4 animais selvagens que praticam coprofagia

A coprofagia é uma técnica pouco conhecida, mas comum no comportamento de animais selvagens. No mundo natural, nada é desperdiçado.
4 animais selvagens que praticam coprofagia

Última atualização: 10 Junho, 2021

A coprofagia é uma técnica praticada por diferentes espécies em todo o mundo. É uma adaptação biológica pouco conhecida, que gera muita rejeição no ser humano. Em todo  caso, os animais que recorrem ao ato de comer as suas próprias fezes – ou as fezes de terceiros – o fazem por um motivo específico.

No mundo natural, cada espécie se especializa em um nicho ecológico único. E alguns animais são responsáveis por transformar a matéria orgânica que nenhum ser vivo vai reaproveitar, ou seja, suas fezes. Se você quiser saber mais sobre a coprofagia, continue lendo.

O que é a coprofagia?

A coprofagia é definida como a ingestão de fezes ou excrementos e é um comportamento comum em algumas espécies de animais. O objetivo da coprofagia é ingerir nutrientes essenciais que não foram digeridos ao passar pelo trato digestivo e, de outra forma, seriam desperdiçados.

Apenas alguns seres vivos praticam a coprofagia como forma de alimentação natural. Entre eles, há invertebrados e vertebrados. Por outro lado, apenas os animais que se alimentam exclusiva ou quase exclusivamente dos excrementos de outros, como certos besouros, são considerados coprófagos estritos.

Por outro lado, existem coprófagos ocasionais, ou seja, animais que comem outros alimentos, mas às vezes ingerem suas próprias fezes. Isso ocorre porque seu intestino não consegue decompor completamente os alimentos e extrair todos os nutrientes de uma vez. Por isso, eles ingerem novamente as fezes e as digerem mais uma vez.

Além disso, animais coprófagos, como os coelhos, expelem dois tipos diferentes de fezes, uma que é comida e outra que não. As fezes que podem ser ingeridas são chamadas de cecotrofos ou fezes noturnas.

Quais animais praticam a coprofagia?

A seguir, serão explicados alguns dos animais selvagens que praticam a coprofagia, tanto estrita quanto ocasional. Confira!

1. Coelhos

Os coelhos consomem uma parte de suas próprias fezes, especificamente, os chamados cecotrofos. Essas fezes são moles e compostas de alimentos parcialmente digeridos, dos quais extraem nutrientes.

Algumas espécies relacionadas aos coelhos – como os porquinhos-da-índia – não possuem um sistema digestivo sofisticado. Por isso, as fezes fornecem nutrientes e vitaminas, como os hamsters, que reabsorvem as vitaminas B e K graças à coprofagia.

 

Os coelhos realizam coprofagia.

2. Chimpanzés

Foi observado que em algumas ocasiões, os chimpanzés podem se alimentar de suas fezes. A razão que os levam a fazer isso é a mesma dos coelhos, o que significa que as sementes ingeridas não lhes permitem obter todos os nutrientes na primeira digestão. Portanto, eles as ingerem novamente para poder extrair todos os seus benefícios.

Esse comportamento também foi observado em gorilas, que podem ingerir excrementos próprios ou de outros gorilas. Por outro lado, símios e macacos costumam ingerir excrementos de outras espécies.

 

Um chimpanzé deitado.

3. Besouros do esterco

Os besouros do esterco, por outro lado, se alimentam de excrementos de outros animais. Dependendo se são jovens ou adultos, eles se alimentam de um tipo de matéria ou de outro. Os filhotes dos besouros do esterco, se alimentam de detritos de matéria-prima de excrementos sólidos. Isso porque eles não possuem aparelhos bucais especializados para sugar o líquido dessa matéria-prima.

Algumas espécies de besouros do esterco, podem usar estrume para construir suas casas, onde depositam seus ovos. Além disso, esse comportamento também foi observado em outros insetos, como moscas e outras larvas de dípteros.

 

Um besouro do esterco carregando fezes.

4. Cães

A coprofagia pode ser admitida como algo normal quando realizada por seres selvagens. No entanto, quando praticada por animais domésticos, como os cães, as pessoas podem ficar chocadas. A coprofagia é um comportamento natural, mesmo que não seja muito comum em cães. Embora pareça surpreendente, acredita-se que esse comportamento pode ser um hábito aprendido com as mães.

Quando as mães limpam seus filhotes, elas estimulam a região perineal, o que faz o filhote urinar ou defecar. A mãe limpa o filhote, comportamento que ele aprende e pode repetir ao longo da vida.

Se os tutores se sentirem desconfortáveis com esse comportamento, eles podem tomar medidas para redirecioná-lo. Para isso, recomenda-se mudar a dieta do animal, coletar suas fezes imediatamente ou realizar rotinas de exercícios para o cão.

 

Um cachorro e um monte de cocô.

Outros Mamíferos

Algumas espécies de mamíferos realizam a coprofagia esporadicamente para obter bactérias que não possuem. Filhotes de elefante ou de coala ingerem os excrementos da mãe para incorporar o microbioma normal em seu trato digestivo. Dessa forma, os jovens podem digerir os alimentos ingeridos.

Outro exemplo são os porcos, que gostam de comer fezes. Parece que essa prática é benéfica para o solo e para a água, ou seja, para o meio ambiente. Quando os porcos ingerem fezes, eles podem estar inconscientemente colocando em prática uma tática para economizar alimentos e também produzir menos lixo orgânico.

No entanto, ao mesmo tempo, aumenta os riscos de contágio de doenças e vírus entre si, pois as fezes são um veículo de transmissão de parasitas.

 

O coala é uma espécie em extinção.

A coprofagia é uma técnica comum no mundo animal, embora os exemplos mais conhecidos sejam o coelho ou os roedores. Além disso, essa estratégia evolutiva tem uma importância ecológica notável, graças à ação dos coprófagos que fertilizam o solo e aceleram a decomposição das fezes.

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