Gaio-comum, o jardineiro dos bosques

junho 24, 2018
Alguns pesquisadores comprovaram através de diferentes experimentos que o costume do gaio-comum de guardar alimento (sementes) em épocas frias ou pouco propícias deve-se a sua capacidade de planejar o futuro.

O gaio-comum euroasiático (Garrulus glandarius) é uma ave muito especial que habita em toda a Europa e grande parte da Ásia. Trata-se de um corvídeo parente dos corvos que é essencial para a expansão de nossos bosques, graças a um de seus comportamentos peculiares.

Na Espanha, podemos encontrá-lo em toda a península, mas suas maiores populações encontram-se no norte. Sua ampla distribuição permite que possamos encontrá-los no Magreb, Sibéria ou Himalaia.

Características do gaio-comum

Essa ave é inconfundível, e diferentemente do resto dos corvídeos, é muito colorido, com plumagem em tons ocre, acinzentados, esbranquiçados e com desenhos particulares, que são sua identidade. Possui um bigode negro do lado do bico e um painel de penas azul turquesa.

Essa espécie de tamanho médio, menor do que um corvo e maior do que um melro, é muito barulhenta e emite sons ásperos, com um certo som metálico, que usa como chamada de alerta. Também é capaz de imitar, em certo sentido, os sons de outras aves, como os de algumas aves de rapinas, como a águia de asa redonda.

gaio-comum características

Possui um bigode negro do lado do bico e um painel de penas azul turquesa. Essa espécie de tamanho médio é menor do que um corvo e maior do que um melro.

O comportamento único do gaio-comum

O gaio-comum destaca-se por ser uma ave extremamente inteligente, assim como outras espécies de corvídeos. Possuem comportamentos muito especiais, e alguns deles lhes tornam autênticos jardineiros de nossas florestas.

Alguns exemplos são o uso de entretenimento e presentes por parte dos machos nos rituais de acasalamento. Esse comportamento é realizado por poucas espécies, já que na maioria das ocasiões, quer dizer que a espécie entende os desejos de outros indivíduos, algo muito complicado.

Também se sabe que podem ter estruturas sociais complexas e expressar seu estado de ânimo através de suas vocalizações. Existem pouquíssimos exemplos assim no mundo animal, e o chimpanzé é um deles.

Essa ave também é um exemplo do uso de ferramentas em animais e, assim como os corvos, entende a permanência do objeto. Isso quer dizer que, se você esconde objetos, como por exemplo uma fruta em um vaso, o animal entende perfeitamente que o alimento não desapareceu. Inclusive, eles usam as formigas como medicamento contra o parasitas através de banhos de formigas.

Assim como outros corvídeos, o gaio-comum é especialista em um sistema de vigilância e alerta para garantir que não sejam atacados por predadores. Esses pássaros localizam rapidamente aves de rapina e realizam vocalizações de alerta para depois formar um grupo e perseguir o predador, para que ele deixe o grupo em paz.

gaio-comum

Nos rituais de acasalamento, os machos entretêm as fêmeas e lhes dão presentes. Esse comportamento é realizado por poucas espécies, já que na maioria das ocasiões, quer dizer que o animal entende os desejos de outros indivíduos, algo muito complicado.

O jardineiro dos bosques

O comportamento mais importante é sua capacidade de guardar sementes, especialmente bolotas ou frutos secos, para as épocas frias e menos propícias.

Os pesquisadores suspeitavam que este comportamento era muito mais complexo do que parecia. Comprovaram mediante diferentes experimentos que o costume do gaio-comum de guardar alimento deve-se a sua capacidade de planejar o futuro, algo que se pensava que só os humanos poderiam fazer.

Esse comportamento é o que lhe torna um animal fundamental para nossos bosques. Em muitos casos, o gaio-comum não consome todos seus depósitos, ou acaba esquecendo-se deles.

Assim, as sementes germinam e os bosques se expandem quando eles movimentam esses frutos pesados, que dificilmente se moveriam de outra maneira.

Esse comportamento está sendo utilizado em Portugal para reflorestar as florestas queimadas. Uma ONG portuguesa criou depósitos de bolotas nas florestas para que o gaio-comum acabe formando uma nova floresta onde hoje há somente cinzas.