Vitamina D: por que influencia a saúde dos animais de estimação?

Ao contrário das pessoas, cães e gatos não sintetizam uma grande quantidade de vitamina D e, por isso, dependem da alimentação. Além do fornecimento da suplementação adequada, diversos outros fatores afetam a sua biodisponibilidade.

Última atualização: 21 Janeiro, 2021

Todos os dias, ouvimos falar sobre o papel da vitamina D na regulação da absorção do cálcio e do fósforo. Por esse motivo, essa vitamina é tão importante para a saúde dos ossos. Mas, apesar da sua participação na saúde óssea, é importante saber que o excesso de vitamina D pode ter efeitos adversos, sejam eles derivados do excesso de cálcio ou de um efeito direto sobre os tecidos.

Embora o cálcio contribua para o desenvolvimento dos ossos, ele também é essencial para outros processos, tais como a contração muscular e a transmissão de sinais neurais. Porém, quando há um excesso de cálcio, o coração, as artérias, o trato gastrointestinal e os rins ficam especialmente propensos a sofrer danos.

Gradualmente, diversos estudos científicos revelaram que a vitamina D também desempenha um papel regulador em vários tecidos. Por essas razões, é muito importante entender o que essa vitamina faz, como ela é metabolizada e quais são as doses seguras para o seu animal de estimação. Vamos te contar tudo aqui.

O que é a vitamina D?

Em primeiro lugar, a natureza química da vitamina D é lipídica e ela é produzida pelos animais a partir do colesterol. Assim, trata-se de uma molécula solúvel em gordura que é digerida e absorvida pelo organismo da mesma forma que os lipídios da dieta. Também é eliminada, sendo excretada nas fezes, através da bile.

Quando o nível dessa vitamina está acima das necessidades do corpo, ela se acumula. Então, pode ser armazenada principalmente no fígado, embora também seja encontrada no tecido adiposo. O acúmulo ocorre preferencialmente em peixes, em comparação com espécies terrestres, que armazenam pouca vitamina D no organismo.

O corpo pode produzir a própria vitamina D

Em geral, muitos animais herbívoros e onívoros possuem um precursor, o 7-desidrocolesterol, nas células da pele. Quando a pele é exposta ao sol, os raios UVB catalisam a síntese da vitamina D3 a partir desse precursor.

Por si só, a vitamina D3 é biologicamente inativa e deve ser transformada em uma forma hormonal ativa por meio de um processo de duas etapas:

  • Primeiramente, ela é transportada para o fígado. Lá, ocorre uma transformação inicial, resultando na molécula 25-VitD3. Esse metabólito, embora não seja ativo, é muito estável e é a forma como a vitamina se desloca pelo corpo. Essa é a variante ingerida ao consumir óleo de fígado de bacalhau ou carnes gordurosas.
  • Posteriormente, essa forma inativa é transportada para os rins, onde é transformada na forma ativa 1,25-di(hidroxi)vitamina D3, chamada calciferol. Esse composto circula no sangue como um hormônio e media os efeitos biológicos ligando-se ao receptor da vitamina D, que é encontrado principalmente nos núcleos das células-alvo.

Os animais que podem realizar essa síntese incluem humanos, ratos, porcos, cavalos, aves, ovelhas e vacas. Porém, a pele de cães e gatos – e provavelmente de outros carnívoros – produz pouca vitamina D na pele e, por isso, esses animais dependem da sua ingestão através da alimentação.

As plantas também podem produzir uma variação dessa vitamina, a partir do ergosterol, chamada vitamina D2.

O que acontece se houver uma deficiência de vitamina D em animais de estimação?

Recentemente, muita atenção tem sido dada à questão da deficiência de vitamina D em cães. O efeito mais conhecido é ósseo, já que a sua deficiência está associada ao raquitismo, que se manifesta com deformações físicas muito claras.

Um estudo recente que avaliou 350 cães domésticos descobriu que dois terços tinham níveis insuficientes de vitamina D no organismo. Além disso, é impressionante perceber que a variabilidade vitamínica encontrada entre animais que tinham dietas semelhantes era muito grande.

Cada vez mais pesquisas sugerem a associação entre a deficiência de vitamina D e uma série de doenças, incluindo o câncer.

O que acontece se a suplementação induzir ao excesso desta vitamina?

