher diferentes antídotos:

  • N-aceticisteína: reduz a progressão da insuficiência hepática, pois aumenta os níveis de óxido nítrico, que atua como vasodilatador e melhora a circulação hepática.
  • S-Adenosil-L-metionina: conjuga e elimina os metabólitos tóxicos do paracetamol.
  • Ácido ascórbico ou vitamina C: reduz a meta-hemoglobina na hemoglobina.

Por outro lado, o cão pode ser mantido em oxigênio, além de realizar transfusões de sangue e tratar a insuficiência renal aguda que possa surgir.

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