Tigre-do-sul-da-china: um felino majestoso à beira do desaparecimento

O tigre-do-sul-da-china é uma das subespécies de tigre mais ameaçadas devido à sua erradicação quase completa da natureza.
Tigre-do-sul-da-china: um felino majestoso à beira do desaparecimento

Última atualização: 15 Dezembro, 2020

Muitos dos grandes felinos são categorizados como espécies ameaçadas, mas, para algumas espécies, a situação é ainda mais preocupante. O tigre-do-sul-da-china é uma das subespécies de tigre mais ameaçadas de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), já que atualmente está em perigo crítico de extinção.

Apesar de relatos anedóticos de camponeses, os cientistas acreditam que esse felino esteja possivelmente extinto na natureza, e os indivíduos que sobreviveram estão em cativeiro, com uma população total bastante pequena.

O habitat original do tigre-do-sul-da-china

O primeiro espécime de tigre-do-sul-da-china foi descrito em 1905 pelo zoólogo Max Hilzheimer em Hankou, uma província do sul da China. Sua aparência era muito semelhante à do tigre de Bengala, mas com um porte um pouco menor.

Seu habitat original eram as florestas com densa cobertura vegetal, onde suas presas eram abundantes: javalis, lebres, pavões, veados e porcos-espinhos. Assim que os assentamentos humanos começaram a invadir o seu território, o tigre-do-sul-da-china começou a se alimentar do gado, causando o seu declínio.

Sua distribuição era bastante ampla, visto que esses tigres ocupavam mais de 2000 quilômetros de extensão distribuídos de leste a oeste e de norte a sul de todo o sul da China, mas a destruição do seu habitat e a caça desses animais reduziram a sua população em grandes proporções.

Tigre do sul da China: um felino majestoso à beira do desaparecimento

As causas do seu desaparecimento

Durante um longo período, esses felinos foram considerados uma praga e o governo da província de Fujian ordenou que fossem erradicados. Isso fez com que dos 4000 exemplares estimados em 1959, restassem cerca de 200 em 1977, ano em que a ordem de caça foi revogada.

Atualmente, os seus representantes sobrevivem em zoológicos e, por isso, estima-se que apenas 1% da população original tenha permanecido. A endogamia – reprodução entre parentes – é alta e há cruzamentos com outras subespécies. Isso significa que a variedade genética é bastante pobre, o que dificulta bastante a sua recuperação completa como subespécie.

Há mais de vinte anos não há avistamentos confirmados do tigre em áreas selvagens, por isso o seu estado na natureza é possivelmente extinto.

Em 1981, o tigre-do-sul-da-china foi classificado como uma subespécie em perigo de extinção pela convenção CITES e, sete anos depois, ele foi incluído na lista de animais protegidos do governo chinês. No zoológico de Cantão, as células desse felino começaram a ser preservadas para evitar o seu desaparecimento definitivo, que é estimado a curto ou médio prazo.

Organizações como a “Save China’s Tigers” e a “Chinese Tigers South Africa” se uniram para enviar dez espécimes em cativeiro para um recinto especial na África do Sul, onde o objetivo é prepará-los para a reintrodução no habitat original. Nesse recinto, os animais são treinados para sobreviver em um ambiente selvagem.

Sua redescoberta em liberdade colocaria o tigre-do-sul-da-china na lista dos dez animais com o maior risco de desaparecer do planeta, pois ele ocuparia o primeiro lugar entre os felinos mais ameaçados do mundo, à frente até mesmo do lince-ibérico.

Como é o tigre-do-sul-da-china?

Essa é uma das subespécies que conserva os traços mais primitivos dentro da família dos tigres, pois as suas características corporais lembram o ancestral comum desses felinos, que viveu no final do Pleistoceno no sul da Sibéria.

É um tigre de pequeno porte, medindo cerca de 2,4 metros da cabeça à cauda. Os machos podem pesar cerca de 170 kg e as fêmeas por volta de 120 kg. Sua pelagem é laranja brilhante, com menos áreas brancas do que outras subespécies de tigre. Também apresenta menos listras pretas, que ficam mais espaçadas entre si do que em outros tigres.

O tigre, o felino mais ameaçado de todos

Os grandes felinos ocupam o lugar mais alto na cadeia alimentar porque são os seres vivos mais poderosos do planeta. No entanto, por esse motivo, eles também são os mais vulneráveis.

O desaparecimento do seu habitat e a caça furtiva são as suas grandes ameaças. Muitas espécies, como o tigre-do-sul-da-china, estão reduzidas aos zoológicos, onde são feitas tentativas de recuperar o seu número populacional por meio da reprodução em cativeiro e da reintrodução.

O tigre é o mais ameaçado dos grandes felinos, já que a sua população diminuiu em 95% no último século. Ocupa apenas 7% do seu território histórico e o seu número total está em declínio contínuo. No início do século XX, estimava-se uma população de 100 000 indivíduos e, atualmente, esse número não chega a 4000.

Tigre do sul da China: um felino majestoso à beira do desaparecimento

Assim, como podemos ver, os dados são realmente alarmantes para a espécie. Se as ameaças não forem detidas a tempo e não forem feitos investimentos para a sua conservaçãomuitas subespécies de tigres acabarão extintas em pouco tempo.

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  • Nyhus, P. 2008. Panthera tigris ssp. amoyensisThe IUCN Red List of Threatened Species 2008: e.T15965A5334628.
  • Especies en peligro. Tigre de Amoy.
  • Tigers World. Tigre del Sur de China.
  • WWF. Dónde y cómo viven los tigres.