O que são as salpas e o que sabemos sobre elas?

As salpas são animais tunicados que vivem em quase todos os mares do mundo. Sua cor transparente e seu movimento na propulsão são suas características principais.
O que são as salpas e o que sabemos sobre elas?

Última atualização: 20 Abril, 2021

As salpas são tunicados pelágicos pertencentes à família Salpidae, o grupo taxonômico mais diverso dentro da classe Thaliacea. Esses animais em forma de barril se movem pelos mares por meio de movimentos contráteis, com os quais conseguem gerar um mecanismo de propulsão a jato extremamente eficaz.

As salpas estão amplamente distribuídas por quase todos os oceanos e apresentam um notável crescimento populacional quando a concentração de fitoplâncton aumenta, visto que são seu alimento. Se você quiser saber tudo sobre esses animais tão primitivos quanto curiosos, continue lendo.

O que são as salpas?

Como já dissemos, as salpas pertencem ao subfilo dos tunicados (Tunicata), que por sua vez está incluído no filo dos cordados (Chordata). Esses animais estão filogeneticamente relacionados aos vertebrados, pois, assim como eles, apresentam em algum momento de seu desenvolvimento o cordão nervoso dorsal e a notocorda.

Os tunicados são os únicos cordados que perderam a segmentação miomérica, ou seja, as típicas “estrias" presentes na musculatura dos vertebrados. Dentro desse grupo, encontramos 3 classes diferentes: Appendicularia, Thaliacea e Stolidobranchia. As salpas são taliáceas, cuja classificação agrupa cerca de 77 espécies diferentes.

Percorrendo a filogenia das salpas, perceberemos que elas estão muito mais relacionadas ao ser humano do que, por exemplo, um inseto ou uma água-viva. As larvas da família Salpidae possuem uma notocorda e, embora esta desapareça posteriormente, é suficiente para englobar todos esses seres vivos no mesmo filo dos vertebrados.

A notocorda é uma estrutura embrionária que induz a formação da placa neural, da qual deriva o sistema nervoso.

Um grupo de salps em um fundo preto.

Características e modo de vida

As salpas são comuns nos mares equatoriais, mas também se distribuem em águas mais quentes e mais frias. Indivíduos isolados podem ser observados à deriva, mas esses animais geralmente aparecem em grandes colônias, como se fossem uma corrente semitransparente.

Esses tunicados têm uma forma de barril e se movem graças à contração de seu sistema muscular primitivo. Por meio de seus filtros internos de alimentos, a salpa força a passagem da água, o que provoca um efeito de propulsão a jato muito eficaz. A água entra pela abertura da boca, corre pelo corpo (túnica) e sai pela abertura atrial.

A morfologia exata varia entre as espécies, pois lembramos que o termo “salpa"  engloba mais de 50 espécies. Algumas se parecem com barris, outras apresentam formas alongadas semitransparentes e, por incrível que pareça, alguns espécimes lembram a forma de um candelabro complexo.

A alimentação das salpas

As salpas se alimentam de fitoplâncton, ou seja, o conjunto de microrganismos fotossintéticos que habitam o mar. Quando ocorrem explosões dessas algas microscópicas, as salpas podem se multiplicar exponencialmente, o que lhes permite criar populações gigantes em pouco tempo.

Por isso, são consideradas de fundamental importância para as cadeias tróficas dos ecossistemas. As salpas transformam o fitoplâncton em fezes e matéria orgânica, causando mudanças mensuráveis nos ciclos do carbono marinho. Além disso, muitas espécies de vertebrados superiores se alimentam de salpas, se tiverem oportunidade.

Estudos no portal ResearchGate postulam que se trata de uma faca de dois gumes, já que parece que a salpa pode acumular toxinas do fitoplâncton em seu interior. Se consumirem agentes nocivos, as tartarugas e outros animais que os comem podem morrer após caçá-las.

Um ciclo reprodutivo vertiginoso

Quando uma salpa solitária (zoóide) cresce o suficiente, ela começa a se multiplicar assexuadamente em grandezas centenárias. Uma cadeia de células sai do corpo da salpa e dá origem a centenas de larvas, que são geneticamente idênticas para o organismo parental.

Outras das gerações de salpas usam uma estratégia diferente, já que vários espécimes se associam em formações em cadeia, uma estrutura biológica conhecida como blastozoide. Cada um dos integrantes cresce e se alimenta individualmente, mas todos se reproduzem sexualmente. É importante notar que, além disso, são hermafroditas sequenciais.

No blastozoide, as fêmeas amadurecem primeiro. Quando um espécime se separa da formação, ele se torna um zoóide e começa o ciclo assexuado novamente.

Um blastozoide de salpa.
Um blastozoide de salpas.

Como você deve ter notado, esses animais estão muito mais próximos dos vertebrados do que sua morfologia pode indicar à primeira vista. Apresentam notocorda na fase larval, movimentam-se com excelência pelo ambiente e, além disso, possuem um ciclo reprodutivo extremamente complexo.

Além de todas essas qualidades, as salpas são essenciais para o restabelecimento do ciclo da matéria orgânica em qualquer ecossistema em que ocorrem. Esses organismos básicos transformam o fitoplâncton em matéria orgânica ao consumi-lo e crescer, aumentando assim a quantidade de carbono produzida naturalmente.

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  • Metcalf, M. M., & Bell, M. M. (1918). The Salpidae: a taxonomic study. US Government Printing Office.
  • Yount, J. L. (1958). Distribution and ecologic aspects of central Pacific Salpidae (Tunicata).