De acordo com diversos relatórios científicos, a vitamina D tem um efeito regulador direto em mais de 36 tipos de células diferentes. De fato, foi descoberto que a expressão de mais de 50 genes é induzida pela vitamina D. De modo geral, dentre os processos mais afetados pelo excesso de vitamina D, destacam-se o controle neuromuscular e a função imunológica.

Em cães, a suplementação excessiva de vitamina D pode causar insuficiência renal em questão de dias. Infelizmente, ainda não são conhecidas as dosagens ideais de suplemento para manter a saúde celular para cada raça e em cada estágio do crescimento canino.

Mesmo assim, as recomendações atuais sobre a ingestão dessa vitamina constam do guia nutricional da Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Estimação.

Ao longo dos anos, muitos alimentos industrializados para animais de estimação continham vitamina D em excesso, causando doenças e até mesmo a morte dos animais que os consumiam. Na Espanha, por exemplo, em 2019, a empresa de ração para cães Hill’s retirou lotes de produtos do mercado por excesso de vitamina D.

A suplementação é uma panaceia?

Sem dúvida, responder a essa pergunta representa um grande desafio. Em 2011, um estudo avaliou a relação entre os níveis sanguíneos de 25-VitD em cães e o desenvolvimento de tumores dos mastócitos. Os autores descobriram que cães pastores com tumores tinham menos 25-VitD do que o grupo de cães pastores sem tumores.

O que é realmente intrigante é que, ao comparar as dietas de ambos os grupos de cães, foi descoberto que todos os cães recebiam quantidades semelhantes de 25-VitD. Portanto, esse resultado sugere que os níveis de 25-VitD no sangue não são determinados apenas pela dieta.

Muitas questões ainda precisam ser respondidas a esse respeito: o câncer pode reduzir a capacidade do cachorro de produzir 25-VitD? Será que alguns cães estão expostos a fatores de risco que os impedem de formar esse composto? Só o tempo e a experimentação vão nos dar respostas claras.

A vida moderna dos cães

Anteriormente, os cães obtinham a quantidade ideal de vitamina D a partir das reservas de gordura das suas presas mortas. Porém, é fato que os animais de estimação também acompanham a espécie humana em sua vertiginosa mudança de estilo de vida.

Por essa razão, a dieta dos cães mudou, já que atualmente ela se baseia quase que exclusivamente em rações industrializadas. Para eles, a suplementação fornecida na comida passou a ser a sua principal fonte de vitamina D.

Quais fatores podem diminuir a biodisponibilidade da vitamina D?

A seguir, vamos mostrar alguns fatores que podem limitar a disponibilidade da vitamina D no seu animal:

  • Elementos da dieta: gorduras poli-insaturadas, flúor e o baixo teor de magnésio na ração podem diminuir a biodisponibilidade da vitamina D.
  • Exposição ao DDT e a outros pesticidas: também aos bifenilos policlorados (PCBs), compostos que são poluentes ambientais de origem industrial. Eles aumentam o risco de deficiência de 25-VitD em 3%. Além disso, a exposição ao glifosato, um composto encontrado nos alimentos e no meio ambiente, também diminui a vitamina D.
  • Outros compostos químicos, como os retardadores de chama: por exemplo, os éteres difenílicos polibromados (PBDEs), quando medidos no sangue, apresentam níveis 10 vezes mais altos em cães do que em humanos. Esses compostos vêm de alimentos industrializados e são conhecidos por inativar a vitamina D.
  • Outros fatores, tais como esterilização/castração: sabe-se que as fêmeas esterilizadas têm 10% menos 25 VitD no sangue do que as fêmeas intactas. Além disso, os machos castrados têm 30% menos do que os machos intactos.
  • Diferentes condições médicas: qualquer precedente de doença renal pode impedir a conversão de 25VitD na forma utilizável da vitamina D, o calciferol. Além disso, alguns tratamentos médicos que são metabolizados no fígado também podem bloquear o processamento da vitamina D.

Assim, como você pode ver, a maioria dos cães que vivem em um ambiente doméstico será afetada por pelo menos dois ou três desses fatores, no mínimo. Por esse motivo, é fundamental levar em consideração a importância da vitamina D na dieta dos animais de estimação e aplicá-la no seu cardápio diário de forma eficaz.

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