Tumor perianal em cães: sintomas e tratamento

O tumor perianal é uma doença comum em cães domésticos. Geralmente está associada a machos mais velhos e pode ou não ser cancerígeno. Você quer saber quais são as diferenças entre ambos os quadros?
Tumor perianal em cães: sintomas e tratamento

Última atualização: 29 Junho, 2021

O câncer é uma doença que ocorre em praticamente todos os vertebrados, não apenas em humanos. O tumor neoplásico surge por mutação em uma linhagem celular, que passa a crescer excessivamente sem seguir os parâmetros normais de apoptose e desenvolvimento. Esse pode ser o evento inicial que desencadeia o tumor perianal em cães, mas nem todas as massas nessa região são cancerosas.

Os tumores nas glândulas perianais são muito comuns em cães, mas fontes que veremos mais tarde estimam que 81 a 96% deles são massas benignas não cancerígenas. Se você quiser aprender a diferenciar ambos os quadros e saber tudo sobre o tumor perianal canino, continue lendo.

O que é um tumor perianal?

Os sacos anais incluem agrupamentos de glândulas localizadas no ânus de cães e gatos. As paredes dessas estruturas são revestidas por um grande número de glândulas sebáceas, que produzem um fluido com odor característico. Esse líquido é armazenado nos sacos anais, que por sua vez o liberam por meio de um duto direto para o ânus.

Esse fluido é um excelente método de comunicação química nos cães, uma vez que as secreções das glândulas perianais são utilizadas para marcar territórios e alertar outros canídeos sobre a presença de um espécime em determinado ambiente. Os sacos anais se contraem com a evacuação, liberando fluidos junto com as fezes.

O problema surge quando um grupo de células secretoras na parede dos sacos começa a crescer mais do que o normal. Se a linhagem celular se desenvolver até certo ponto de forma autolimitada, trata-se de um tumor benigno, mas se tiver potencial metastático, é considerado um câncer.

As glândulas anais dão às fezes do cão um cheiro próprio e intransferível.

 

As glândulas perianais de um cachorro.

Tipos de tumores perianais em cães

Conforme indicado por fontes veterinárias profissionais, um animal de estimação pode apresentar vários tipos de tumores perianais. Vamos listar a seguir os mais importantes.

Adenoma perianal

Os adenomas perianais são tumores benignos que correspondem a mais de 80% dos quadros neoplásicos dessa região. De acordo com o artigo Hormone-dependent neoplasms of the canine perianal gland (Neoplasias hormôno-dependentes da glândula perianal canina), publicado na revista médica PubMed, essas massas são dependentes da atividade hormonal (andrógenos). Por esse motivo, os machos têm até 5,6 vezes mais chance do que as fêmeas de apresentar esses adenomas.

Esses tumores geralmente não são dolorosos e não crescem mais do que 3 centímetros, embora possam ulcerar e causar alguns problemas médicos se não forem tratados. Apesar de não serem cancerígenos, devem ser removidos.

Adenocarcinoma perianal

Os adenocarcinomas perianais representam menos de 10% dos tumores nessas áreas e são cancerígenos. Ao contrário dos adenomas, eles crescem até 10 centímetros de comprimento e se espalham para outras áreas do corpo do animal. As massas tumorais podem se espalhar para os gânglios linfáticos, a região abdominal e os pulmões.

Epitelioma

Um epitelioma é um crescimento anormal do epitélio, a camada de tecido que reveste a superfície dos órgãos e outras estruturas do corpo do animal. Os epiteliomas são considerados quase malignos (borderline malignant) e são muito raros, por isso não iremos focar nossa atenção neles.

Outros tumores, como linfomas, melanomas e tumores de mastócitos, podem aparecer nessa área. No entanto, não são exclusivos da região anal.

Sintomas de tumor perianal em cães

Como você pode imaginar, os sintomas variam muito dependendo da condição do animal, já que um tumor benigno (adenoma) não tem nada a ver com um tumor maligno (adenocarcinoma). A seguir, apresentamos a sintomatologia geral em ambos os casos:

  • Nódulo(s) rosado(s) ao redor do ânus: correspondem a uma ou mais massas tumorais, são pequenos e não estão cobertos de pelos. Os tumores benignos geralmente não crescem mais do que 3 centímetros, enquanto os malignos ficam muito maiores. Os adenomas são superficiais e raramente afetam tecidos profundos.
  • Sinais de infecção: a massa anormal pode infeccionar ou ulcerar. Nesses casos, o cão pode apresentar inflamação na região anal, além de vesículas cheias de pus e pápulas avermelhadas.
  • Dificuldade para defecar: esse sinal clínico só é visto nos adenocarcinomas, salvo exceções. Como os cânceres infectam tecidos mais profundos, o tumor perianal pode causar uma obstrução mecânica na área do reto.
  • Sintomas sistêmicos: se o câncer se espalhar para outras áreas do corpo, a sintomatologia vai depender do local afetado. Uma metástase pode se manifestar de várias maneiras, desde apatia até insuficiência respiratória.

Além disso, 30 a 50% dos cães com adenocarcinomas apresentam hipercalcemia paraneoplásica, que resulta em excesso de cálcio (Ca) no sangue. Essa síndrome se manifesta na forma de cansaço, letargia, confusão mental, anorexia, vômitos, prisão de ventre e outros sintomas sistêmicos.

Como o tumor perianal é diagnosticado em cães?

Diante de algum dos sintomas citados, é necessário levar o animal imediatamente ao veterinário. O profissional vai suspeitar da presença de tumor perianal ao observar diretamente a massa ou perceber a existência de nódulos, seja nas glândulas ou nos linfonodos adjacentes, durante a palpação retal.

De qualquer modo, para separar um adenoma de um adenocarcinoma, é necessário fazer o exame laboratorial de uma amostra do tecido tumoral. Às vezes, o diagnóstico é confirmado depois que a massa tumoral tiver sido completamente removida.

Tratamento dos tumores perianais

O tratamento de qualquer tumor, maligno ou não, envolve a remoção cirúrgica da massa neoplásica. Se o cão tiver um adenocarcinoma, pode ser necessário remover também os tecidos adjacentes comprometidos, pois os restos do câncer podem permanecer e causar recidivas.

No entanto, às vezes a remoção cirúrgica não pode ser feita imediatamente. Se a massa estiver próxima ao esfíncter anal ou as bordas forem difusas, recomenda-se iniciar o tratamento com a castração no caso dos machos. Se as gônadas forem removidas, a ação dos andrógenos será reduzida e espera-se que a massa diminua de tamanho.

Por outro lado, se o tumor for do tipo adenoma e muito pequeno, é possível recorrer à crioterapia ou ablação a laser. A radioterapia e a quimioterapia são recomendadas em adenocarcinomas mais avançados, embora o estado de saúde anterior do animal e a idade devam ser levados em consideração antes de iniciar processos tão exigentes, tanto para a saúde do animal quanto para o nosso bolso.

 

Um cão branco doente no veterinário.

Prognóstico e notas finais

O prognóstico do tumor perianal em cães dependerá da idade do animal, do tipo de neoplasia e do estado de avanço da massa. Os adenomas geralmente não causam mais problemas após sua extração, pois desaparecem completamente em mais de 90% dos casos, desde que o procedimento seja acompanhado de castração.

Por outro lado, o prognóstico dos adenocarcinomas é muito delicado. Esses tumores crescem rapidamente e podem se espalhar facilmente para estruturas adjacentes, portanto, a remoção cirúrgica nem sempre é a solução final. Dependendo da existência ou não de metástases, a sobrevida do paciente canino pode variar.

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