Os animais que vivem em ilhas têm cérebros maiores

outubro 24, 2019
Os animais que vivem em ilhas tiveram que se adaptar a circunstâncias mais imprevisíveis, e isso pode ter influenciado o tamanho do seu cérebro.

Os animais que vivem em ilhas tiveram que lidar com diversas pressões evolutivas diferentes daquelas de suas contrapartes continentais. É por isso que alguns pesquisadores descobriram que este fato poderia influenciar o tamanho do cérebro dos animais..

O que acontece com os animais que vivem em ilhas?

Um estudo cujo protagonista foi o pássaro tomtit (Petroica macrocephala) despertou o interesse da comunidade científica. Seu nome científico não é casual e refere-se ao tamanho de sua cabeça, maior do que a dos pássaros do continente.

Este passarinho tem apenas 13 centímetros de comprimento, é insetívoro e apresenta plumagens diferentes nas ilhas onde vive. Os machos costumam ser pretos e brancos, embora a subespécie das Ilhas Snares seja praticamente toda preta.

Um grupo de pesquisadores liderados pelo espanhol Ferran Sayol comparou o cérebro dos animais que vivem em ilhas com suas contrapartes continentais, com o objetivo de observar as diferenças entre as duas espécies.

O que acontece com os animais que vivem em ilhas?

Existem muitos animais que vivem em ilhas e que são muito inteligentes: um dos exemplos mais conhecidos são os corvos da Nova Caledônia. Embora, em geral, os corvídeos sejam pássaros extremamente inteligentes, o caso desses pássaros capazes de usar ferramentas é incrível.

Um grande estudo

A equipe de pesquisadores analisou mais de 11.000 espécimes de 1.931 espécies de aves continentais e que vivem em ilhas. O resultado é que, em geral, os pássaros das ilhas têm cérebros maiores.

Pesquisas sugerem que os ambientes das ilhas são mais imprevisíveis e, portanto, poderiam ter selecionado o tamanho do cérebro dos animais que vivem nelas. Outra opção é que os pássaros com maior inteligência tenham conseguido colonizar esses ecossistemas de maneira mais eficaz.

Os pássaros são a exceção?

Embora os cientistas não descartem que esse padrão possa ser repetido em outros animais, é verdade que existem estudos realizados com primatas que não obtiveram os mesmos resultados.

No entanto, isso pode ter acontecido pelo fato de os mesmos não terem contado com uma amostra tão global quanto a da pesquisa dos pássaros.

Passarinho em galho de árvore

O fato de que a capacidade de voo das aves lhes permita colonizar novos ecossistemas com muito mais eficiência também pode ser um fator relevante, pois levaria a uma maior especialização.

As ilhas são pequenos laboratórios para pesquisadores no campo evolutivo, e outros processos similares foram observados, como o fato de o tamanho dos animais tender a variar, em muitos casos reduzindo o tamanho dos animais que vivem em ilhas.

No entanto, o padrão do tamanho do cérebro é muito mais claro e parece que, em geral, todas as aves insulares têm cérebros maiores do que o esperado.

Os pesquisadores insistem em não ampliar os resultados e pensam neste estudo apenas como um sinal de que as ilhas são lugares com uma enorme incerteza.

Ferran Sayol, Philip A. Downing, Andrew N. Iwaniuk, Joan Maspons & Daniel Sol. Predictable evolution towards larger brains in birds colonizing oceanic islandsNature Communications. DOI: 10.1038/s41467-018-05280-8