Cristais na urina dos gatos: sintomas, tipos e tratamento

Os cristais na urina dos gatos são derivados de uma condição conhecida como urolitíase. A situação pode passar despercebida ou causar vários sintomas no animal. Confira mais informações junto com a gente!
Cristais na urina dos gatos: sintomas, tipos e tratamento

Última atualização: 05 Julho, 2021

Os cristais na urina dos gatos representam uma condição presente no sistema urinário. Também conhecidos como “pedras” ou urólitos, esses minerais sólidos podem aparecer em qualquer parte do sistema excretor do felino, incluindo rins, ureteres, bexiga ou uretra. A causa dessas formações ainda não está totalmente clara, mas continuam sendo feitas pesquisas sobre o assunto.

Além disso, é importante ressaltar que os urólitos têm composições minerais diferentes, o que torna possível suspeitar de uma entidade subjacente ou outra. Se você quiser saber mais sobre o assunto, continue lendo.

O que é a urolitíase felina?

Quando falamos sobre cristais na urina dos gatos, estamos na verdade nos referindo a uma condição específica com nome e sobrenome: a urolitíase felina. Essa entidade clínica engloba tudo o que está relacionado à presença de aglomerados policristalinos no sistema urinário do gato, desde as causas até os sintomas, como dor, infecção, obstrução ou sangramento.

O sistema urinário do gato é composto por dois rins, que filtram o sangue e formam a urina, dois ureteres, que coletam líquidos, um saco muscular, que armazena a urina (bexiga), e uma uretra, que conecta todo esse sistema ao ambiente externo. Os urólitos ou cristais podem se depositar em qualquer uma dessas seções, resultando em uma sintomatologia característica em cada quadro.

Uma radiografia que mostra os órgãos torácicos e abdominais do gato.

Sintomas de cristais na urina dos gatos

Alguns gatos apresentam cristais nos rins e não manifestam sintomas. Nesses quadros, é comum que sejam encontradas formações em alguma parte do trato urinário do animal de estimação quando se realiza uma radiografia com outra finalidade. No entanto, outros felinos desenvolvem sinais clínicos. Dentre eles, destacamos os seguintes:

  • Dor abdominal: o desconforto severo nessa região é muito comum em humanos com urólitos, mas os gatos geralmente não o desenvolvem. De qualquer modo, se os cristais estiverem obstruindo os ureteres, os rins ficarão inflamados e o gato sentirá muitas dores, principalmente quando o pegamos segurado na região abdominal.
  • Febre: como indicam os estudos, as pedras em si não causam febre em humanos, mas esse sintoma pode se manifestar por causa de infecções secundárias provocadas por possíveis lesões. O mesmo princípio pode ser aplicado aos gatos.
  • Sangue na urina (hematúria): é um sinal de que os cristais estão causando feridas em alguma parte do sistema urinário.
  • Dor ao urinar (disúria), diminuição da produção de urina (oligúria) ou ausência total de urina (anúria). Este último sinal é a variante mais grave do espectro.
  • Perda de apetite, letargia e vômitos: são sinais que indicam obstrução no fluxo urinário normal.

De qualquer modo, conforme indicado pelo site MSD Veterinary Manuals, os sinais são muito diferentes se um ou ambos os rins forem afetados. Se houver disfunção unilateral, o único sinal possível é a dor. O mal-estar geral e as falhas sistêmicas acontecem quando ambos os rins estão obstruídos, já que a micção se torna difícil ou impossível nesse caso.

As causas dos cristais na urina

Os veterinários ainda não conseguiram compreender completamente por que são produzidos cristais na urina dos gatos. De qualquer modo, sabe-se que os felinos apresentam urina muito ácida que os predispõe à deposição de urólitos, principalmente quando há excessos ou deficiências vitamínicas. Portanto, os estudos estimam que os gatos são mais propensos a desenvolver essa condição do que os cães.

