Os cães se parecem com seus donos

junho 19, 2017

Quando vemos uma pessoa caminhar com seu mascote pela rua, talvez nos chame a atenção o quão parecidos são entre eles. Isto é possível? A ciência diz que sim, por diferentes razões. Neste artigo, vamos lhe contar por que os cães se parecem com seus donos.

Como seu cão é, assim é você

Preguiçoso? Nervoso? Comilão? Ativo? Certamente, os mesmos adjetivos que podem classificar o seu animal de estimação servem para te definir. Aqueles que têm cães em casa indicam que se assemelham muito com eles quanto ao comportamento e caráter.

De acordo com uma psicóloga especializada em terapias com animais, Carmen Castro, por instinto, escolhemos aqueles animais que têm características compatíveis com as nossas. Se somos nervosos, o animal será inquieto, mas se somos tranquilos, o cão irá dormir o dia todo.

Também influenciam a capacidade de imitação que os cães têm e sua adaptação ao ambiente em que “têm que viver” e aos hábitos diários. Ao estar em grupos, os cães podem se misturar com os seus donos, assim como acontece com os casais que têm muitos anos de relacionamento.

Os cães podem lembrar e repetir as ações de seus donos, como por exemplo virar a cabeça para um determinado lado quando algo lhes chama a atenção.

O que buscamos nos cães como animais de estimação?

Mais do que compreender por qual motivo o cão se parece conosco. Devemos começar com o princípio: por que temos esse animal de estimação? De acordo com especialistas, escolhemos um animal de acordo com o que temos em comum.

É mais provável que nos encantemos por um cão que tenha uma personalidade semelhante, para que se adapte ao nosso modo de vida. Segundo uma pesquisa:

  • Os amantes da perfeição optam por um pastor alemão.
  • Os sociáveis e amigáveis escolhem um golden retriever.
  • Os chamativos escolhem um poodle toy ou yorkshire.
  • Os homens atletas adotam cães de raça pitbull ou doberman.
  • As atletas mulheres optam por um galgo afegão ou um dálmata.
  • Os ativos escolhem um cocker spaniel ou um chihuahua.
  • Os hipsters barbudos têm cães Collie ou São Bernardo.

Podemos pensar que estes são apenas preconceitos. No entanto, existem muitos estudos que confirmam a teoria. Na Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, foram analisadas várias pessoas com seus animais de estimação, em três parques urbanos.

Na maioria dos casos, era possível “adivinhar” qual animal pertencia a qual humano apenas pela aparência. Os psicólogos explicaram que, assim como acontece com a escolha do parceiro, quando se busca um animal de estimação, queremos encontrar seres compatíveis.

Uma vez que normalmente nos reunimos com pessoas que têm uma personalidade ou um estilo de vida semelhante ao nosso, por que então soa tão louco pensar que nós escolhemos nossos cães em relação aos mesmos motivos?

Homem ativo, cão ativo

Um estudo da Universidade de Viena (Áustria) confirmou que os cães adotam traços da personalidade e do caráter de seus donos. Para chegar a essa conclusão, foram recrutados 132 cães e donos, com os quais foram realizados testes comportamentais.

Foram observadas as reações de animais de estimação frente a ameaças ou certas palavras, e foram medidos a frequência sanguínea e os níveis do hormônio cortisol (do estresse), através da saliva. No caso das pessoas, elas tiveram que preencher um questionário para determinar quais eram seus cinco principais traços de personalidade: simpatia, extroversão, instabilidade emocional (neuroticismo), abertura e consciência. Então, eles tiveram que responder a uma série de perguntas sobre o comportamento de seus animais de estimação.

O resultado indicou, por exemplo, que quanto mais ansiosa ou nervosa era a pessoa, mais neurótico era o cão. Ou quanto maior a tranquilidade do dono, maior o relaxamento do animal.

Por último, foi afirmado que, entre cães e seres humanos, existe uma relação muito especial chamada “díade social.” Os comportamentos e emoções de um influenciam no caráter e na personalidade do outro, e vice-versa. No entanto, quem exerce maior influência é a pessoa sobre o mascote, e não o contrário.