A nova espécie de abelha selvagem de Israel

A descoberta de uma nova espécie de abelha é um pouco de luz diante do desaparecimento desses animais tão importantes.
A nova espécie de abelha selvagem de Israel

Última atualização: 31 Março, 2021

O ser humano está mergulhado em uma dura guerra para salvar a biodiversidade de espécies em todo o mundo. Às vezes, essa luta alcança pequenos raios de luz quando, por exemplo, novas espécies ainda são descobertas. É o caso do recente aparecimento da abelha selvagem de Israel.

O fato de novas espécies de animais ainda serem encontradas hoje destaca a falta de conhecimento que as pessoas ainda têm sobre a diversidade global de espécies. Por outro lado, eventos como esse destacam a urgência de se tomar medidas rígidas que ajudem todos os animais a recuperar seus habitats perdidos.

A descoberta da abelha selvagem de Israel

Uma equipe internacional de cientistas descobriu uma nova espécie de abelha que pertence ao gênero Lasioglossum. Essa abelha, de nome científico Lasioglossum dorchini, habita apenas um lugar do planeta: a planície costeira central de Israel.

Esse ecossistema possui características muito específicas. É constituído por formações arenosas denominadas dunas semiestabilizadas, ou seja, dunas que mudam parcialmente ao longo do tempo. O habitat está dentro do Parque Nacional Nahal Alexander, que foi reflorestado com uma espécie não nativa em 1960, o eucalipto Eucalyptus camaldulensis.

Por outro lado, a flora natural do parque é composta por vegetações de Artemisia monosperma , Retama raetam e Ephedra aphylla. São plantas bem adaptadas à seca e à proximidade do mar.

O estudo que estava sendo realizado quando a nova espécie foi descoberta procurava identificar os benefícios da restauração ecológica nas diferentes populações de abelhas. Foi então que, por acaso, foi descoberto o primeiro espécime da abelha selvagem de Israel.

Uma abelha em um campo de flores.

Características da nova espécie

Machos e fêmeas atingem o mesmo tamanho, cerca de 6 milímetros, o que os torna abelhas muito pequenas. Ambos os sexos são bastante semelhantes, pois uma das principais diferenças é que as fêmeas têm listras cor de bronze mais largas no abdômen do que os machos. Além disso, os machos têm antenas mais longas e desenvolvidas do que as fêmeas.

Em ambos os sexos, o corpo oferece reflexos verdes e bronzeados com margens âmbar. As pernas são pretas, mas perto dos tarsos das extremidades posteriores ficam marrons. As mandíbulas são marrom-escuras e têm uma grande quantidade de pelos sensíveis na cabeça, que é bastante alongada.

Ainda há muito o que investigar sobre seu modo de vida. As abelhas pertencentes ao gênero Lasioglossum geralmente constroem seus ninhos no solo ou em troncos de árvores em decomposição, mas pouco se sabe sobre elas.

Por que a descoberta dessa nova abelha é tão importante?

A descoberta da nova espécie de abelha selvagem de Israel é uma descoberta emocionante. As populações globais de abelhas estão diminuindo a um ritmo alarmante e, como consequência, os cultivos que produzem alimentos para humanos não estão sendo polinizados. Isso representa um declínio catastrófico na produção.

Geralmente, a polinização dos cultivos é realizada por colônias de abelhas domésticas. No entanto, as abelhas selvagens desempenham um papel decisivo na polinização das culturas e campos circundantes.

Em todas as regiões do mundo, as abelhas nativas são o grupo mais importante de polinizadores selvagens. Por isso, os pesquisadores têm procurado conservar os ecossistemas habitados por abelhas na região costeira de Israel. Nesse local, o reflorestamento com eucaliptos causou estragos na dinâmica ecológica, além de diminuir a diversidade local.

Nas palavras do investigador principal de um estudo – que durou mais de 5 anos até a recente descoberta – o aparecimento da abelha tem uma grande valor. Sua descoberta pode ajudar a entender melhor as comunidades de abelhas, suas necessidades de habitat e como contribuem para a polinização.

Uma espécie de abelha selvagem.

Graças a essa pesquisa, foram revelados os danos causados pelo reflorestamento sem qualquer conhecimento com espécies não nativas. Às vezes, quando o ser humano age sem conhecimento científico, ele pode causar mais estragos do que benefícios com tarefas aparentemente bem-intencionadas.

Por outro lado, graças aos esforços para restaurar o habitat desse invertebrado, esses projetos tiveram efeitos positivos. Em áreas onde a restauração ecológica baseada em evidências foi realizada, as populações de abelhas estão se recuperando.

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