Animais marinhos eliminam vírus presentes na água, segundo estudos

Em 2020, um estudo na revista Nature analisou o papel dos invertebrados filtrantes na retenção de vírus presentes na água. Os resultados são impressionantes.
Animais marinhos eliminam vírus presentes na água, segundo estudos

Última atualização: 07 Abril, 2021

Os vírus marinhos são agentes críticos nos ciclos bioquímicos dos oceanos, pois ocorrem na ordem de 108 partículas por mililitro de água. Surpreendentemente, estudos recentes descobriram que alguns animais marinhos eliminam vírus presentes na água, agindo, assim, como filtradores naturais de patógenos.

Isso pode parecer insignificante, mas é uma descoberta essencial quando se trata de compreender as dinâmicas dos oceanos. Se você quiser saber mais sobre esse complexo e interessante tópico, continue lendo.

Os animais filtradores de vírus

Em 23 de março de 2020, a revista Nature publicou a pesquisa que vamos abordar aqui: Marine virus predation by non-host organisms (Predação de vírus marinhos por organismos não hospedeiros). Nela é quantificada a capacidade de retenção viral por parte de alguns invertebrados aquáticos, como esponjas, anêmonas, tunicados, vermes poliquetas e outros.

A fim de obter valores concretos para algo tão abstrato, foi tomado como modelo o vírus de algas marinhas PgV-07T, que infecta um grupo de algas unicelulares microscópicas (Phaeocystis globosa). Como esse vírus pode ser facilmente distinguido por técnicas de citometria de fluxo, ele foi escolhido para o experimento.

Com base nessa premissa, foi calculado o percentual de efetividade dos supostos animais que eliminam os vírus presentes na água. Na lista a seguir, mostramos alguns dos resultados mais interessantes:

  • As esponjas marinhas reduziram a carga viral da água em 98% após 24 horas.
  • No mesmo intervalo de tempo, os caranguejos atingiram o valor de 90%.
  • Atrás deles encontramos os berbigões, com uma percentagem menor mas não menos impressionante de 43%.
  • Por último no top 4 estão ostras, com 12% de purificação viral.

Se nos concentrarmos em dados mais específicos, é fácil reconhecer que as esponjas marinhas são os filtradores mais eficazes. Os exemplares avaliados eliminaram 94% dos vírus da água circundante em apenas 3 horas, um trabalho tão rápido quanto eficaz.

Isso evidencia uma realidade que muitas vezes é ignorada. Muitos invertebrados marinhos são capazes de reduzir a carga viral dos ecossistemas aquáticos e, portanto, por menores ou evolutivamente simples que sejam, devem ser preservados a todo custo.

Um grupo de mexilhões debaixo d'água.

O mecanismo de filtragem dos animais marinhos que eliminam vírus

Animais como as esponjas (Porifera) são famosos no mundo da zoologia por sua capacidade de filtragem incomum. Elas têm um mecanismo que se baseia em ostíolos – poros pelos quais a água entra – e um ósculo, local por onde a água é expelida para o exterior.

As esponjas têm células especiais que revestem seus orifícios internos, conhecidas como coanócitos. Estes apresentam flagelos com os quais movimentam a água e, além disso, prendem o alimento que será digerido por outras células e manterá o animal vivo. É um sistema de filtragem primitivo, mas não menos importante por isso.

Com um ato tão simples como deixar a água entrar e depois expeli-la, as esponjas são uma verdadeira peneira de retenção viral em todos os níveis. Esses animais são capazes de filtrar até 1000 litros de água por dia dependendo de seu tamanho.

A importância da preservação da biodiversidade

Com base em todas essas premissas, é triste saber que 28% das espécies analisadas no mundo estão em perigo de extinção. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), 33% dos corais e 28% dos crustáceos estão ameaçados, fato que evidencia a situação precária do ecossistema marinho.

As resíduos tóxicos da sociedade humana, o esgotamento de espécies para consumo, o acúmulo de plásticos e os aumentos de temperatura típicos das mudanças climáticas são apenas alguns exemplos do que nossa espécie está fazendo hoje com o mar. Frear esses danos é vital, porque sem água não há vida.

Um exemplo de um tipo de recife de coral.

Em resumo, esse estudo nos mostra como animais evolutivamente simples, como esponjas ou moluscos bivalves, são essenciais para a manutenção dos ecossistemas. Se não preservarmos todas as espécies do meio ambiente, pode haver um colapso e danos irreversíveis à sociedade humana.

Pode interessar a você...
Corais e algas microscópicas
Meus AnimaisLeia em Meus Animais
Corais e algas microscópicas

Na natureza, existem numerosos exemplos de simbiose. A associação entre algas e corais é essencial para a formação dos incríveis recifes.



  • Welsh, J. E., Steenhuis, P., de Moraes, K. R., van der Meer, J., Thieltges, D. W., & Brussaard, C. P. (2020). Marine virus predation by non-host organisms. Scientific reports, 10(1), 1-9.
  • Welsh, J. E., Steenhuis, P., de Moraes, K. R., van der Meer, J., Thieltges, D. W., & Brussaard, C. P. (2020). Marine virus predation by non-host organisms. Scientific reports, 10(1), 1-9.