Caranguejo-yeti: costumes e curiosidades

janeiro 4, 2020
O caranguejo-yeti não tem olhos, mas pode se deslocar pelas escuras profundezas do mar graças aos seus “pelos” e às suas pinças.

Ao ver a imagem desse crustáceo, podemos entender por que ele recebeu esse nome do famoso “homem das neves”. A aparência do caranguejo-yeti é horripilante e, além disso, ele é de um tamanho grande (não tanto quanto o personagem da lenda). Informe-se sobre ele neste artigo.

Descoberta e nome do caranguejo-yeti

Este animal tão curioso foi descoberto em 2006 a mais de 2.000 metros de profundidade no sul do Pacífico – perto da ilha de Páscoa – graças a uma expedição organizada pelo MBARI: Monterey Bay Aquarium Research Institute (Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey).

Tanto o nome científico quanto o “popular” dessa espécie de crustáceo decápode chamam a nossa atenção. Os pesquisadores que descobriram o caranguejo-yeti o batizaram de Kiwa hirsuta, em homenagem à deusa Kiwa, pertencente à mitologia da Polinésia.

Vale a pena destacar que Kiwa é também o deus do mar de acordo com as tribos maoris da Nova Zelândia. Por outro lado, “hirsuta” quer dizer “peludo” em latim.

O segundo nome pelo qual se conhece esse animal é caranguejo-yeti, e isso se deve à sua fisionomia e à sua cor clara (alguns afirmam que trata-se de uma espécie albina). Foi feita uma clara alusão ao famoso “homem das neves” das lendas que nos assustavam quando éramos crianças.

Caranguejo-yeti no fundo do mar
Fonte: https://www.mnn.com/

No momento da sua descoberta, ele era a única espécie do gênero Kiwaidae, mas logo depois foi encontrado um “familiar” que chamaram de Kiwa puravida, sobre o qual ainda não se tem muita informação.

Principais características

Por enquanto, são poucos os dados que temos sobre o caranguejo-yeti, além de algumas características físicas e hábitos.

Para começar, sabe-se que ele vive em zonas basálticas rodeadas de fontes hidrotermais e que trata-se de uma espécie onívora – ou seja, come animais e plantas. Ele não tem olhos, mas pode se mover sem problemas pelas escuras profundezas marinhas graças aos seus “pelos” e às suas pinças.

Com as extremidades estendidas, esse caranguejo de cor branca e coberto de seda pode chegar a 15 centímetros (é muito maior do que outros crustáceos).

Caranguejo-yeti
Fonte: https://www.animalwised.com/

O caranguejo-yeti e as suas bactérias

A relação que ele mantém com as bactérias não passou despercebida pelos pesquisadores. Isso se deve ao fato de que os seus pelos ou sedas estão cobertos por colônias de micro-organismos. Aparentemente, existe uma simbiose muito interessante entre o caranguejo e esses indivíduos.

Uma das teorias sobre essa relação é a de que, devido ao fato de esse crustáceo viver em zonas hidrotermais, ele acumula uma boa quantidade de minerais e químicos nocivos, os quais são consumidos pelas bactérias. Dessa maneira, o caranguejo se desintoxica e os micro-organismos se alimentam.

Outra das hipóteses reside no fato de que o caranguejo-yeti permite que as bactérias morem nas suas pinças, para que, quando faltar comida, ele tenha uma fonte de alimentos… em seu próprio corpo!

Ainda não se sabe muito sobre essa espécie tão estranha, mas o que podemos indicar certamente é que mais uma vez a natureza nos surpreende.

Sem dúvida, o mar guarda muitos segredos e mistérios que ainda não foram revelados, e o caranguejo-yeti é um entre tantos “tesouros naturais” que habitam as águas e que o nosso pensamento humano não consegue compreender.

Goffredi, S. K., Jones, W. J., Erhlich, H., Springer, A., & Vrijenhoek, R. C. (2008). Epibiotic bacteria associated with the recently discovered Yeti crab, Kiwa hirsuta. Environmental Microbiology. https://doi.org/10.1111/j.1462-2920.2008.01684.x