Como é a reprodução nos peixes?

A reprodução nos peixes é um evento que não segue o mesmo padrão em todos os casos. Portanto, pensar que existem apenas espécies ovíparas é um erro comum, pois não é a única forma de multiplicação existente.
Como é a reprodução nos peixes?

Última atualização: 19 abril, 2022

Os peixes exibem grande diversidade, refletida em sua aparência, tamanho e ecologia, além da variedade em suas formas de propagação. Eles apresentam toda a gama de tipos de multiplicação presentes nos vertebrados. Você sabe como é a reprodução nos peixes?

Em geral, nesses animais há uma alta mortalidade nos estágios iniciais de desenvolvimento. De centenas, milhares ou mesmo milhões de indivíduos, apenas alguns chegam à idade adulta. Assim, estabelecer estratégias adequadas é essencial para a sobrevivência. Aqui apresentamos os aspectos reprodutivos, tipos e comportamentos desses seres. Não perca nada, alguns são realmente interessantes.

Características da reprodução nos peixes

A variedade de formas reprodutivas nos peixes é incrível. Esses animais aquáticos se adaptaram para tirar o máximo proveito de cada situação. Vejamos resumidamente alguns aspectos relacionados à sua multiplicação:

  • A reprodução é sexuada, com uma diversidade de estratégias e comportamentos.
  • A maioria das espécies são ovíparas, ou seja, põem ovos, que podem ser de diferentes tamanhos e cores. Além disso, a desova ocorre em uma variedade de substratos (no fundo, entre plantas, rochas ou permanecendo suspensos na água). Alguns têm substâncias pegajosas que os ajudam a ficar fixos.
  • A fertilização é a igualmente variável. Pode ocorrer interna ou externamente ao corpo da mãe.
  • As condições ambientais, como luz e temperatura, são importantes para a reprodução. Dessa forma, algumas espécies possuem estações bem definidas para seu ciclo. Por sua vez, outras têm a capacidade de se reproduzir ao longo de todo o ano.
  • O desenvolvimento pode ser direto ou indireto (quando passam por fases larvais).
  • Existem espécimes que produzem um grande número de gametas para contrabalançar a baixa sobrevivência nos estágios imaturos. Outros, por sua vez, melhoram a estratégia reprodutiva colocando poucos ovos, mas incorporando maiores cuidados. Assim, eles tentam alcançar o sucesso.

Órgão reprodutor masculino

O órgão reprodutor masculino é composto por um par de gônadas pareadas, com dutos que terminam na cloaca ou na abertura urogenital. Os peixes produzem uma substância esbranquiçada, que é o esperma ou leite. Algumas espécies têm barbatanas pélvicas modificadas como estruturas de cópula, é o caso de certos tubarões.

Órgão reprodutor feminino

O órgão reprodutor das fêmeas é variável, dependendo da anatomia e da gestação ou dependência do embrião da mãe. Geralmente é constituído pelas gônadas ou ovários femininos (1 ou 2), pelos dutos e pelo orifício urogenital.

Tipos e formas de reprodução em peixes

Como já foi dito, a multiplicação nesses belos animais aquáticos é sexual, pois ocorre através dos gametas (masculino e feminino). Os 3 tipos de reprodução que existem nos peixes são os seguintes:

Gonocorismo ou bissexualidade

O gonocorismo, também chamado de bissexualidade, é o tipo mais popular de reprodução sexual, não apenas em peixes, mas em todos os outros vertebrados. Ocorre quando há dois sexos separados (dioicos), ou seja, indivíduos que produzem espermatozoides (machos) e aqueles que geram óvulos (fêmeas). Exemplos desse tipo de reprodução são encontrados no robalo (Dicentrarchus labrax) e no salmão do Atlântico (Salmo salar).

Hermafroditismo

As espécies hermafroditas são caracterizadas por apresentarem ambos os sexos no mesmo indivíduo. Pode acontecer que ambos os sexos se desenvolvam ao mesmo tempo no organismo, o que é conhecido como hermafroditismo simultâneo ou síncrono. Neles, a autofecundação é rara. Por exemplo, temos a dourada (Pagellus bogaraveo).

Outros espécimes mudam de sexo durante suas vidas, isso é chamado de hermafroditismo sequencial ou consecutivo. Assim, eles podem primeiro amadurecer como machos (protândricos) ou como fêmeas (protogínicos). Aqui podemos citar a espécie Sparus aurata, que é macho durante os primeiros dois anos de vida e depois dos 3 torna-se fêmea.

