Mara ou lebre da Patagônia: características, comportamento e habitat

· outubro 31, 2018

Na Patagônia argentina habita um animal que parece uma lebre, mas na verdade é um roedor de tamanho grande. Estamos falando da mara, uma espécie endêmica, monogâmica e herbívora que, assim como os cães, geralmente se senta sobre as patas de trás, com as patas anteriores esticadas.

A mara, uma espécie endêmica da Patagônia

Distribuída por regiões semiáridas no centro e sul da Argentina, a Dolichotis patagonum, também conhecida como lebre da Patagônia, escolhe viver em terrenos com uma grande quantidade de ervas e mato. mara da Patagônia

Foto: Rodrigo David

Entre suas características físicas, destacam-se:

  • Comprimento: entre 60 e 75 centímetros
  • Peso: entre nove e 16 quilos
  • Pelagem: densa, de cor pardo acinzentado
  • Cabeça: grande, com olhos grandes, orelhas compridas e um focinho chato e arredondado. O lábio superior tem uma fissura
  • Patas: As traseiras são mais compridas que as dianteiras. Apresentam quatro dedos curtos nas anteriores e três nas posteriores, além de almofadinhas grossas
  • Rabo: pequeno e escondido pela pelagem. A extremidade não tem pelo

Conheça a mara, um roedor grande que vive no sul do continente americano. Essa espécie endêmica chama a atenção porque corre como uma lebre e se senta como um cão.

Um roedor grande e monogâmico

Com hábitos diurnos e gregários, a mara geralmente vive em grupos entre 3 a 50 exemplares. Formam casais monogâmicos que permanecem unidos até a morte de algum dos integrantes. Essa característica permite uma reprodução bem-sucedida.

Para conquistar seus futuros pares, os machos têm que se esforçar muito e persegui-las durante um tempo longo.

Por sua vez, as fêmeas entram no cio a cada três ou quatro meses, e dão à luz de um a três filhotes depois de três meses de gestação.

Os recém-nascidos permanecem em uma toca “comum”, construída pelas próprias maras.

Elas também “reformam” as feitas por outros animais, por exemplo, a viscacha. Ali, os filhotes recebem os cuidados das diferentes fêmeas do grupo.

Depois, a lactação dura 11 semanas. As mamas destas roedoras são laterais, para poder alimentar os filhotes estando sentadas.

Assim, as mamães não descuidam da vigilância. Aos oito meses, a mara já está em condições de reproduzir.

Algumas particularidades da mara, a lebre da Patagônia

Quando se sente perseguida, a mara corre rápido – a cerca de 60 km/h – e dá saltos muito ágeis. Por isso, muitos pensam que ela é uma lebre

Em um só movimento, pode avançar cerca de dois metros. Toma impulso com ajuda das unhas das patas traseiras.

Mas, na verdade, esse grande roedor está mais relacionado aos porquinhos-da-Índia, já que as duas espécies pertencem à família Caviidae.

Esse animal também tem um papel fundamental no funcionamento dos ecossistemas da Patagônia.

Por se tratar de um herbívoro com muita mobilidade, torna-se essencial para a distribuição das sementes em grandes distâncias, por meio de suas fezes.

Mara da Patagônia

Fonte: Rachid H.

Como curiosidade, a mara quase não bebe água. Obtém a hidratação necessária através das raízes das plantas, que são parte fundamental de sua dieta.

Uma espécie em perigo e escolhida como animal de estimação

A mara está incluída na categoria “Vulnerável” pela SAREM (Sociedade Argentina para o Estudo dos Mamíferos).

Mas além de seus predadores de sempre (pumas, aves de rapina e algumas espécies de raposas), atualmente seu maior inimigo é o homem.

Entre as causas pelas quais os seres humanos colocam essa espécie em perigo estão:

  • A extensão de zonas urbanas, de cultivo e pastoreio
  • A caça furtiva
  • A invasão de seu habitat pela lebre europeia

Por outro lado, esse roedor se adapta bem à vida em cativeiro. Tempos atrás, era comum vê-lo nos zoológicos, e caminhava sem medo perto das pessoas que a visitavam.

Por isso, em muitos casos, a mara é adotada como animal de estimação. Numa casa, tem uma expectativa de vida de mais de 10 anos.