Qual foi o primeiro cão doméstico?

maio 31, 2019
Quando começou a relação entre cães e humanos? Voltamos ao passado para responder a esta e outras perguntas.

O cão doméstico (Canis lupus familiaris) é uma subespécie do lobo (Canis lupus) que pertence à família dos canídeos. Até se transformarem nos animais que conhecemos hoje, nossos melhores amigos passaram por muitas mudanças em sua aparência e comportamento.

A seguir, diremos qual foi o primeiro cão doméstico do qual temos conhecimento histórico.

Variedade genética e o conceito de raça em cães

Atualmente são reconhecidas mais de 400 raças de cães, número superior ao observado em qualquer outra espécie. O conceito de raça implica a padronização estética, que requer, por sua vez, a realização de cruzamentos seletivos.

Por essa razão, os cães da raça possuem uma menor variedade genética e maior nível de consanguinidade. Posteriormente, observou-se que os cães de raça são mais semelhantes entre si, pelo menos em seu fenótipo, do que os cães mestiços.

Considerando todas as raças e mestiços, o cão doméstico é um dos mamíferos com maior diversidade em sua genética e fenótipo. Isso quer dizer que cada indivíduo é único em sua fisionomia, aparência e comportamento.

Qual foi o primeiro cão doméstico?

Os especialistas concordam que o cão foi um dos primeiros animais a serem domesticados pelo homem. No entanto, persiste um grande debate sobre qual teria sido e onde o primeiro cão doméstico teria vivido.

Nas diferentes análises sobre a antiguidade dos cães domesticados, as evidências fósseis descobertas nas últimas décadas continuam despertando divergências entre os pesquisadores.

Em 2008, os restos fósseis mais antigos pertencentes aos ancestrais do cão doméstico foram encontrados. De acordo com estimativas, esta evidência encontrada na caverna de Goyet (Bélgica) teria aproximadamente 31.000 anos de idade.

No entanto, alguns estudos sobre o genoma das raças de cães atuais mostram que o primeiro cão doméstico viveu, provavelmente, na África. Além disso, eles apontam que o Basenji, o famoso “cachorro mudo” do Congo, pode ser a raça canina mais antiga do mundo.

Essas evidências sugerem que o processo de domesticação teria começado independentemente na África e na Eurásia, cerca de 15.000 anos atrás. No entanto, devido a circunstâncias históricas e comerciais, a maioria das raças que conhecemos tem origem asiática-europeia.

Cachorro da raça Basenji

Como começou a domesticação dos cães?

Esta questão continua sendo um dos maiores desafios para historiadores e pesquisadores. Como explicar o ponto de partida do grande vínculo entre seres humanos e cães através de tantos séculos?

A primeira coisa é entender que domesticação do cão não foi um fenômeno que se materializou de um dia para o outro. A transformação dos primeiros lobos domados e depois domesticados foi um processo lento e gradual que se estendeu por muitos anos.

Uma questão de interesse mútuo

Estima-se que tudo possa ter começado com uma conveniência mútua para compartilhamento de território. Tanto lobos quanto homens encontraram benefícios para sua sobrevivência, permanecendo unidos e estabelecendo uma coexistência equilibrada.

Provavelmente, os primeiros lobos a se aproximarem das aldeias dos homens buscaram calor, abrigo e um ambiente seguro para ter seus filhotes. Por causa de tudo isso, os homens podem ter sido incapazes de afugentá-los, ou preferiram não entrar em conflito com animais aparentemente amigáveis.

Rapidamente, os seres humanos perceberam que esses lobos domesticados eram grandes aliados na caça. Com a ajuda deles, eles conseguiam alcançar as presas com mais facilidade e garantir alimentos para suas famílias.

Também é provável que tanto os homens quanto os cães tenham percebido que, se permanecessem unidos, conseguiram proteger melhor sua comunidade. Homens e cães, juntos, uniram a força e a inteligência para derrotar os predadores e melhorar a qualidade de vida que tinham.

A adaptação do cão ao homem e o surgimento das raças

Jovem com seu cão em casa

Percebendo todas as capacidades dos cães, os homens começam a selecionar aqueles que pareciam mais úteis para eles. Desta forma, através de cruzamentos seletivos, eles começam a aperfeiçoar certas características e reforçar algumas habilidades instintivas.

Este é o ponto de partida para a criação da enorme diversidade de raças que conhecemos hoje. Por esta razão, existem muitos cães com fortes instintos caçadores, pastores, e com uma devoção explícita ao trabalho.

Logicamente, a educação e o vínculo afetivo também foram fundamentais para que os cães se adaptassem de maneira orgânica às necessidades e ao estilo de vida do homem.