Espadinha: alimentação e reprodução

setembro 6, 2019
Hoje vamos falar sobre um peixe que vive nas águas cristalinas da América Central e que está presente em muitos aquários: o espadinha, que tem a cauda em forma de espada como caraterística principal.

Certamente você deve ter visto esse peixe mais de uma vez, já que o animal em questão é um dos peixes de aquário mais comuns. A seguir, conheça mais sobre o espadinha: suas características, sua alimentação e sua reprodução.

O que é um espadinha? 

O primeiro ponto que é preciso saber acerca desse animal é que se trata de um peixe que pertence a uma ordem muito especial: os Cyprinodontiformes. Esse grupo de peixes é bastante conhecido, já que engloba várias espécies muito apreciadas para serem criadas em aquários.

Dentro dos Cyprinodontiformes, existe uma família de peixes de água doce com uma série de traços muito característicos: a sua ampla distribuição geográfica, o tamanho dos seus olhos e o seu acentuado dimorfismo sexual.

Essa família são os poecilídeos, com até 40 gêneros de peixes diferentes. Nesse grupo de peixes podemos encontrar espécies muito conhecidas, como a gambúsia (Gambusia holbrooki) ou o barrigudinho (Poecilia reticulata).

Entre todos os gêneros, vamos tratar aqui do Xiphophorus. Esse gênero engloba 28 espécies descritas, e entre elas encontra-se o espadinha (Xiphophorus hellerii). Este peixe também é conhecido como espada (não confundir com o peixe-espada do mar ou espadarte).

Características principais

O tamanho médio do espadinha varia entre os 14 e os 16 centímetros. Possuem um corpo robusto e alongado, que nos machos termina em uma barbatana caudal muito particular.

Os raios da parte inferior da barbatana se alongam, o que dá a sensação de que o espadinha tem uma ‘espada’ como cauda.

Espadinha nadando

Existe uma alteração adicional nas barbatanas nos machos. É a que apresentam na sua barbatana anal, o gonopódio, utilizado na cópula.

As fêmeas são maiores, apesar de não possuírem a ‘espada’. Também existem diferenças na coloração entre machos e fêmeas, o que evidencia o dimorfismo sexual.

A coloração do espadinha varia entre os espécimes selvagens e os domésticos. Embora os peixes selvagens tenham um padrão esverdeado com algumas faixas ligeiramente amarelas, os espécimes para a criação em aquário apresentam uma ampla variedade de cores, do preto ao vermelho.

Alimentação e comportamento

Estamos diante de um peixe onívoro, que se alimenta de pequenos invertebrados, algas e outros restos vegetais. Esse tipo de dieta é a mantida pelos exemplares de vida selvagem.

No caso dos exemplares de aquário, uma dieta comercial equilibrada será suficiente, mas deverá conter material seco e alimento vivo, como larvas de mosquito ou dáfnias.

Normalmente, o peixe espadinha é um animal pacífico. Costuma ignorar o restante dos companheiros de aquário, se forem do mesmo tamanho.

No entanto, o temperamento dos machos pode se tornar violento devido a disputas territoriais e também por razões reprodutivas. Se você pensa em ter espadinhas em casa, o ideal é que um só macho conviva com várias fêmeas.

Espadinha em aquário

Reprodução do espadinha

Todos os poecilídeos são peixes vivíparos, o que significa que as fêmeas mantêm os ovos no seu interior até o momento de dar à luz. Isso faz com que os alevinos sejam maiores do que as crias dos peixes ovíparos, e permite que possam nadar livremente, sem precisar de muita proteção dos seus pais.

A fecundação ocorre quando o macho, mediante o gonopódio, fertiliza a fêmea. Após um período que varia de quatro a seis semanas, os alevinos saem à superfície.

A partir desse momento, é necessário ficar atento com o que ocorre no aquário, já que é um comportamento bastante comum do espadinha perseguir suas crias para tentar comê-las.

Se tiver cuidado e paciência, após um ano aproximadamente você terá belos exemplares adultos de espadinhas no seu aquário.

  • Basolo, A. L., & Wagner Jr, W. E. (2004). Covariation between predation risk, body size and fin elaboration in the green swordtail, Xiphophorus helleri. Biological Journal of the Linnean Society83(1), 87-100.

 

  • Earley, R. L., & Dugatkin, L. A. (2002). Eavesdropping on visual cues in green swordtail (Xiphophorus helleri) fights: a case for networking. Proceedings of the Royal Society of London. Series B: Biological Sciences269(1494), 943-952.