A pílula anticoncepcional em anfíbios, um efeito devastador

O efeito devastador da pílula anticoncepcional em anfíbios é amplamente desconhecido. Neste artigo, vamos explicar a que isso se deve e qual seu impacto.

Última atualização: 28 Janeiro, 2021

Sabendo das consequências do uso da pílula anticoncepcional em anfíbios, em fevereiro de 2019 a Agência Europeia de Medicamentos pediu para ser avisada sobre as consequências ambientais dessas drogas, dado o nível de vazamento de hormônios nos rios.

A pílula anticoncepcional e seu efeito devastador nos ecossistemas

Apesar de sua longa lista de efeitos colaterais, a pílula anticoncepcional ainda está no mercado. O que não aparece em nenhum rótulo são os perigos que os hormônios representam para os ecossistemas e os rios nos quais as águas residuais são despejadas.

A pílula é um método anticoncepcional hormonal usado por vários motivos, geralmente médicos, como ovário policístico ou acne juvenil.

As avaliações dos anticoncepcionais hormonais esquecem o impacto ambiental que geram e não quantificam os danos que causam aos ecossistemas aquáticos. Diante dessa situação, nos últimos anos surgiu um movimento que busca encontrar alternativas ecológicas e sustentáveis ​​aos métodos anticoncepcionais atuais.

É o que Luis Ignacio Lete Lasa, ginecologista do Hospital Santiago Apóstol de Vitoria, na Espanha, descreve como ‘contracepção verde‘.

A pílula anticoncepcional em anfíbios, um efeito devastador

Impacto nas populações de anfíbios

A presença desses hormônios na água, junto com outros produtos químicos, acaba gerando deformidades nos anfíbios, um dos grupos de animais mais negligenciados ​​do mundo.

Em 2004, um estudo denominado “Avaliação da contaminação do rio por compostos estrogênicos na região de Paris”, alertava que entre 35 e 50% do estrogênio contido na água vinha de pílulas anticoncepcionais, já que esse hormônio é muito difícil de filtrar da água potável.

A pílula anticoncepcional está mudando o sexo de sapos e rãs. Pode parecer estranho, mas o impacto dos estrogênios na vida selvagem é muito grande, e o mais curioso é que até agora tinha passado despercebido.

O componente ativo em muitas das pílulas usadas é o 17-α-etinilestradiol, conhecido como EE2. Quando as mulheres tomam essa substância, elas absorvem uma parte, mas outra parte é excretada na urina, indo parar nas estações de tratamento. O problema é que os sistemas de purificação não eliminam o medicamento e, quando a água ‘limpa’ sai dessas estações em direção aos rios, o mesmo acontece com o EE2.

É nos rios que os anfíbios entram em contato com esses hormônios femininos sintéticos. E, infelizmente, eles são muito semelhantes aos hormônios femininos de todos os vertebrados, incluindo os dos anfíbios. Portanto, eles atuam na biologia desses animais.

Em que ponto o impacto da pílula anticoncepcional nos anfíbios é mais devastador?

No caso dos anfíbios, todos os girinos começam o desenvolvimento com o mesmo sexo. E, somente a partir de um certo momento, a proporção de hormônios femininos e masculinos faz com que o corpo ‘mude’ para um ou outro sexo.

Mas e se os girinos se banharem em água contaminada com estrogênios? Isso faz com que alguns indivíduos se feminizem – sendo o número maior ou menor dependendo da quantidade de EE2 e da espécie.

Ou seja, são machos, pelo menos geneticamente, mas se desenvolvem como fêmeas, em alguns casos funcionais, o que significa que produzem óvulos. Contudo, na maioria dos casos esses girinos se tornam fêmeas estéreis, incapazes de se reproduzir.

O efeito que isso tem nas populações é impressionante. Naturalmente, cada espécie mantém uma proporção sexual. Para cada macho existe um certo número de fêmeas, a proporção ideal para a espécie.

A feminização de uma porcentagem significativa de indivíduos pode ser uma mudança muito acentuada para que a população permaneça fora de perigo ou até mesmo sobreviva.

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