Os sapos podem respirar debaixo d'água?

Se você se pergunta se os sapos podem respirar debaixo d'água, a resposta pode surpreendê-lo, pois é mais complexa do que parece. Descubra aqui.
Os sapos podem respirar debaixo d'água?

Última atualização: 22 Outubro, 2021

A vida dupla dos anfíbios requer que eles mostrem certas adaptações à água e à terra que são no mínimo surpreendentes. Portanto, visto que os sapos passam muito tempo submersos, é normal se perguntar se eles podem respirar debaixo d’água.

A resposta a essa questão possui algumas nuances, uma vez que não se trata de uma questão que possa ser resolvida com um “sim” ou um “não”. Se você quer saber mais sobre a respiração dos sapos, não perca este artigo, pois ele pode esclarecer mais de uma dúvida.

Como os sapos respiram?

O sistema respiratório dos sapos muda ao longo de suas vidas. Quando eclodem, os girinos levam vida aquática em sua totalidade e respiram pelas brânquias externas que possuem, realizando as trocas gasosas diretamente com a água circundante até desenvolverem as brânquias internas.

Com poucos dias de vida, as brânquias externas dos girinos são recobertas por uma dobra de tecido chamada opérculo, que deixa apenas uma ou duas pequenas aberturas para o exterior, conhecidas como espiráculos.

À medida que cresce, o processo de metamorfose muda todo o corpo do sapo e faz com que perca a cauda, aumente o tamanho de seus membros e eventualmente perca as guelras e desenvolva os pulmões. Nesse ponto, o anfíbio é capaz de chegar à terra sem se afogar.

Assim que atingem a fase adulta, os sapos têm 2 formas de respirar que lhes permitem permanecer tanto na terra como na água. Você vai descobri-las abaixo.

Um sapo comum em uma lagoa.

Respiração pulmonar

Os sapos, apesar de terem 2 pulmões, não têm diafragma e músculos respiratórios. Para respirar, eles devem fazer movimentos convulsivos com a garganta para gerar a entrada e a saída do ar. Para fazer isso, a maioria desses anfíbios usa uma bomba bucal que move o ar para dentro e para fora de seu corpo. Esse processo ocorre em 2 etapas:

  1. O sapo contrai o assoalho bucal e abre a cavidade oral, fazendo com que ar oxigenado do ambiente entre em seu corpo.
  2. Ao mesmo tempo, os pulmões comprimem e expelem o ar que já passou pelas trocas gasosas e transporta pouco oxigênio. Parte dele também sai pelas narinas.

Oxigenação através da pele

Além dos pulmões, os sapos têm outro sistema de troca gasosa: a respiração cutânea. A pele dos anfíbios é altamente permeável e vascular, permitindo que o oxigênio passe diretamente do ambiente para o sangue.

Os anuros carregam uma série de glândulas que secretam uma substância mucosa que os mantém úmidos, o que facilita as trocas gasosas. É por isso que os sapos têm a pele escorregadia e gelatinosa. Dependendo da espécie, às vezes até 100% da captação de oxigênio pode ser realizada pela epiderme.

Os sapos podem respirar debaixo d’água?

Agora que sabemos um pouco mais sobre o mecanismo respiratório dos anfíbios, podemos responder apropriadamente à pergunta do título: os sapos podem respirar debaixo d’água? A resposta é positiva: graças à respiração cutânea, os anfíbios são capazes de trocar gases com a água em que estão submersos.

Porém, é necessário fazer uma observação: a maioria dos sapos não pode ficar submersa o tempo todo. As trocas gasosas que realizam através da pele não são suficientes para oxigenar o corpo de forma adequada, por isso precisam sair para respirar de vez em quando. Caso contrário, eles se afogariam.

Algumas espécies de sapos que podem respirar debaixo d’água

Existem mais de 6600 espécies de anfíbios em todo o mundo. Cada uma delas é adaptada às condições de seu ambiente, o que dá origem a uma incrível variedade de especificações e peculiaridades entre os táxons. Para se ter uma ideia, abaixo você encontra alguns exemplos de anuros surpreendentes no que diz respeito à respiração. Não perca.

Telmatobius culeus, a rã gigante do lago Titicaca

Endêmica do lago que lhe dá o nome, essa rã tem a pele enrugada e dobrada, o que lhe permite aumentar a superfície de troca gasosa. Isso porque ela é exclusivamente aquática (não tem pulmão) e, além disso, o lago em que vive tem baixa concentração de oxigênio. Quanto mais dobras epidérmicas o animal tiver, mais O2 irá interceptar.

A rã gigante do lago Titicaca está criticamente ameaçada de extinção devido à caça de espécimes adultos.

Barbourula kalimantanensis, a rã de cabeça chata de Bornéu

Esse sapo também não tem pulmões e habita as selvas de Bornéu, na Indonésia. Requer águas limpas com alto teor de oxigênio, porque em águas turvas ou estagnadas esse anfíbio pode morrer asfixiado.

Sapo-peludo (Trichobatrachus robustus)

Embora a característica marcante dessa espécie não seja estritamente o os pelos, os machos dos sapos-peludos são famosos por desenvolver uma série de projeções dérmicas que lembram filamentos peludos durante a estação reprodutiva. A utilidade desses “pelos” nada mais é do que aumentar a superfície de troca gasosa dentro da água.

Embora o sapo-peludo tenha pulmões, essas projeções são altamente vascularizadas e também ajudam a extrair oxigênio do ambiente aquático.

O mundo da respiração nos anfíbios

Como você viu, os sapos podem respirar debaixo d’água, mas a maioria deles também depende do oxigênio do ar para sobreviver. As espécies raras que não têm pulmões têm adaptações específicas para otimizar o máximo de oxigênio possível na água.

Embora seja uma adaptação fascinante, a pele vascularizada e permeável dos sapos representa um perigo para eles diante da ação do homem nas águas em que vivem. A presença de contaminação afeta muito os anuros, pois sua pele absorve produtos químicos nocivos facilmente, e sua vida é comprometida por isso.

Pode interessar a você...
Diferenças entre sapos e rãs
Meus Animais
Leia em Meus Animais
Diferenças entre sapos e rãs

Se olharmos com atenção, poderemos distingui-las. Conheça as chaves para encontrar as diferenças entre sapos e rãs, já que isso nem sempre é fácil!



  • Andrade, P., Elías, R., Grandez, R., & Mamani, J. (2018). Descripción histológica de la piel de la rana gigante del Titicaca (Telmatobius culeus). Revista de Investigaciones Veterinarias del Perú29(1), 64-74.
  • Barbourula kalimantanensis. (2019). AmphibiaWeb. https://amphibiaweb.org/species/2039
  • Smyth, D. H. (1939). The central and reflex control of respiration in the frog. The Journal of physiology95(2), 305.
  • MacRobbie, E. A., & Ussing, H. H. (1961). Osmotic behaviour of the epithelial cells of frog skin. Acta Physiologica Scandinavica53(3‐4), 348-365.