Paralisia facial em cães: sintomas, causas e tratamentos

A paralisia facial em cães é uma condição relativamente comum, mas muito difícil de tratar. Aprenda a detectá-la no espaço a seguir.
Paralisia facial em cães: sintomas, causas e tratamentos

Última atualização: 29 agosto, 2021

A paralisia facial em cães é uma condição mais comum do que parece, especialmente em cães de idade mais avançada e idosos. Esse sinal clínico se manifesta pela incapacidade de movimentar os músculos da face e mantê-los tensos, não por falha muscular, mas por distúrbios que afetam os nervos que os controlam.

Embora essa condição seja bem conhecida, deve-se ressaltar que até 74% dos casos na clínica veterinária são de natureza idiopática, ou seja, não têm uma causa específica – ou esta não foi descoberta. Se você quiser saber tudo o que se sabe até agora sobre paralisia facial em cães, continue lendo.

O que é a paralisia facial em cães?

Os nervos faciais são pares cranianos mistos que contêm fibras sensoriais, motoras e parassimpáticas. Esses pares de nervos surgem diretamente do cérebro na altura do tronco encefálico e se distribuem pelos orifícios do crânio através da cabeça, tórax e abdômen do animal.

Movimentos oculares, reflexos fotomotores, acomodação, transmissão de impulsos olfativos, percepção de informações sensoriais, impulsos gustativos e colocação no ambiente tridimensional são atividades mediadas pelos nervos faciais. Se eles forem danificados, ocorre a paralisia facial em cães ou quaisquer vertebrados que os possua.

A paralisia facial quase nunca é produto de um dano direto ao cérebro, e sim ao nervo facial que o conecta com o exterior através do tato, paladar, visão e outras percepções.

 

 

Um cachorro triste em preto e branco.

Sintomas de paralisia facial em cães

Conforme indicado pelo site veterinário Davies, a sintomatologia da paralisia facial em cães depende da gravidade da lesão e das estruturas nervosas afetadas. O mais normal é que o cão fique com uma das faces faciais “caídas”, algo parecido com o que acontece com os humanos após um derrame.

Essa falha nervosa pode ser percebida nos pequenos gestos do cão. Entre os sinais mais óbvios, encontramos o seguinte:

  • Uma orelha mais caída do que a outra.
  • Incapacidade de piscar com um dos olhos.
  • Salivação por um dos cantos do nariz.
  • Dificuldade para comer.
  • Sintomas da síndrome vestibular periférica. Até 65% dos cães afetados apresentam as duas condições ao mesmo tempo.
  • Paralisia das extremidades e estupor, caso a lesão seja central e não apenas do nervo.

Na maioria dos casos de lesão do nervo facial, a paralisia atinge apenas um dos dois lados da face (unilateral), o que facilita muito o diagnóstico. Porém, se a paralisia for total (bilateral), perceber os sinais apenas através da observação é mais complicado.

Causas da paralisia facial em cães

Conforme indicam estudos, até 74,7% dos casos de paralisia facial em cães são idiopáticos, ou seja, não se encontra uma causa que os explique. A taxa de ocorrência dessa patologia é difícil de calcular, pois raramente é encontrado um motivo subjacente comum.

Além das etiologias inexploradas, o agente causador mais comum da paralisia facial é uma infecção grave no ouvido interno (otite interna), especialmente em cães com problemas crônicos de pele. Nesses casos, os sinais clínicos mencionados são geralmente acompanhados por problemas de equilíbrio e cabeça permanentemente inclinada.

Essas são as duas variantes mais comuns nesse quadro clínico, mas existem outras causas possíveis de paralisia facial parcial ou total. Algumas delas são as seguintes:

  • Uma pancada muito forte, como um acidente de carro ou uma queda grave.
  • Hipotireoidismo, mau funcionamento da glândula tireoide e baixa produção de hormônio tireoidiano.
  • Tumores benignos ou cânceres na área facial.
  • Ingestão de neurotoxinas, como a toxina botulínica (botulismo).
  • Doenças inflamatórias ou imunomediadas, como meningoencefalite.
  • Lesões após cirurgia craniana altamente invasiva.

Diagnóstico

Embora essa condição seja mais comum em sua variante idiopática, ainda é necessário realizar certos exames no animal afetado para descartar outras doenças subjacentes. Primeiramente, o cão é sedado e é realizada uma análise profunda da orelha do plano facial afetado, a fim de descartar a infecção de ouvido citada.

Se tudo estiver em ordem nessa seção, serão usados raios-X, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (MRI) para a observação detalhada do cérebro e das estruturas internas do ouvido. Em casos raros, também pode ser necessário obter uma amostra dos fluidos cranianos do cão para procurar sinais de inflamação.

A estimulação elétrica do nervo facial pode ajudar a quantificar os danos e estabelecer um prognóstico.

Tratamento da paralisia facial em cães

O tratamento será diferente em cada caso, mas deve-se observar que a lesão nervosa é irreversível. Isso não significa que você tenha que desistir do animal, e sim aceitar que ele terá certos problemas a partir daquele momento, como na hora de comer e interagir com o ambiente.

Se a causa do dano ao nervo facial for o pinçamento pela ação de um tumor cancerígeno, a ressecção cirúrgica da massa e a terapia direcionada para acabar com o câncer geralmente é a opção a seguir. Por outro lado, se a razão subjacente for hipotireoidismo, o cão precisará de um medicamento de reposição do hormônio tireoidiano para a vida toda.

Se a causa for infecção do ouvido médio ou interno, costuma-se fazer inicialmente uma limpeza profunda do ouvido, por meio da aplicação de substâncias ceruminolíticas e da extração dos tecidos lesados, mesmo sob anestesia e em procedimento cirúrgico local. Uma vez que o ambiente infectado tenha sido higienizado, antibióticos ou antifúngicos devem ser prescritos, dependendo do patógeno.

 

Prognóstico e notas finais

Na maioria das vezes, os sinais apresentados são permanentes, pois o nervo facial sofre danos irreversíveis e é impossível recuperar seu estado anterior. Em todo caso, isso não costuma impedir o cão de levar uma vida normal, apesar de algumas modificações em sua rotina.

Por esse motivo, em sua variante idiopática, essa condição tem um prognóstico muito positivo. No entanto, se o dano tiver ocorrido no cérebro ou se a causa for câncer, o quadro pode se complicar bastante em pouco tempo. Tudo depende da causa subjacente.

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