Partenogênese

A reprodução por partenogênese em peixes consiste em fêmeas que põem ovos produzidos por óvulos não fertilizados. No entanto, certas espécies precisam acasalar com um macho de uma espécie relacionada antes que o desenvolvimento embrionário possa começar. Portanto, a prole é idêntica à mãe. Um exemplo desse caso é o peixe Poecilia formosa.

Da mesma forma, os peixes desenvolveram 3 maneiras de alcançar o sucesso reprodutivo:

  • Oviparidade: refere-se à postura de ovos, prática realizada pela maioria dos peixes. Para isso, a fecundação é externa, ou seja, fora do corpo da mãe, uma vez que a desova tenha ocorrido. Embora existam poucos ovíparos com fecundação interna. É a mais comum, ocorre em trutas (Salmoninae) e tilápias (Oreochromis), como exemplos de peixes comerciais.
  • Ovoviviparidade: nesse caso os ovos ficam retidos dentro da fêmea até chegar o momento da eclosão. A nutrição do embrião depende das substâncias vitelinas dos ovos. A fertilização é interna. Um exemplos típico são os guppies.
  • Viviparidade: nessa condição, o desenvolvimento e a fecundação ocorrem igualmente dentro da mãe. No entanto, o embrião recebe nutrientes diretos da mãe. Entre os vivíparos podemos citar alguns tubarões.

Comportamentos reprodutivos nos peixes

A diversidade reprodutiva dos peixes também inclui comportamentos impressionantes, como alguns cortejos, formação de ninhos, incubação de ovos e migrações. Vejamos cada um deles:

Cortejo

Alguns peixes desenvolveram estratégias interessantes de cortejo para garantir sua reprodução. Esse movimento pode ser realizado por qualquer um dos sexos ou até por ambos. Por exemplo, a fêmea do salmão-prateado (Oncorhynchus kisutch) dança com seu parceiro antes de desovar. Em seguida, ela vai para o lugar escolhido, cava com o rabo, bota os ovos e o macho os fertiliza para que ela os cubra com cascalho.

Ninhos e incubação de ovos

Certos peixes preparam ninhos incríveis, bem no fundo, cavando na areia, com vegetais e algas ou substâncias pegajosas (que excretam), entre outros comportamentos. O cuidado parental dos ovos ou dos filhotes também pode estar presente em alguns organismos. Na espécie de tilápia Oreochromis mossambicus a incubação ocorre na boca, como um método impressionante para evitar o abandono da prole.

Migrações

Esses nadadores também podem percorrer grandes distâncias para se reproduzir. Nesse sentido, existem dois tipos:

  • Anádromos: migram do oceano e grandes rios em direção aos espaços de cascalho onde nasceram para se reproduzir. Aqui podemos citar o salmão.
  • Catádroma: as rotas vão desde ambientes de água doce (em que vivem) até o mar para desovar. As enguias de água doce realizam esse tipo de migração.

O cavalo-marinho, um exemplo de reprodução em peixes

O cavalo-marinho é um exemplo de reprodução em peixes

 

Se você é daqueles que pensa que a gestação é assunto exclusivo das fêmeas, saiba que nos peixes a diversidade de mecanismos é tão impressionante que nem sempre é assim. Um exemplo é o cavalo-marinho comum (Hippocampus hippocampus).

Essa espécie inicia sua reprodução com um cortejo, o casal entrelaça suas caudas e dança por vários minutos. A fêmea é responsável por passar os ovos de sua cloaca para a bolsa da barriga dos machos, graças a uma papila de 3 milímetros de comprimento. Por sua vez, ele é responsável por cuidar dos ovos por um período de quase dois meses.

Após esse período, os ovos eclodem e saem cavalos-marinhos em miniatura, que continuam sob a proteção protetora do pai. O número de descendentes é numeroso (até mais de 400), por isso o macho tem um trabalho árduo e exaustivo.

O cavalo-marinho é um exemplo típico de que a reprodução em seres vivos, e em particular em peixes, pode envolver caminhos inusitados. Os animais estabelecerão qualquer estratégia para garantir seu sucesso e sua sobrevivência.

Como você pode ver, a reprodução em peixes vai além da postura dos ovos. É nesses animais que ocorrem alguns dos comportamentos mais surpreendentes. Conhecer esses aspectos é de grande interesse, não apenas por curiosidade, mas também tem grande relevância na aquicultura.

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