Aqui estão algumas das possíveis causas do acúmulo de cristais no sistema urinário dos gatos. Dentre todos os eventos subjacentes possíveis, destacamos os seguintes:

  1. Desequilíbrios alimentares: um excesso de minerais na dieta pode promover a formação do núcleo do urólito. Com o tempo, ele aumenta de tamanho e mais matéria mineral é depositada sobre ele.
  2. Inflamação: algumas patologias, como a doença renal policística felina (PKD), causam inflamação e disfuncionalidade nos rins. Isso pode estimular o aparecimento de cristais na urina dos gatos afetados.
  3. Nível de pH da urina do gato: oscilações no pH para cima ou para baixo podem estimular o depósito de cristais no sistema urinário do felino.
  4. Infecções: eventos infecciosos também podem promover deposição de urólitos, embora seja muito mais comum que apareçam devido a desequilíbrios metabólicos.

Alguns desses agentes causais são controláveis, enquanto outros dependem do organismo de cada gato. Se você tiver dúvidas sobre a dieta oferecida ao seu gato, é melhor consultar o veterinário.

Tipos de cristais

Como já dissemos, os cristais na urina dos gatos podem ser classificados de acordo com sua composição mineral. Usamos como referência o artigo científico Epidemiology of feline urolithiasis in Mexico (Epidemiologia da urolitíase felina no México, 2006–2017), publicado na International Society of Feline Medicine (ISFM), para apresentar os tipos mais comuns:

  • Urólitos de oxalato de cálcio: representam 54,3% de todos os cristais em felinos, por isso são os mais comuns. Aparecem com mais frequência em machos com mais de 7 anos de idade.
  • Urólitos de estruvita: representam 32,1% dos depósitos de cristais. São mais comuns em fêmeas com menos de 6 anos de idade.
  • Outros cristais: 7,4% são de purina e os 6,2% restantes são de outros compostos minerais.

Por outro lado, essa mesma fonte destaca que os cristais se apresentam em felinos de todas as idades, dos 6 meses aos 17 anos. Contudo, a maioria dos felinos que precisam de atenção clínica para essa condição são adultos ou idosos.

Diagnóstico da urolitíase felina

Às vezes, é possível detectar urólitos apenas ao pressionar suavemente o abdômen do animal. De qualquer modo, não recomendamos de forma alguma que você tente fazer isso em casa, visto que apenas vai provocar estresse, dor e raiva no animal. Ao detectar algum sinal estranho no seu gato, o ideal é levá-lo ao veterinário o mais rápido possível.

Uma vez na clínica, o profissional irá suspeitar dos urólitos a partir dos sinais do animal ou após palpação direta. Se um cristal for detectado, vários exames de imagem serão necessários para confirmar o diagnóstico. Os raios-X detectam urólitos de até 3 milímetros de diâmetro, mas outras técnicas de imagem, como o ultrassom, também podem ser úteis.

Geralmente, é necessária uma análise da urina do paciente. Isso dará ao veterinário indícios sobre as possíveis causas dos urólitos.

Tratamento

O tratamento de cristais de urina nos gatos dependerá inteiramente de sua localização e do estado geral do animal. Às vezes, nem vale a pena remover os urólitos cirurgicamente, pois o processo pode causar mais danos aos rins do que simplesmente deixá-los onde estão.

Portanto, a cirurgia só é considerada quando os cristais causam infecções ou hemorragias, se obstruem o fluxo da urina ou se seu crescimento é muito rápido. Como o trato urinário do felino é muito pequeno, muitas vezes é necessário o encaminhamento para um cirurgião especialista, junto com o custo monetário que isso acarreta.

Por outro lado, existe uma abordagem muito inovadora no âmbito veterinário, conhecida como litotripsia extracorpórea por ondas de choque. Através do uso de técnicas não invasivas, o objetivo é quebrar o cristal em pedaços menores para que o organismo do gato possa expulsá-los sozinho. Infelizmente, poucos veterinários usam esses procedimentos.

 

Os gatos e a urolitíase: sintomas, tratamentos e causas.

Prognóstico e notas finais

Segundo fontes profissionais, um gato assintomático com urólitos pequenos terá que ir ao veterinário a cada 3 ou 6 meses para que sua situação seja avaliada. Por outro lado, animais com ureteres obstruídos são candidatos a um procedimento cirúrgico imediato.

80% dos felinos submetidos à cirurgia sobrevivem pelo menos mais 2 anos, enquanto apenas 66% dos gatos que recebem tratamento medicamentoso atingem essa expectativa de vida. Em outras palavras, o prognóstico varia de acordo com os procedimentos utilizados e o estado geral do animal.

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