Conheça a rã-dardo-dourada

março 16, 2019
O veneno da rã-dardo-dourada é tão poderoso que, com um único miligrama, pode acabar com a vida de 10.000 ratos ou dois elefantes africanos.

Quando pensamos em um animal venenoso, talvez imaginemos uma cobra ou uma aranha… No entanto, também há sapos com essa “capacidade”. Um dos exemplos é a rã-dardo-dourada, também conhecida como rã dardo venenoso dourada, que é endêmica da Colômbia. Você quer saber mais sobre ela? Nós vamos contar mais neste artigo.

Características e habitat da rã-dardo-dourada

É um anfíbio pertencente ao grupo dos anuros e é considerado o vertebrado mais tóxico do mundo. Habita as florestas tropicais da Colômbia e a região da floresta do Panamá.

Prefere as zonas mais chuvosas, que ficam no máximo até a 200 metros acima do nível do mar, com temperaturas de pelo menos 26 °C e uma umidade superior a 80%.

Quanto às características físicas, a rã-dardo-dourada pode atingir 55 milímetros de comprimento quando adulta.

Tem uma espécie de ‘discos adesivos’ nas patas para subir entre plantas, e algo semelhante a ‘dentes’ no maxilar inferior, algo que a diferencia de outros sapos.

Seu corpo é brilhante e muito chamativo, quase completamente amarelo, como acontece com outras espécies de sua família venenosa. Pode apresentar algumas manchas pretas e seus olhos são saltados e escuros.

Alimentação e reprodução da rã-dardo-dourada

A dieta deste anfíbio é composta principalmente de formigas – de duas espécies diferentes – e também pode se alimentar de outros insetos que habitam os solos úmidos da floresta, incluindo grilos, besouros, moscas ou cupins.

Rã-dardo-venenosa

Quanto à sua reprodução, ao contrário de outros animais, a rã-dardo-dourada amadurece sexualmente quando atinge certo tamanho (não está relacionada à idade).

Durante o cortejo pré-acasalamento, o macho vocaliza perto da fêmea, que deposita cerca de 15 ovos debaixo de uma folha e espera que sejam fertilizados. Então ele é responsável por observá-los para que fiquem sempre na água.

Após 12 dias, os ovos eclodem e os girinos são colocados no dorso do pai até que todos completem a sua metamorfose.

Veneno da rã-dardo-dourada

Apesar de seu tamanho pequeno e cor impressionante nos fazer pensar que é um animal indefeso, a verdade é que o veneno que se acumula na rã dourada pode matar 10 pessoas. Um miligrama de veneno aniquila nada menos que 10 mil ratos ou dois elefantes africanos.

A pele desse animal é impregnada com um alcaloide chamado batracotoxina. Quando em contato com suas presas, causa contração muscular e morte por parada respiratória. De onde ela tira os componentes necessários para preparar este veneno? Das formigas que come!

Inclusive, a substância é venenosa fora do corpo do anuro. Por essa razão, algumas tribos autóctones molham a ponta de suas flechas com essa substância, que pode manter suas propriedades tóxicas por anos.

rã-dardo-dourada

O mesmo veneno presente na rã-dardo-dourada também está presente em três aves de Papua Nova Guiné e algumas rãs do gênero Dendrobates, mas sempre em quantidades menores e com menor toxicidade do que a deste anfíbio.

Uma rã venenosa como animal de estimação?

Devido ao seu tamanho pequeno e cor chamativa, muitas pessoas optam por ter uma rã-dardo-dourada como animal de estimação. Sem dúvida, é algo “curioso”, considerando que é uma espécie tão tóxica.

No entanto, as rãs criadas em cativeiro não são venenosas, basicamente porque sua dieta muda. Ao alimentá-las com moscas e grilos, elas não ingerem a toxina necessária para tornar a pele mortal.

Se você quiser ter uma rã desse tipo como animal de estimação, é preciso atender a certos requisitos além da dieta.

Por exemplo, o aquário deve ser mantido a cerca de 20 °C durante todo o ano e permanecer molhado através de borrifadores ou dispositivos especiais.

Além disso, você terá que colocar pedras, galhos ou troncos para que ela possa subir, e não podem faltar as folhas e plantas para se esconder. A ideia é que você possa imitar a selva tropical onde ela vive naturalmente.

  • Zippel, K. C., Ibáñez, R., Lindquist, E. D., Richards, C. L., Jaramillo, C. A., & Griffith, E. J. (2006). Implicaciones en la conservación de las ranas doradas de Panamá, asociadas a su revisión taxonómica. Herpetotropicos. http://doi.org/10.3758/s13428-010-0044-x