Aves marinhas, ameaçadas pela mudança climática e plásticos

· dezembro 15, 2018
Pouco adaptadas a estas circunstâncias, e como se isso não bastasse, estima-se que, até 2050, 95% destes indivíduos vão acabar ingerindo plástico. Em 1960, o plástico era encontrado em “apenas” 5 % dos estômagos destas espécies. 

A mudança climática ameaça toda a vida no planeta, incluindo a dos seres humanos. Infelizmente, os efeitos que causam em animais, como as aves marinhas, são ainda mais aparentes.

Mudanças climáticas e aves marinhas

Estudos recentes revelam que muitas aves marinhas não estão conseguindo adaptar seu ciclo reprodutivo às mudanças que estão ocorrendo no clima

Essas mudanças também influenciam outras espécies que estão sendo capazes de se adaptar, como as presas dessas aves.

Em contrapartida, os cientistas acreditam que as aves marinhas não serão capazes de se adaptar às mudanças que ocorrerão em seus ecossistemas.

O que acontece, principalmente, é que o período em que os ovos eclodem costumava coincidir com o tempo de presas em abundância.

Mas o novo panorama climático não alterou os costumes dessas aves, que agora criam seus filhotes com escassez de alimentos.

As aves marinhas são as aves mais ameaçadas do planeta, e sua baixa fertilidade e alta longevidade as tornam ainda mais propensas a serem afetadas por essas mudanças ambientais. Isso resultou em muitas aves em perigo de extinção.

Plásticos e aves marinhas

Mas esse não é o único problema enfrentado por essas aves, já que as aves marinhas também são um dos grupos de animais mais ameaçados pela poluição marítima de plásticos e outros resíduos humanos.

poluição por plásticos e ave marinha

Essas aves têm a infelicidade de confundir plásticos e outros elementos artificiais com alimentos, o que faz com que dezenas delas apareçam mortas, com a barriga e o resto do sistema digestivo cheios de plástico.

Os dados revelados pela comunidade científica são preocupantes: estima-se que até 2050, 99% das aves marinhas terão plástico alojado em seu sistema digestivo. 

Os dados contrastam com o que foi verificado em 1960, quando o plástico apareceu em, “apenas”, 5% das necropsias realizadas.

Essa ingestão não é inócua, pois além da possível toxicidade, essas aves sofrem de obstruções intestinais, que levam à perda de peso e à morte.

Em algumas aves marinhas, foram identificadas até 200 peças de plástico por espécime, o que colocou a comunidade científica internacional em alerta.

Estima-se que os plásticos nos oceanos matem 1,5 milhão de animais por ano.

Albatroz, uma das aves marinhas mais afetadas

Entre todas as espécies de aves marinhas que enfrentam as marés dos plásticos e as mudanças climáticas, o albatroz é uma das espécies mais afetadas.

Esta família de aves monogâmicas são aves marinhas de grandes dimensões, longos ciclos biológicos e grandes migrações, o que faz delas espécies pouco adaptáveis.

aves marinhas: albatroz

Além disso, sua dieta é baseada em krill, peixe e lula, todos eles afetados pela poluição dos plásticos, de modo que os albatrozes não só podem confundir plástico com alimentos: seu próprio alimento contém plástico.

Estas espécies de aves marinhas nos dão uma ideia de como as atividades humanas afetam os ecossistemas distantes:

Os albatrozes são aves coloniais e aninham-se em áreas remotas e isoladas, longe da atividade humana. 

Mesmo assim, o plástico acabou chegando ao estômago delas, em lugares onde dificilmente haveria poluição.

A produção de plástico aumentou exponencialmente nos últimos anos. Embora seja útil, o plástico é muito poluente e não desaparece facilmente. E o pior de tudo é que o processo de reciclagem ainda é muito ineficiente.

Isso significa que mais e mais ambientalistas, cientistas e protetores de animais estão pensando sobre o futuro do plástico. Muitos estão certos de que a reciclagem não é a solução.

Devemos optar por embalagens de papelão, vidro ou tecido, e desistir de embalagens plásticas. Uma sacola de supermercado pode acabar facilmente no estômago de uma tartaruga cabeçuda.