O senso de orientação dos cães

· novembro 21, 2018
Além de seus sentidos desenvolvidos, o vínculo entre o proprietário e o animal de estimação influencia muito o senso de orientação dos cães para que eles retornem à sua casa.

Atualmente, ainda não temos uma ideia clara sobre o senso de orientação dos cães. Ao longo da nossa história, numerosas lendas foram criadas sobre a capacidade dos cães de encontrar o caminho de volta para casa.

Talvez por causa dessa falta de explicação lógica, este tema sempre esteve muito presente na curiosidade de muitos especialistas em comportamento canino.

Embora não possamos apontar para uma teoria comprovada, o avanço da tecnologia e da ciência nos permitiu melhorar nossa compreensão do senso de orientação dos cães. 

Portanto, poderíamos ser capazes de explicar as principais hipóteses sobre essa incrível capacidade de nossos melhores amigos.

O senso de orientação em outras espécies

Para entendermos melhor o sentido da orientação dos cães, podemos observar outras espécies que se beneficiam grandemente dessa habilidade.

Um bom exemplo é a orientação em voo das aves, que lhes permite fazer longas viagens migratórias e sempre retornarem ao seu destino inicial.

Numerosos estudos científicos foram realizados, em diferentes partes do planeta, para entender a orientação das aves.

Muitos experimentos consistiram em libertar pássaros selecionados a milhares de quilômetros de sua “casa” para observar seu comportamento.

O resultado desses testes com as aves sempre foi que, após dias ou semanas de viagem, elas sempre retornavam ao local de partida. Com esses dados, as conclusões são claras.

Além disso, alguns testes também mostraram que as aves são capazes de se reorientar após sofrerem alguma desorientação temporária.

Mesmo quando elas estão perdidas em um determinado momento, seu senso de orientação é capaz de fazê-las retornar ao seu curso.

cegonha voando

Como se explica esse incrível senso de orientação dos pássaros?

Atualmente, a comunidade científica trabalha com duas teorias que provavelmente seriam complementares.

A primeira afirma que os pássaros usam seus sentidos para se localizar no tempo e no espaço.

Com os olhos, os pássaros podem reconhecer montanhas, penhascos ou selvas que indicam o caminho certo.

Eles também usam a audição para reconhecer estímulos que compõem as paisagens de sua longa jornada migratória.

Ou seja, eles coletam ‘sinais’ que os mantêm bem orientados e os ajuda a saber quando chegaram ao seu destino.

Segundo muitos especialistas, as aves têm uma espécie de navegação inercial. Dessa forma, conseguem saber que direção tomar para retornarem ao destino, mesmo quando precisam fazer mudanças de direção.

Essa também seria a explicação do porquê as distrações ou desorientações temporárias não afetam sua capacidade de orientação.

Os cientistas também observaram que as aves migratórias têm um sistema muito semelhante às bússolas magnéticas dentro dos olhos. 

Suas retinas são capazes de capturar luz de maneira polarizada, e isso permite que elas tenham um sistema de navegação único.

Como um método eficaz de navegação, a partir do movimento do sol, a posição das estrelas e da lua, os pássaros “sabem” como viajar para chegar ao seu destino.

E o senso de orientação dos cães, como funciona?

Em relação ao sentido de orientação dos cães, existem também duas hipóteses principais, que se assemelham ligeiramente às mencionadas acima.

Cachorro perdido

A princípio, seus poderosos sentidos podem ajudá-los a identificar facilmente seu ambiente e a perceberem mudanças no mesmo.

Sua ótima audição e seu olfato altamente desenvolvido permitem que eles reconheçam “marcos” a serem localizados, bem como trilhas a serem seguidas para retornarem para casa.

Além disso, a molécula ‘criptocromo 1’ foi identificada na retina dos olhos dos cães, que também está presente nos olhos das aves migratórias.

Esta molécula está associada à magnetorecepção. Sua presença nos olhos permite que os animais se orientem no tempo e no espaço através do campo magnético da própria natureza.

A importância do vínculo afetivo na orientação dos cães

Junto com o exposto acima, os cientistas também destacam a excelente adaptação do cão ao reforço positivo.

Ou seja, sua capacidade de aprender e memorizar inúmeras tarefas através de um sistema de reconhecimentos e recompensas.

Logicamente, deve-se notar que o reforço positivo no treinamento canino não é apenas sobre a oferta de prêmios ou recompensas para cães, mas há muito mais.

Os pilares dessa metodologia estão no elo entre quem ensina e quem aprende, isto é, entre dono e cão. 

Também na troca de experiências que permite que ambas as partes se enriqueçam durante o processo educacional.