Os animais têm personalidade?

abril 12, 2019
Um estudo envolvendo cerca de 70 visons de um projeto de conservação de um zoológico da Estônia mostrou que os animais têm personalidade.

Muitas pessoas se perguntam se os animais têm personalidade e, embora para aqueles que compartilham a vida com seu cachorro ou outros animais de estimação pareça não haver dúvida, a verdade é que a ciência tentou responder a essa pergunta em várias ocasiões.

Os animais têm personalidade?

A personalidade dos animais pode ser definida como a organização que cada animal tem do conjunto de seus comportamentos, que é estável, embora adaptável, e que mesmo assim varia entre os indivíduos.

Isso parece um pouco contraditório. No entanto, embora o comportamento de um animal mude, ele ainda é muito diferente do comportamento de outras espécies e, portanto, um animal pode ter uma personalidade única, embora seu comportamento mude em diferentes situações.

A personalidade do vison europeu

Para estudar se os animais têm personalidade, é preciso também estudar como esses animais mudam o seu comportamento. Por essa razão, um grupo de cientistas realizou este estudo com quase 70 visons que fazem parte de um projeto de conservação em um zoológico da Estônia, por meio do qual muitos espécimes de visons europeus já foram devolvidos à natureza.

Estudar se os animais têm personalidade, e como ela pode variar, poderia ser particularmente importante em espécies como esta, que corre risco de extinção, porque a personalidade de um animal poderia influenciar a forma como ele se dispersa mais ou menos no seu território, se ele se reproduz mais ou menos, e até mesmo a sua sobrevivência.

A personalidade do vison europeu

Os pesquisadores queriam verificar se a sua personalidade era influenciada pela época do ano e pelo contexto. Assim, eles fizeram várias experiências interessantes na época de reprodução e fora dela, além de usar uma instalação conhecida e uma nova.

Os experimentos realizados para investigar se os animais têm personalidade

Os pesquisadores realizaram cinco experimentos em que introduziram novas situações e objetos para esses mustelídeos. Nesses experimentos, eles recompensaram os animais mais ousados ​​e rápidos em realizar tais comportamentos com mais pontos, dando menos recompensas para aqueles que titubeavam.

Nos dois primeiros experimentos foram introduzidos dois brinquedos para cães que os animais nunca tinham visto em instalações onde os visons sempre viveram. Estudaram como os animais interagiam com esses objetos novos, cheirando e mordendo, o que permitia medir se estes eram mais ou menos ousados.

No terceiro experimento, um espelho foi introduzido na instalação do vison europeu, que geralmente tendia a interagir com o seu reflexo em maior ou menor medida, como se fosse outro animal da mesma espécie.

Por essa razão, eles eram recompensados quanto mais interagissem com o espelho. Com isso, os cientistas conseguiam entender se os animais eram mais ou menos sociáveis.

No quarto experimento, os animais foram transportados para uma nova instalação em sua toca, que era aberta, para verificar o quanto eles queriam explorar ou até mesmo marcar seu novo território com urina. Esses comportamentos permitiram saber se o animal era mais ou menos explorador.

Experimentos com visons

No quinto experimento, o espelho foi introduzido nesta nova instalação para verificar os mesmos comportamentos do terceiro. Curiosamente, a maioria dos visons nesta experiência cheirou a imagem refletida ou apenas olhou para ela em vez de atacá-la.

As conclusões do experimento

Os pesquisadores decidiram determinar que esses animais têm uma personalidade dividida em três características: ousadia, exploração e sociabilidade. Assim, eles viram animais menos ousados ​​ou mais sociáveis ​​ao longo dos quase 70 animais que participaram deste estudo.

Os pesquisadores descobriram que as fêmeas, em geral, eram menos ousadas e exploravam menos, e só viam diferenças entre os sexos quanto ao seu desejo de socializar quando mudava para a época de reprodução. É preciso lembrar que os machos dessa espécie têm territórios maiores e são mais ativos na estação de reprodução do que as fêmeas, devido à biologia da espécie.

O estudo também mostrou que a idade e o sexo estão relacionados ao fato de os animais serem mais ou menos sociáveis, provavelmente devido aos padrões de dispersão das espécies. Um dos resultados mais interessantes foi que os machos são mais ousados ​​na época de reprodução, enquanto as fêmeas são menos, se compararmos com o seu comportamento fora desse período.

Outro fato que surpreendeu os pesquisadores foi o experimento do espelho ter mudado muito em ambos os contextos: enquanto em sua instalação já conhecida os visons tendiam a explorar o espelho como um novo objeto, em instalações desconhecidas eles tendiam a tratar seus reflexos como outro vison, com o qual eles tentaram interagir.

Esse tipo de estudo nos lembra não apenas que os animais têm personalidade, mas também que é fundamental devolver os animais criados em cativeiro ao seu ambiente natural, algo que muitos programas de conservação fazem atualmente.

  • Haage, M., Bergvall, U. A., Maran, T., Kiik, K., & Angerbjörn, A. (2013). Situation and context impacts the expression of personality: the influence of breeding season and test context. Behavioural processes100, 103-109.