Intoxicação por cogumelos em cães: o que fazer?

março 26, 2020
Embora os primeiros sintomas sejam leves, é aconselhável consultar um veterinário o mais rápido possível.

A intoxicação por cogumelos em cães pode ocorrer tanto em um ambiente rural quanto no próprio ambiente doméstico. Por isso, é essencial que os donos garantam que os seus animais de estimação sejam alimentados adequadamente.

O termo micotoxicose se refere ao conjunto de doenças causadas por micotoxinas, presentes no próprio cogumelo ou em outra superfície, substância ou alimento que tenha sido contaminado.  

Pão e frutas são dois dos produtos com maior tendência a se deteriorar, mas a ração e, acima de tudo, os alimentos úmidos dos cães também são suscetíveis à deterioração.

Quanto à ingestão direta de cogumelos pelos cães, deve-se tomar cuidado. Embora alguns exemplares do campo sejam inofensivos ou causem pequenos distúrbios gastrointestinais, outros podem ser letais.

Sintomas de intoxicação por cogumelos em cães

A sintomatologia e a gravidade da micotoxicose dependem da espécie e da quantidade de toxinas ingeridas. No entanto, existem vários indicadores gerais que podem gerar a suspeita de uma possível intoxicação:

  • Tremores musculares, descoordenação e convulsões.
  • Respiração ofegante e aumento da frequência cardíaca e respiratória.
  • Enfraquecimento, desidratação, perda de apetite e vômito.
  • Febre.

Em uma estrutura mais específica, os cogumelos tóxicos podem ser classificados em cinco categorias, de acordo com os sinais clínicos provocados. A seguir, vamos apresentá-los em ordem crescente de gravidade:

  • Cogumelos que causam distúrbios gastrointestinais. Eles pertencem aos gêneros Agaricus, Boletus, Entoloma, Lactarius, Scleroderma Tricholoma. Vômitos, dor abdominal e diarreia geralmente aparecem dentro de duas horas após a sua ingestão e desaparecem espontaneamente dentro de dois dias.
Intoxicação por cogumelos em cães

  • Cogumelos alucinógenos. Destacam-se os gêneros Psilocybe, Panaeolus, Conocybe e Gymnopilus. Eles afetam o sistema nervoso central, estimulando os receptores de serotonina. Embora os sintomas geralmente durem menos de 48 horas, podem ocorrer convulsões que, em alguns casos, são fatais.
  • Cogumelos que causam reações muscarínicas. Destacam-se os gêneros Inocybe e Clitocybe. Lacrimejamento, salivação, vômitos e diarreia são os sintomas mais frequentes; eles podem durar vários dias.
  • Cogumelos psicotrópicos. Destacam-se o Amanita muscaria e o Amanita pantherina. Eles alteram a coordenação, a respiração e podem causar convulsões ou até mesmo a morte. Essas reações aparecerão entre 30 e 90 minutos após a sua ingestão.
  • Cogumelos que causam necrose hepática. Estão incluídos o Amanita phalloides e os gêneros Galerina e Lepiota. Os primeiros sintomas são gastrointestinais e terminam em insuficiências hepáticas de prognóstico crítico. Embora eles demorem de 6 a 24 horas para aparecer, é aconselhável ir ao veterinário imediatamente.   

Tratamento e prevenção

A intoxicação por cogumelos em cães sempre deve ser acompanhada por um especialista. Embora os primeiros sintomas sejam meramente gastrointestinais, eles podem se complicar em poucas horas.

Além disso, mesmo que o cogumelo ingerido não seja altamente tóxico, ele poderá causar grandes danos se tiver sido ingerido em grandes quantidades.

Cachorro deitado em cogumelos selvagens

Provocar o vômito, fazer lavagens estomacais ou administrar carvão ativado são alguns dos procedimentos mais comuns que têm como objetivo a eliminação de toxinas.

Em caso de insuficiências hepáticas, convulsões ou alterações na frequência cardíaca ou respiratória, a primeira ação será recuperar os sinais vitais normais.   

Quanto ao tratamento em casa, o veterinário pode prescrever um medicamento acompanhado de dieta e descanso moderado. As 48 horas após a intoxicação por cogumelos em cães são decisivas, portanto o animal deverá ter atenção contínua.

A prevenção dessas intoxicações nem sempre é viável. Mesmo assim, é necessário ter extrema cautela em passeios no campo e até mesmo nos próprios parques e jardins com a chegada do outono.

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