O que é rinopneumonia equina?

A rinopneumonia equina é uma doença muito contagiosa com alta taxa de mortalidade. Os múltiplos sintomas que provoca dificultam seu diagnóstico, que pode ser confundido com alguma outra patologia.
O que é rinopneumonia equina?

Última atualização: 24 Julho, 2021

Embora todas as doenças às quais os animais estão expostos devam ser levadas a sério pelos seus tutores, há algumas que, devido às suas características, tendem a ser mais agressivas que outras. A vasta sintomatologia da rinopneumonia equina torna, sem dúvida, essa doença infecciosa uma das mais graves do mundo dos equinos.

Os cavalos podem ser muito suscetíveis a doenças agudas, que por sua vez levam a complicações secundárias, podendo ser fatais. É muito importante saber agir na hora certa para evitar contágios, mortes e déficit no bem-estar animal. Convidamos você a continuar lendo para conhecer mais sobre essa interessante doença.

A rinopneumonia equina é um vírus?

A rinopneumonia equina é uma doença de origem viral presente em todo o mundo. É caracterizada por seu alto índice de infecção principalmente em cavalos, embora também possa afetar burros e mulas, o gênero Equus.

O agente causador da rinopneumonia equina é um herpesvírus equino da família Herpesviridae e do gênero Varicelovirus. Seu período de incubação é muito curto e o animal apresenta febre nas primeiras 24-48 horas após o contágio. Nos próximos 5 a 7 dias, os outros sinais clínicos começam a aparecer.

É um vírus muito resistente, capaz de sobreviver até um mês no meio ambiente, em condições ideais. A importância do bom manejo dos animais e das instalações na presença desse herpesvírus é fundamental para reduzir as elevadas perdas econômicas que caracterizam a doença.

Um cavalo espirrando.

Diferenças entre EVH-1 e EVH-4

Existem 2 subtipos de herpesvírus equino, ambos causadores da rinopneumonia equina. Cada um deles desencadeia uma série de reações e sintomas que os distinguem entre si. Vamos explorá-los brevemente a seguir.

HVE-1

Causa uma doença respiratória grave que afeta principalmente cavalos jovens. Também causa abortos a partir do sétimo mês de gestação e alta mortalidade neonatal. Doenças como mieloencefalopatia, acompanhada de sinais nervosos em resposta a danos no sistema nervoso central ou periférico, são comuns nessas condições.

Fraqueza, atonia da bexiga urinária, ataxia e movimentos anormais são alguns dos sinais que você pode ver se manifestando em cavalos infectados por esse tipo de herpesvírus. Diante de qualquer sintoma, separe o animal dos demais até que a causa seja descoberta e assim evitar contágios.

HVE-4

É considerada uma variante viral ligeiramente menos agressiva do que o HVE-1. O tipo de rinopneumonia equina que causa está associado a uma doença respiratória leve e, em alguns casos, à ocorrência de abortos espontâneos. Esse tipo de vírus consegue acessar o corpo por meio do trato respiratório, replicando-se na cavidade nasal, faringe, traqueia, mucosa e tecido linfoide local.

Sintomas de rinopneumonia equina

Como mencionamos anteriormente, a rinopneumonia equina não apresenta uma sintomatologia exclusiva, por isso pode ser difícil chegar ao seu diagnóstico definitivo. No entanto, o quadro clínico observado na maioria dos pacientes afetados por essa patologia é o seguinte:

  • Tosse.
  • Letargia
  • Congestão das mucosas.
  • Febre.
  • Inflamação dos gânglios linfáticos, traqueia e brônquios.
  • Secreção nasal aquosa.
  • Anorexia.

Potros com pneumonia

Em adultos, além de uma secreção de muco seroso, geralmente não há complicações adicionais. No entanto, os potros são os mais afetados pela rinopneumonia equina.

Seu quadro agudo inicia-se com febre, secreção abundante pelas narinas, primeiro serosa e depois mucopurulenta, conjuntivite e lacrimação. Gânglios linfáticos inchados e tosse excessiva também são sinais clínicos comuns.

Além disso, os capilares do trato respiratório são frequentemente afetados por infecções virais. Às vezes, as lesões na árvore respiratória são tão severas que podem levar a uma grave insuficiência respiratória. Nesses casos, é considerado um prognóstico reservado e o desfecho costuma ser fatal.

Por outro lado, os animais que conseguem nascer mesmo quando a mãe apresenta rinopneumonia equina durante a gestação tendem a ser fracos, doentes, incapazes de mamar e com acentuado desconforto respiratório. A mortalidade chega a 100% nesses casos, portanto a viabilidade desses potros é quase nula.

Um prognóstico favorável é determinado quando não tiver havido infecção bacteriana secundária. Nesse caso, será possível ver o potro se recuperar em 2 a 3 semanas.

Abortos a termo

O vírus é capaz de invadir células sanguíneas no âmbito respiratório. Ele viaja pela circulação até colonizar o útero materno, onde produz numerosos trombos. Da mesma forma, o feto de uma gestante infectada também será afetado, pois nele serão geradas áreas necróticas.

Quanto maior o número de trombos que ocorrem, maior a probabilidade de que a circulação sanguínea adequada não possa ser mantida e a placenta se desprenda, provocando abortos espontâneos. Entre o sétimo e o décimo primeiro mês de gestação, as éguas têm maior probabilidade de perder a prole.

Sintomas neurológicos

Na rinopneumonia equina, o vírus pode viajar para diferentes partes do corpo e, às vezes, atingir o sistema nervoso. Como consequência, vários sinais neurológicos podem se manifestar nos cavalos, como incontinência urinária, falta de coordenação dos movimentos, incapacidade de ficar em pé, língua paralisada e retenção fecal.

Como a doença é diagnosticada?

Por se tratar de uma doença cujos sinais podem ser muito semelhantes a outras patologias, o uso de ferramentas diagnósticas será fundamental para o estabelecimento de um diagnóstico definitivo. É necessário identificar o DNA ou antígeno do vírus. Serão coletadas amostras como swabs nasofaríngeos, lavagens traqueobrônquicas e produtos abortados do equino.

O exame mais útil para a identificação dos diferentes tipos de herpesvírus que causam a rinopneumonia equina é a reação em cadeia da polimerase (PCR). O isolamento viral por cultura do tecido animal infectado, juntamente com a técnica ELISA para detecção de anticorpos, também são amplamente utilizados por veterinários.

No PCR, a informação genética do vírus presente na amostra do equídeo doente é amplificada.

 

Uma mulher abraça um cavalo com gripe equina.

O isolamento dos animais infectados, a redução dos níveis de estresse e a vacinação preventiva são as melhores medidas para prevenir e controlar o surgimento e a disseminação do vírus. Lembre-se de que a rinopneumonia equina é altamente contagiosa, portanto está em suas mãos evitar complicações nos animais sob sua responsabilidade. Tome medidas responsáveis e notifique as autoridades.

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