O coleirinho: um grande ajudante polinizador de flores na Nova Zelândia

setembro 17, 2019
O coleirinho sente uma grande predileção pelo néctar das plantas da Nova Zelândia.

Para encontrar esta ave, temos que viajar milhares de quilômetros até chegarmos à Nova Zelândia. Lá, encontraremos o coleirinho, um curioso e inteligente habitante, sempre ávido pelo néctar das flores e plantas que o cercam.

Se você nunca ouviu falar neste pássaro, neste artigo vamos descobrir mais sobre ele.

O que é o coleirinho?

O coleirinho (Prosthemadera novaeseelandiae) é o único exemplar do gênero Prosthemadera. Seu nome tem origem na língua maori e ele pertence ao grupo das aves passeriformes.

Essa ordem agrupa mais da metade das aves do planetaé o que comumente conhecemos como pássaros.

Entre as características mais comuns dos passeriformes, destacam-se a disposição dos seus quatro dedos e o seu pequeno tamanho, se os compararmos com o resto das aves.

Características gerais

O coleirinho é, como já dissemos, um pássaro pequeno; seu tamanho médio varia entre 27 e 32 centímetros. Os machos têm um peso aproximado de 65 a 105 gramas, enquanto as fêmeas, que costumam ser menores, pesam entre 60 e 105 gramas.

Coleirinho em seu habitat natural

Seu corpo é coberto por uma plumagem escura ou preta, com algumas áreas mais acastanhadas nas laterais e nas costas. No entanto, quando a luz se reflete neles, podemos observar reflexos verdes e azuis iridescentes por todo o corpo.

Também se destaca uma pluma de penas brancas em volta do pescoço e logo abaixo da cabeça, o que os torna facilmente reconhecíveis.

O canto do coleirinho é bastante peculiar e alto, e eles são capazes de imitar sons e palavras, assim como os papagaiosA variedade de cantos e chamadas deste pássaro é muito ampla, já que cada exemplar tem uma música diferente.

O coleirinho, um animal ávido por néctar

A dieta do coleirinho é baseada no néctar que ele recolhe das flores de diferentes plantas. No entanto, esta ave sente uma predileção especial pelas flores do linho da Nova Zelândia (Phormium sp.), a árvore de kowhai e o kakabeak (Clianthus sp).

Tanto é assim que as flores dessas plantas têm a mesma forma e curvatura do bico do coleirinho, o que facilita a extração do néctar. Este é um ótimo exemplo de coevolução.

Além do néctar, o coleirinho complementa sua dieta com frutas, insetos, sementes e pólen. Quando se trata de comer – e também de defender seu território – essas aves podem se tornar muito agressivas. 

Para defender seu território ou uma planta especialmente rica em néctar, eles são capazes de “inflar” o corpo para parecerem maiores e, assim, assustar seus rivais.

Características gerais do coleirinho

Habitat e conservação

O coleirinho vive em todo o território da Nova Zelândia, mas as maiores populações são encontradas na Ilha Norte e em outras áreas da Ilha Sul. Também foram descobertas subespécies do coleirinho no arquipélago das Ilhas Chatham.

Eles preferem áreas florestais, embora também possam ser vistos voando em áreas urbanas como Wellington, a capital. Este é um animal que prefere a vida solitária ou em casal, e raramente o vemos como parte de grandes grupos.

Com a chegada da colonização, o número de pássaros tem diminuído. Grande parte da culpa é a destruição de seu habitat e a introdução de espécies predatórias.

Felizmente, ele não corre risco de extinção, e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) listou seu status de conservação na categoria de menor risco.

  • Hill, S. D., Amiot, C., Ludbrook, M. R., & Ji, W. (2015). Seasonal variation in the song structure of tui (Prosthemadera novaeseelandiae). New Zealand Journal of Ecology39(1), 110-115

 

  • Hill, S. D., Ji, W., Parker, K., Amiot, C., & Wells, S. (2012). A comparison of vocalisations between mainland tui (Prosthemadera novaeseelandiae novaeseelandiae) and Chatham Island tui (P. n. chathamensis). New Zealand Journal of Ecology37(2), 214-223.

 

  • Dilks, P. E. T. E. R. (2004). Population status, breeding and ecology of Chatham Island tui (Prosthemadera novaeseelandiae chathamensis). Notornis51(4), 217-226.