Alimentação do texugo

Os texugos costumam ser muito seletivos na alimentação, pois são organismos que buscam otimizar sua busca por nutrientes. Consequentemente, a espécie costuma ter certas preferências em sua dieta.
Alimentação do texugo

Última atualização: 08 Novembro, 2021

O texugo-europeu (também conhecido como texugo-euroasiático) é um mamífero que se distribui por grande parte da Eurásia, onde ocupa uma notável variedade de habitats. Essa situação faz com que ele se adapte à disponibilidade de recursos, o que acarreta variações na alimentação do texugo por região. Ao contrário da crença popular, esses animais não baseiam sua dieta apenas no consumo de minhocas.

O nome científico desse organismo é Meles meles e está integrado no grupo dos mustelídeos. Apesar de a maioria dos membros de seu táxon serem geralmente carnívoros, o texugo foge desse esquema por ter uma dieta diferente. Continue lendo para descobrir o que esse peculiar animal come.

Como são os texugos?

Esses mamíferos têm um corpo alongado e robusto, medindo geralmente entre 65 e 80 centímetros de comprimento. Além disso, sua característica mais identificável é o focinho proeminente com nariz preto, que confere ao espécime uma aparência cilíndrica. Como se não bastasse, tanto a cauda quanto as patas desse animal são reduzidas e sua aparência coincide com a de outros mustelídeos (como o furão).

O pelo dessa espécie é cinza na maior parte do corpo, enquanto o rosto apresenta um padrão de listras pretas e brancas bem definidas. Na verdade, como os guaxinins, ele tem uma espécie de máscara nos olhos, só que, em vez de apresentar linhas horizontais, os deles são verticais.

Esse animal está adaptado a uma vida subterrânea, por isso tem enormes garras que lhe permitem cavar com facilidade. Por isso mesmo, sua visão é bastante limitada, mas tanto o olfato quanto a audição compensam (pois são muito sensíveis). Os texugos são noturnos e aproveitam a noite para caçar, pois graças aos seus sentidos podem detectar facilmente qualquer fonte de alimento.

Um texugo.

Alimentação do texugo

O texugo é um organismo onívoro que possui extrema facilidade para escolher sua dieta alimentar. Isso significa que ele se alimenta de uma grande variedade de recursos, como insetos, frutas, roedores, pássaros, peixes e fungos, nenhum dos quais é essencial. Os texugos selecionam as presas mais abundantes com as quais podem atender às suas necessidades dietéticas em cada área.

Isso faz com que cada espécime se adapte aos recursos de seu habitat: enquanto alguns texugos comem apenas vermes, outros até se alimentam de coelhos. De fato, de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Lisboa, a alimentação desse organismo muda em cada estação do ano, o que significa que é mais um oportunista do que um predador normal.

Essa capacidade adaptativa permite que o texugo ocupe desde áreas úmidas, como florestas ou pastagens, até regiões secas, como desertos. Simplificando, a única coisa que esse animal precisa para sobreviver é comida suficiente e um lugar tranquilo para construir sua toca.

As minhocas são mais suculentas

Por muito tempo pensou-se que os texugos se especializavam em comer minhocas, já que era comum encontrá-los se alimentando desses invertebrados. No entanto, graças à análise detalhada de várias populações, foi determinado que a espécie é generalista e consome uma grande variedade de alimentos. No entanto, isso não significa que não tenha preferência por um tipo específico de alimento.

Conforme o comportamento dessa espécie foi sendo melhor detalhado, foi possível entender o motivo pelo qual vários espécimes se alimentavam de vermes. Em poucas palavras, a grande quantidade de nutrientes que esses invertebrados contêm permite que os texugos se desenvolvam melhor e levem uma vida saudável. Isso significa que a minhoca é o prato mais delicioso e nutritivo para os texugos.

Especialista em selecionar seu habitat

Como são oportunistas, os texugos procuram escolher suas casas em locais ricos em recursos. Por isso, lugares como as florestas tropicais estão no topo de sua lista, enquanto os desertos estão entre as últimas opções. Além disso, antes de se reproduzirem, os progenitores devem escolher um habitat com grande quantidade de alimento adequado para sustentar seus filhotes.

Graças à seleção feita pelos pais, os filhotes podem crescer com tranquilidade e sem problemas. Além disso, e de acordo com a abundância de recursos, os descendentes de texugos herdarão o território para que não tenham que procurar outro lar. Na pior das hipóteses, se a comida ficar escassa, o grupo pode se dividir e buscar novos habitats.

Como você pode ver, a dieta do texugo é um fator-chave para explicar sua capacidade adaptativa. Muitas das características e comportamentos de cada espécie estão associados à eficácia de sobrevivência de cada organismo. Isso significa que, apesar de parecer sem importância, todas as características e aspectos do animal são essenciais para sua sobrevivência na natureza.

Pode interessar a você...
Texugo: características, habitat e comportamento
Meus Animais
Leia em Meus Animais
Texugo: características, habitat e comportamento

O texugo é um mamífero carnívoro de tamanho médio, caracterizado por seu focinho alongado e rosto preto e branco. Conheça-o aqui!



  • Kranz, A., Abramov, A.V., Herrero, J. & Maran, T. 2016. Meles meles. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T29673A45203002. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-1.RLTS.T29673A45203002.en.
  • Matyáštík, T., & Bičík, V. (1999). Distribution and habitat selection of badger (Meles meles) in northern Moravia. Acta Universitatis Palackianae Olomucensis Facultas Rerum Naturalium Biologica, 37, 77-88.
  • Rosalino, L. M., Loureiro, F., Macdonald, D. W., & Santon-Reis, M. (2005). Dietary shifts of the badger (Meles meles) in Mediterranean woodlands: an opportunistic forager with seasonal specialisms. Mammalian Biology, 70(1), 12-23.
  • Virgós, E. (2012). Tejón – Meles meles. En: Enciclopedia Virtual de los Vertebrados Españoles. Salvador, A., Cassinello, J. (Eds.). Museo Nacional de Ciencias Naturales, Madrid. http://www.vertebradosibericos.org/
  • Barea-Azcón, J. M., Ballesteros, E., & Gil-Sánchez, J. M. (2001). Ecología trófica del tejón (Meles meles L., 1758) en una localidad de las Sierras Subéticas (SE España). Resultados Preliminares. Galemys, 13, 127-138.