Curiosidades sobre o sapo-cururu

março 5, 2020
O sapo-cururu é uma das espécies invasoras com maior potencial destrutivo em todo o mundo.

O sapo-cururu, conhecido na comunidade científica como Rhinella marina, é um anfíbio anuro pertencente à família Bufonidae. O seu grande tamanho e a sua toxicidade não são os únicos traços que o definem.

Características morfológicas do sapo-cururu

Esse anfíbio se destaca pelas suas grandes dimensões, pois pode superar os 15 centímetros. A sua pele é seca e verrugosa, com uma série de protuberâncias na parte frontal da cabeça.

No que se refere à sua tonalidade, há desde exemplares que apresentam tons mais marrons até aqueles que apresentam cores avermelhadas ou bronzeadas, com um padrão de manchas variável. Geralmente, o ventre é mais claro.

Após alcançar a maturidade, o sapo-cururu se caracteriza por apresentar grandes glândulas paratireoides dispostas desde o lado anterior do tímpano até a metade das costas, o que indica a menor toxicidade dos exemplares jovens. Além disso, assim como outras espécies noturnas, as suas pupilas são horizontais e douradas.

Curiosidades do sapo-cururu

Reprodução, alimentação e comportamento

Na hora de se reproduzir, os machos se dispõem de forma temporária ou permanente nas proximidades dos mananciais, para, assim, tentar chamar a atenção das fêmeas. Para isso, eles emitem vibrações sonoras durante longos períodos de tempo.

A cópula, conhecida como amplexo, ocorre quando o macho rodeia a fêmea por baixo das suas extremidades anteriores, momento no qual a fêmea bota ovos não fecundados à espera de que o esperma masculino os fecunde. O fim do ato reprodutor ocorre na água.

Os ovos, que contam somente com a proteção de uma camada mucosa, são depositados por meio de filamentos gelatinosos em regiões com vegetação por perto. Essas ninhadas podem superar os 30.000 ovos e a sua eclosão depende da temperatura da água, podendo se alongar até, no máximo, uma semana. Posteriormente, o desenvolvimento dos girinos varia entre 12 e 60 dias.

Ovos do sapo cururu

O sapo-cururu costuma se alimentar à noite, em regiões de densa vegetação, e consome uma grande variedade de insetos: formigas, percevejos, besouros e tesourinhas são as suas principais presas.

No entanto, diferentemente de outros anuros, eles se caracterizam por ser predadores oportunistas, que podem, dessa forma, se alimentar de vegetais, carniça e outros resíduos descartados.

Nas capturas, além do papel fundamental que a visão desempenha, identificando as presas pelos seus movimentos, esse anfíbio se apoia no seu desenvolvido sentido olfativo. Além disso, a sua locomoção se caracteriza pelos seus saltos curtos e rápidos, e em períodos de extrema seca ou de baixa temperatura, eles permanecem inativos e passam a maior parte do tempo debaixo da terra.

Em situações de ameaça, as suas glândulas paratireoides produzem uma substância alcaloide esbranquiçada e viscosa, conhecida como bufotoxina. Essa substância se caracteriza por ser cardioativa, ou seja, pode provocar espasmos, vômitos, problemas respiratórios, paralisia nas extremidades e até mesmo a morte.

Habitat e estado de conservação

A distribuição original do sapo-cururu se estende desde o sul do Vale do Rio Grande do Texas até a Amazônia central e o leste do Peru. Posteriormente, ele foi introduzido nas ilhas do Caribe, no sul da Flórida, no Havaí e na costa leste da Austrália.

O desenvolvimento e o impacto desse anfíbio na flora e na fauna locais dos lugares não-endêmicos foi um motivo para que ele fosse considerado uma das 100 espécies invasoras mais prejudiciais mundialmente.

Atualmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) estabelece, por meio da denominada Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, que o estado de conservação do sapo-cururu é de “baixa preocupação”.