6 guardas assassinados por proteger os gorilas

· maio 24, 2018
Trata-se de outro episódio de violência, mas totalmente premeditado, contra defensores dos animais. Nas últimas décadas, já faleceram mais de 170 vigilantes e ativistas do Parque Nacional de Virunga.

Ainda existem pessoas que morrem por proteger os gorilas e outros animais selvagens do planeta. Infelizmente, isso aconteceu de novo, neste caso no lendário Parque Nacional de Virunga, na região protegida mais antiga da África. Trata-se de cinco guardas da floresta e um motorista, que em uma emboscada foram assassinados por proteger os gorilas da montanha, os lendários primatas que vivem nas florestas impenetráveis do Congo, Uganda e Ruanda.

Esses primatas já foram protagonistas de filmes e muitos estudos, e consistem numa das populações selvagens mais interessantes e afastadas do mundo.

Os guardas de Virunga foram estabelecidos quando esse lugar foi declarado um parque, mas só depois da chegada de Dian Fossey as patrulhas contra a caça furtiva começaram a ser realmente eficazes, tornando a segurança uma atividade de risco para seus protagonistas.

Virunga: perigoso para os defensores dos animais

O certo é que não é a primeira vez que isso acontece neste mítico parque nacional. Nos últimos 20 anos, morreram mais de 170 guardas da floresta e outros ativistas e empregados.

Provavelmente, o caso mais conhecido é o da primatóloga Dian Fossey, que foi encontrada morta em sua barraca com um ferimento causado por um facão.

Em agosto de 2017, cinco guardas foram assassinados pela milícia, mas neste caso, estamos falando de uma emboscada premeditada e dirigida exclusivamente a trabalhadores deste parque natural, dedicados a proteger os gorilas e outras espécie de animais do parque.

Esses guardas são plenamente conscientes de que seu trabalho pode acabar com sua vida, mas apesar disso, eles se comprometem com a causa e querem proteger os gorilas e o paraíso natural que os abriga. O parque repercute enormemente na riqueza e no futuro da região, por isso os guardas são considerados verdadeiros heróis pela população local.

Guardas no parque nacional de virunga

Essa grande conscientização seria impossível sem o trabalho de Dian Fossey. Muitos dos guardas que atualmente trabalham são filhos de caçadores, que caçavam gorilas e outros animais, como os chimpanzés, para vendê-los no mercado negro. Agora, com alternativas éticas, os filhos dos caçadores ou fazendeiros não hesitam em lutar para defender seu tesouro nacional.

O perigo de Virunga: caça, guerras e coltan

Ainda que a caça furtiva seja uma das principais causas dos problemas do parque, é preciso lembrar que os vulcões inativos de Virunga servem de pano de fundo de uma das guerras mais sangrentas que a humanidade já viu.

As guerras do Congo já causaram milhões de mortes, sendo o conflito bélico que mais morte causou após a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, essas mortes estão muito relacionadas com o controle das minas de coltan, um mineral utilizado para fabricar nossos celulares e computadores.

A caça furtiva está cada vez mais controlada nessa região natural, e no caso dos gorilas e de outros primatas, está reduzida a quase zero. Infelizmente, segue sendo uma forma de obter alimento por parte dos guerrilheiros, através do chamado bushmeat.

O porta-voz do parque de Virunga, Joel Malembe, informou que o incidente aconteceu entre Ishasha e Lulimba, perto da fronteira com a Uganda. Suspeita-se que os grupos de autodefesa “Mai Mai” foram os autores do ataque.

caça furtiva de gorilas

Essas mortes são a ponta do iceberg do conflito bélico já mencionado, que afasta muitas formas de financiamento para o parque natural. Além disso, a exploração petroleira é outro dos perigos que essas florestas sofrem, a ponto de empresas ocidentais terem feito pressão para apropriar-se de pedaços do parque para explorá-los economicamente.

Infelizmente, são necessários esses protetores para cuidar da natureza africana. É por isso que é essencial honrar seu trabalho e agradecer aos que deram sua vida pela dos animais, que não poderiam se defender sozinhos. Também é necessário condenar os terríveis atos bélicos no Congo que causaram a morte desses jovens guardas.