O que é a produtividade em um ecossistema?

A produtividade dos ecossistemas é um parâmetro que mede o crescimento da biomassa nos locais. Esse valor é muito útil tanto para explicar fenômenos biológicos quanto para usos humanos.
O que é a produtividade em um ecossistema?

Última atualização: 14 Janeiro, 2021

A produtividade em um ecossistema é um conceito ecológico central para compreender a variedade e as diferenças entre os diferentes ambientes da Terra. Esse parâmetro é a base fundamental sobre a qual se assenta o funcionamento das redes ecológicas.

Quais são os fundamentos da produtividade em um ecossistema? Quais tipos existem? Nas linhas a seguir, vamos responder às perguntas sobre o seu funcionamento e fundamentos.

A produtividade em um ecossistema

Animais e plantas usam a energia que obtêm a partir dos alimentos para cumprir com as suas funções vitais. Além disso, essa energia será usada para o crescimento do ser vivo. O crescimento, do ponto de vista funcional, nada mais é do que um aumento da biomassa – energia armazenada na forma de matéria nos seres vivos.

Esse aumento da biomassa é uma forma eficiente de determinar a dinâmica dos ecossistemas e pode ser medido de diferentes maneiras.

Na ecologia, a produtividade ou a produção primária é o aumento da biomassa por unidade de área e tempo. Por trás de uma definição tão simples se esconde um parâmetro mensurável que influencia a vasta complexidade dos sistemas ecológicos presentes na Terra.

A produtividade, portanto, mede a mudança na quantidade de seres vivos em um determinado tempo e lugar. Existem diferentes tipos de produtividade, que vamos discutir nas próximas seções.

a produtividade em um ecossistema
Um modelo resumido de ecossistema.

Produtividade primária: a porta de entrada para a energia

Às vezes, os humanos se esquecem da importância das plantas para a vida. Devido ao seu modo de obter nutrição, os organismos vegetais são considerados produtores primários: a porta de entrada da energia para os ecossistemas.

Como sabemos, as plantas produzem o seu próprio alimento a partir da fotossíntese. Por meio de uma série de reações bioquímicas complexas, as plantas sintetizam açúcares a partir de matéria orgânica e inorgânica que serve para o crescimento da sua biomassa.

Assim, nas plantas, o aumento da biomassa por unidade de tempo e área é conhecido como produtividade primária. Essa produtividade primária é crucial para a dinâmica dos ecossistemas, uma vez que as plantas são a “porta de entrada” para que a energia do Sol alcance as redes tróficas.

Podemos distinguir entre a produção primária bruta – o simples aumento da biomassa – ou líquida – o aumento da biomassa subtraindo a energia gasta na respiração. O valor líquido é aquele que possui maior utilidade de maneira geral.

Importância central da produtividade primária

A produtividade primária é o fator que determina a estrutura das cadeias tróficas, ou seja, as relações alimentares e etológicas entre os seres vivos nos ecossistemas.

Isso ocorre porque as plantas são a base da dieta dos herbívoros, os herbívoros dos carnívoros e assim por diante, até chegar aos superpredadores. Portanto, a produção de biomassa nas plantas acabará afetando todos os elementos da rede trófica.

Para exemplificar, podemos pensar em um ecossistema de pastagem. Se em um determinado ano a produtividade da pastagem for baixa – por causa da falta de chuva, por exemplo – os coelhos (herbívoros) terão menos alimento e a sua população diminuirá. Isso, por sua vez, afetará os lobos (predadores), pois haverá menos herbívoros disponíveis para caçar.

Ecossistemas com produtividade muito alta

Entre os vários ecossistemas existentes em nosso planeta, a produtividade varia enormemente. Existem ambientes muito produtivos, onde a biomassa animal cresce enormemente a cada ano. Dentre os ecossistemas com maior produtividade, podemos destacar os seguintes:

  • As zonas úmidas.
  • Os recifes de coral.
  • Os estuários.
  • As áreas costeiras.
  • As florestas equatoriais.

Todas essas áreas têm em comum uma alta produtividade primária que, por sua vez, está sujeita a uma enorme comunidade de consumidores – herbívoros e carnívoros. Esses tipos de ecossistemas, além de altamente produtivos, também sustentam uma enorme biodiversidade.

Ecossistemas com baixa produtividade

Em contraste, em outros ecossistemas, os produtores primários (fotossintéticos) são extremamente escassos e limitam bastante a produtividade ambiental. É o caso de desertos, zonas polares e áreas centrais dos oceanos. Logicamente, a ausência de produtores primários limita totalmente a presença de consumidores.

Produtividade secundária

A produtividade secundária se refere ao crescimento da biomassa de consumidores por área e ano. Conforme já mencionamos, estes são limitados pelos produtores primários.

Da mesma forma, existe uma enorme limitação de produtores secundários devido à baixa eficiência de transformação. Os animais só são capazes de transformar cerca de 10% da energia contida nos vegetais. No caso dos predadores, apenas 1% acaba sendo traduzido em biomassa pura.

Quanto mais energia um animal gasta com o seu metabolismo, menos biomassa ele gera.

a produtividade em um ecossistema

Em conclusão, a produtividade de um ecossistema é um parâmetro que nos fornece informações importantes sobre a dinâmica dos ecossistemasinfluencia fortemente as redes tróficas de animais e plantas.

Pode interessar a você...
A importância do krill nos ecossistemas oceânicos
Meus AnimaisLeia em Meus Animais
A importância do krill nos ecossistemas oceânicos

Conheça a importância do krill, considerado a "pedra angular" dos ecossistemas oceânicos, pois compõe a dieta básica de muitos animais.