Cobra-do-milho: cuidados em cativeiro

A cobra-do-milho é um dos répteis mais comuns no mercado de animais exóticos, pois possui requisitos muito básicos e uma atitude tranquila e amigável.
Cobra-do-milho: cuidados em cativeiro

Última atualização: 04 Janeiro, 2021

Você já quis entrar no mundo dos animais de estimação exóticos, mas tem medo de não ter experiência suficiente? Você é apaixonado por cobras? Se a resposta a ambas as perguntas for sim, continue lendo, pois a cobra-do-milho é o animal de estimação ideal para você.

Hoje trazemos para você um animal presente na maioria das granjas de répteis, pois é amplamente difundido no mundo da terrariofilia por causa do seu tamanho reduzido, seu temperamento calmo e sua facilidade de cuidado. Se você pretende adquirir um desses lindos animais, esse guia vai ser útil.

Considerações iniciais

A cobra-do-milho (Pantherophis guttatusé um colubrídeo endêmico do sudeste dos Estados Unidos, pois a sua distribuição se estende de Nova  Jersey à Flórida. É um animal típico de florestas abertas e safras baixas como o milho, daí o seu apelido, traduzido diretamente do inglês (corn snake).

Em primeiro lugar, é fundamental observar que essa espécie estava anteriormente incluída no gênero Elaphe, mas estudos genéticos elucidaram que, de fato, o réptil pertence ao gênero Pantherophis.

Mesmo assim, essa espécie ainda é conhecida no mercado de animais exóticos com o nome científico de Elaphe guttata. Enfatizar que estamos lidando com o mesmo espécime (seja Elaphe ou Pantherophis) é essencial, uma vez que a variação taxonômica entre gêneros pode causar confusão entre os potenciais compradores.

É preciso saber também que esse animal não se enquadra na convenção CITES – tratado para a proteção de espécies ameaçadas de extinção. Por esse motivo, não são necessárias licenças especiais para sua aquisição. Todos os exemplares à venda são oriundos de criação em cativeiro, portanto, não existem problemas jurídicos ou éticos com esse animal exótico.

Considerações iniciais

Cuidado em cativeiro da cobra-do-milho

Para começar com os cuidados básicos da espécie, é necessário observar que estamos diante de uma cobra que atinge entre 62 e 180 centímetros de comprimento. Apesar de não ser do tamanho máximo de uma jiboia, é claro que requer mais espaço do que muitos outros répteis exóticos.

Terrário

Portanto, um espécime requer um terrário de 80 litros de volume, ou seja, cerca de 90 centímetros de comprimento por 40 centímetros de largura no mínimo. Além disso, a instalação também deve ter cerca de 30-40 centímetros de altura, já que galhos e pedras devem ser colocados para que a cobra possa subir. O enriquecimento ambiental é essencial para os animais exóticos.

A boa notícia? O terrário pode ser feito com o material que você quiser. Desde uma caixa de plástico com um teto de malha para ventilação a uma cabine de vidro ou madeira especializada, a decisão é sua. A cobra não vai se importar com o material da sua casa, mas é claro que o animal ficará melhor em uma instalação de vidro.

Ao montar o terrário, você também deve ter em mente que essas cobras adoram ter as suas próprias tocas. Por esse motivo, é preciso colocar em sua instalação, pelo menos, um esconderijo onde ela possa se refugiar na maior parte do tempo.

Essas cobras são especialistas em escapar, então você deve proteger e fechar o terrário muito bem após cada interação.

Condições ambientais

Como acontece com quase todos os répteis, a temperatura do terrário é essencial para a sua sobrevivência e bem-estar. A seguir, vamos resumir os requisitos ambientais da espécie em uma série de pontos básicos:

  • A temperatura deve ficar em torno de 30 graus na zona quente do terrário. O resto da instalação pode ser ficar à temperatura ambiente. Para atingir esse gradiente de temperatura, pode ser colocada uma manta térmica – sempre por baixo e fora do terrário – que ocupe um quarto de sua superfície.
  • A umidade relativa deve variar entre 40-60%. Por ser um valor baixo, basta colocar um recipiente com água no terrário. Se quiser, para simular o orvalho da manhã, você pode usar um difusor de água algumas vezes por semana no substrato.
  • O substrato deve ser de natureza orgânica. Você pode usar fibra de coco ou, como melhor opção, aparas de madeira para hamsters e roedores. Este último material realça as cores da cobra-do-milho, além de reduzir o risco de impactação por uma possível ingestão.
  • Essa espécie não requer uma lâmpada ultravioleta. Um ciclo de luz natural é suficiente.

Alimentação da cobra-do-milho

A dieta dessa espécie é baseada exclusivamente em ratos. Os filhotes devem receber roedores recém-separados da mãe, também conhecidos como pinkies  – devido à falta de pelos. O tamanho da presa depende do tamanho da cobra, pois os adultos podem se alimentar de ratos de tamanho normal.

Cada exemplar deve ser alimentado uma vez por semana. Por fim, recomendamos que todas as presas oferecidas estejam previamente mortas. Assim, você evitará problemas e possíveis picadas que, sem dúvida, podem causar infecções complicadas.

Alimentação

Como você pôde ver neste artigo, a cobra-do-milho é um animal de estimação exótico ideal. Se você tiver cuidado com a temperatura e tiver adquirido um terrário à prova de fugas, garantimos que esse réptil ficará ao seu lado por mais de 10 anos.

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  • Utiger, U., N. Helfenberger, B. Schätti, C. Schmidt, M. Ruf, and V. Ziswiler, 2002. Molecular Systematics and Phylogeny of Old and New World ratsnakes, Elaphe Auct., and related genera (Reptilia, Squamata, Colubridae). Russian Journal of Herpetology 9(2): 105-124.
  • REVIEW OF NON-CITES REPTILES THAT ARE KNOWN OR LIKELY TO BE IN INTERNATIONAL TRADE. Recogido a 29 de octubre en https://ec.europa.eu/environment/cites/pdf/reports/non_cites_reptiles.pdf