O antílope saiga, uma espécie com uma existência desafiadora

abril 13, 2019
O antílope saiga é um animal em sério risco de extinção, mas a caça ilegal não é a única ameaça contra ele. Descubra como o aquecimento global está relacionado com a morte de mais de 90% da população de antílopes saiga nos últimos 20 anos.

O antílope saiga é um curioso animal que vem sofrendo perdas incalculáveis nos últimos anos. Cientistas do mundo inteiro estão trabalhando incansavelmente para evitar que essa espécie se torne completamente extinta.

Os antílopes saiga são animais migratórios que habitam a Ásia Central, em suas planícies e zonas semiáridas. Ao longo do ano, os saigas migram pelo Cazaquistão, Mongólia, sul da Rússia, Turcomenistão e Uzbequistão.

Em geral, esses animais se movimentam cerca de mil quilômetros por ano. As migrações dos antílopes saiga geralmente são de norte a sul e vice-versa. No entanto, vários cientistas vêm relatando movimentos erráticos e nômades de tempos em tempos.

Talvez a característica mais representativa desse tipo de antílope seja o seu nariz saliente. Este nariz é um vestígio do seu processo evolutivo. Seu órgão olfativo se desenvolveu para atuar como se fosse um filtro de ar.

O nariz do antílope saiga é grande e flexível, com uma complexa estrutura interna com múltiplas finalidades. Durante as migrações, o nariz filtra o ar para evitar que a poeira e a sujeira levantadas pelo seu galope entrem nos pulmões. Durante o inverno, ele aquece o ar antes que ele chegue aos pulmões, permitindo assim que o animal mantenha uma temperatura corporal estável.

Sobre as mortes em massa do antílope saiga

Quando chega a primavera, as fêmeas de antílope saiga migram para as áreas de acasalamento. Estas áreas são as mesmas há dezenas de anos, vastos prados com a grama alta.

Infelizmente, o antílope saiga está seriamente ameaçado pela caça ilegal. Os chifres de saiga são vendidos a um preço muito elevado no mercado negro. Na China, os chifres do antílope saiga são considerados elementos de alto valor tradicional.

Sobre as mortes em massa do antílope saiga

Para a preocupação de diferentes grupos de conservação da vida selvagem, a caça ilegal não é a única ameaça ao antílope saiga. Há um inimigo silencioso que, ao longo dos anos, conseguiu exterminar mais de 90% da população total de antílopes.

Em 2015, cerca de 200.000 saigas morreram repentinamente no decorrer de alguns dias. Os pesquisadores ficaram horrorizados com esse fenômeno, já que milhares de exemplares desfaleceram sem motivo aparente ao longo das pradarias do Cazaquistão.

Os antílopes saiga estavam reunidos em seus habituais lugares de acasalamento quando a catástrofe ocorreu. Vários especialistas – veterinários, zoólogos e ecologistas entre eles – admitiram que nunca haviam testemunhado nada parecido.

Antílope saiga em seu habitat

Depois de vários exames, foi descoberto que a causa das mortes foi uma infecção grave na corrente sanguínea causada por bactérias. Esta infecção causou hemorragias internas graves aos animais, levando à sepse.

Nesse sentido, estudos recentes descobriram que a proliferação da bactéria letal foi causada pelo clima da época: muito úmido e muito quente. Depois de estudar as evidências históricas de pesquisas anteriores sobre os antílopes, chegou-se a uma conclusão surpreendente.

A catástrofe de 2015 não foi a única envolvendo mortes em massa sofridas pelos antílopes saiga. Periodicamente, esta espécie sofreu mortes súbitas da maioria da sua população.

Depois de analisar as evidências históricas, os especialistas deduziram que, toda vez que as mortes ocorreram, o clima apresentava condições semelhantes. Mas como o clima quente e úmido está relacionado à proliferação de doenças?

Aquecimento global, migrações e doenças infecciosas

O aquecimento global é um fenômeno que preocupa governos e indivíduos no mundo todo há anos. No entanto, ele não afeta apenas os seres humanos.

De fato, a acelerada mudança climática que ocorreu devido à industrialização humana trouxe graves consequências para a flora e a fauna no mundo inteiro. Devido ao aquecimento global, um grande número de espécies teve que migrar para climas mais adequados para a sua sobrevivência.

Uma bactéria provocou a morte de inúmeros antílopes

Assim, a fauna e a flora estão reagindo às altas temperaturas e migrando para climas mais frios. Isso implica que muitos insetos portadores de doenças também migrem.

À medida que as temperaturas aumentam e os padrões climáticos mudam, os períodos de chuva também são modificados. Dessa forma, as pragas associadas à chuva em áreas tropicais – como os mosquitos, por exemplo – estão se multiplicando como nunca havia acontecido antes.

Os cientistas sabem há muito tempo que os climas quentes são o meio ideal para a proliferação de doenças. As bactérias se multiplicam muito mais rapidamente em climas quentes e em meios úmidos.

O aumento da temperatura e as mudanças na precipitação afetam os animais de maneiras diferentes, dependendo da sua fisiologia e tolerância às mudanças climáticas.

No caso do antílope saiga, a bactéria responsável pelas mortes em massa sempre está presente nas suas narinas. No entanto, foi o aumento da temperatura que causou a proliferação descontrolada de bactérias dentro do corpo dos saigas.

Se quisermos que o antílope saiga seja preservado, devemos tentar limitar a nossa produção de gases nocivos ao meio ambiente. Assim como acontece com muitas outras espécies, a sobrevivência dos saigas vai depender da forma como cuidamos do meio ambiente.

  • Kock, R.; Orynbayev, M.: Robinson, S. (2018) Saigas on the brink: Multidisciplinary analysis of the factors influencing mass mortality events. Science Advances, Vo. 4.
  • Altizer, S.; Ostfeld, R. (2013) Climate Change and Infectious Diseases: From Evidence to a Predictive Framework. Science, Vol. 341.