Prolapso retal em gatos: causas, sintomas e tratamentos

O prolapso retal em gatos pode resultar de uma infestação parasitária e de um esforço excessivo ao defecar. É necessário detectar o quadro a tempo para poder iniciar o tratamento.
Prolapso retal em gatos: causas, sintomas e tratamentos

Última atualização: 21 Novembro, 2021

Algumas doenças são muito mais marcantes do que outras a nível sintomático. Os gatos são excelentes quando se trata de esconder seus sinais clínicos, já que seus ancestrais eram caçadores natos com um instinto de sobrevivência muito aguçado. Por esse motivo, raramente mostram que algo está acontecendo com eles fisiológica ou emocionalmente.

Em qualquer caso, o prolapso retal em gatos é uma condição extremamente óbvia que se manifesta física e inequivocamente. Continue lendo e não se desespere: por mais impressionante e alarmante que seja essa condição, ela tem solução se levar o animal ao veterinário prontamente.

O que é o prolapso retal?

O reto é a última parte do intestino grosso, o conjunto de tecidos responsável por transformar os resíduos em fezes e reabsorver uma grande quantidade de água. Nos felinos, no local de saída dessa estrutura, estão os sacos anais, pequenas glândulas responsáveis pela secreção de uma substância malcheirosa durante o ato de defecação.

O termo prolapso retal é usado para designar a condição na qual uma ou mais camadas do reto “saem” pelo ânus, ficando fora do corpo do animal. Sua apresentação é inequívoca, pois se manifesta como uma massa tubular rosada que se projeta da área que o gato deve utilizar para defecar. De acordo com sua etiologia, esse tipo de prolapso é classificado em 2 categorias:

  • Incompleto: apenas a seção interna do tecido do reto se projeta para fora do ânus (também conhecido como prolapso anal).
  • Completo: todas as seções de tecido do reto se projetam para fora do ânus (isso é prolapso retal propriamente dito).

No prolapso incompleto, a massa rosada é vista quando o gato tenta defecar, mas o tecido geralmente retorna à sua posição após o esforço físico. Por outro lado, na variante completa, a parte afetada do reto fica sempre fora do ânus. Esse último quadro representa uma emergência veterinária evidente. 

Um gato cheirando seu ânus em um fundo branco.

Causas do prolapso retal em gatos

Conforme indicado pelo site veterinário MSD, o prolapso retal é muito mais comum em filhotes de gatos que têm diarreia severa ou sérios problemas de defecação. Alguns dos gatilhos mais comuns para ambos os eventos fisiológicos são os seguintes:

  • Parasitas intestinais: os gatos jovens têm um sistema imunológico subdesenvolvido, por isso são mais propensos a infecções causadas por vírus, bactérias, vermes e nematoides. Esses últimos grupos de parasitas complexos (hookworms e roundworms em inglês) estão entre as principais causas de prolapso.
  • Prisão de ventre: o acúmulo de fezes no intestino grosso é sempre um problema. O gato fará esforços para tentar se livrar do tampão fecal, mas em alguns casos só conseguirá romper os músculos anais ou reverter essa estrutura (algo semelhante a uma meia virada).
  • Desidratação: um suprimento adequado de água é essencial para que as fezes sejam lubrificadas e possam passar sem problemas pelo ânus.
  • Inflamação dos órgãos do sistema geniturinário: a inflamação da bexiga, da próstata e do ambiente uterino pode pressionar a região anal, causando prolapso.
  • Câncer e neoplasias benignas: a presença de tumores anais, benignos ou malignos, pode empurrar o reto para fora de sua posição normal.

As causas desse evento fisiológico são múltiplas, mas destacamos que a maioria afeta principalmente gatos recém-nascidos ou jovens. Portanto, é necessário monitorar com precisão como e com que frequência eles defecam.

Sintomas

Como dissemos em linhas anteriores, os sinais clínicos de prolapso retal em gatos são extremamente evidentes. Na lista a seguir você encontra os mais relevantes:

  • Uma massa de tecido tubular rosada que se projeta do ânus do animal.
  • Área perianal avermelhada e inflamada.
  • Prisão de ventre severa e incapacidade de evacuar.
  • Lambedura anal excessiva pelo gato.
  • Depressão e letargia.
  • Sintomas graves: prolapso escurecido, avermelhado ou que secreta pus. Isso é indicativo de que o tecido está inflamado.

Além dos sinais físicos, você notará que o gato costuma ficar em uma posição constantemente curvada, como se fosse defecar. Ele se esforçará cada vez mais para fazer isso, o que piorará o quadro de prolapso. Por isso, você deve levá-lo ao veterinário assim que o primeiro sintoma for percebido.

Diagnóstico de prolapso

O prolapso retal é muito fácil de diagnosticar, mas o verdadeiro desafio está em encontrar a causa subjacente. Primeiro, o veterinário fará um exame físico completo do animal, incluindo a palpação do reto e da área evertida (por mais desagradável que pareça).

Para fazer o diagnóstico, também é necessário realizar um hemograma completo do gato por meio de coleta de sangue. A análise das fezes detectará a presença de parasitas, enquanto as técnicas de imagem avançadas (como raios-X ou tomografia computadorizada) permitirão a análise da inflamação de órgãos internos ou a presença de massas tumorais.

Se for detectado um tumor, será necessário fazer uma biópsia do tecido para saber se é cancerígeno ou não.

Tratamento

Quanto mais cedo o gato for levado à clínica, melhor será o prognóstico e mais fácil será o tratamento do prolapso. Existem várias opções para resolver essa situação, incluindo as seguintes:

  • Colocação manual: se a maior parte do tecido retal ainda estiver vivo, ele pode ser empurrado manualmente de volta à sua posição inicial. Será necessário ficar pontos por 48 horas para evitar a recorrência do prolapso.
  • Colopexia: é um processo um pouco mais invasivo, mas ainda não apresenta nenhum risco. Uma incisão é feita e o reto é costurado na posição adequada.
  • Ressecção retal: se parte do tecido estiver morta, é necessário operar a fim de separá-la das partes funcionais. Caso contrário, a área necrosada ficará infectada dentro do animal.
  • Administração de antiparasitários: necessária se a infecção for causada por helmintos.
  • Administração de antibióticos: caso a diarreia se deva a uma infecção bacteriana.

Se o gato for submetido à colopexia, o tutor terá que oferecer a ele uma dieta especial por alguns dias para que suas fezes fiquem o mais moles possível. Amaciadores de fezes podem ser prescritos por um período limitado com esse mesmo propósito.

O granuloma eosinofílico em gatos requer tratamento especializado.

O prognóstico de prolapso retal em gatos costuma ser positivo, mas tudo depende da condição que levou o reto a sair pelo ânus em primeiro lugar. Uma infestação parasitária não é um grande problema, uma vez que os medicamentos apropriados são administrados, mas um tumor cancerígeno é quase sempre fatal. Quanto mais cedo você detectar a condição, maior será a probabilidade de o gato sobreviver.

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