Por que os corvos grasnam?

Os corvos grasnam por muitas (e complexas) razões. Aqui vamos contar quais são os motivos mais impressionantes que os levam a emitir esses sons.
Por que os corvos grasnam?

Última atualização: 30 outubro, 2021

A inteligência desses pássaros não é apenas muito elevada, mas também é muito fácil de observar no mínimo contato com eles. Então, quando os corvos grasnam, pode-se dizer que eles não fazem isso sem motivo. Tudo tem uma explicação no mundo animal.

O que esses corvídeos querem dizer com seus grasnidos? De todas as suas vocalizações, esses “gritos” são os mais marcantes. Se você quiser saber mais sobre a comunicação dos corvos, este é o artigo mais indicado.

Por que os corvos grasnam?

A primeira coisa que você deve saber é que as vocalizações dos corvos são voluntárias. Ao contrário de outras espécies de aves (que cantam ou piam em resposta automática a certos estímulos), os corvídeos podem modular os sons que emitem com base em suas intenções.

O grande repertório vocal dessas aves permite que expressem com eficácia tudo o que precisam para seus pares, desde um alerta de perigo até a marcação de locais com alimento abundante. Além disso, por serem animais gregários, suas complexas interações sociais favorecem o desenvolvimento de suas expressões.

Os corvos também são famosos por sua capacidade de imitar sons. Eles podem emular a fala humana quase perfeitamente, o que lhes concedeu a sinistra fama que possuem em algumas culturas ocidentais.

Os corvos adultos ensinam aos jovens seus próprios chamados em grupo: eles são capazes de transmitir conhecimentos.

Os corvos e seus parentes.

Distinção entre amigo ou ameaça

Outra das características mais desenvolvidas dos corvos é sua memória e sua capacidade de reconhecer indivíduos. Quando se reencontram com outros corvos, seus grasnidos variam dependendo do relacionamento existente entre eles. Em outras palavras, eles diferenciam entre membros da família, rivais e jovens.

Essas aves também possuem um tipo específico de grasnido para alertar sobre a presença de indivíduos amigáveis, como os humanos, que lhes trazem comida. Além disso, os corvos usam essa vocalização para guiar outros necrófagos até grandes cadáveres, fazendo com que os abram para eles.

Essas aves também são capazes de reconhecer espécimes hostis, entre muitas outras coisas. O grasnido que eles emitem varia nesses eventos:

  1. Diante de seres hostis (coespecíficos ou não), os corvos grasnam em um tom cada vez mais grave e breve.
  2. Quando querem alertar seus congêneres, esses pássaros emitem uma cadeia de poderosos grasnidos, quase ensurdecedores.

A saudação amigável dos corvos consiste em grasnidos repetitivos, mas não estridentes.

Os corvos grasnam diante da morte de um membro de seu grupo

Por muito tempo se pensou que os corvos realizavam rituais fúnebres, pois quando um deles morre ocorre um fenômeno característico. Após a morte de um companheiro, todo o bando cria um concerto ensurdecedor de grasnidos contínuos e específicos.

No entanto, esse concerto não é um ritual como nós, humanos, o entendemos. Além de expressar suas emoções pela morte de um congênere, os corvos grasnam para avisar aos outros que este local é perigoso.

Além disso, com esse ato, os corvos se certificam de memorizar todos os elementos potencialmente mortais do ambiente. Em um estudo de 2015, esse fenômeno foi investigado e descobriu-se os seguintes detalhes:

  • Os corvos demoravam mais para se aproximar da comida em lugares onde um congênere havia morrido.
  • Essas aves repreendiam os humanos e os predadores que haviam visto antes perto do cadáver de um corvo.
  • Os cadáveres de outras espécies de aves, como os pombos, não despertaram uma resposta tão intensa como quando se tratava do corpo de um coespecífico.

A simbologia dos corvos

Nem todas as mitologias têm o corvo como símbolo de morte e azar. Embora seja verdade que na Bíblia esse pássaro esteja ligado a um conceito de mal e impureza, em outras culturas ele é um símbolo de sabedoria e conhecimento.

De acordo com uma lenda, a Inglaterra não sucumbiria a uma invasão estrangeira enquanto houvesse corvos na Torre de Londres.

Na mitologia nórdica, Hugin e Munin eram os corvos que Odin carregava nos ombros. Todos os dias, a divindade os enviava para explorar o mundo e quando voltavam comunicavam tudo o que havia acontecido. Graças a eles, nos escritos Odin sabia de tudo. Essa divindade também recebe o nome de Rafnagud (deus dos corvos).

Os esquimós do Alasca, Canadá e Groenlândia têm o corvo como a figura central na criação do mundo dos humanos. Essa ave criou a terra, as plantas, os animais e as pessoas. Ensinou os humanos a acender fogueiras, a construir canoas e redes e a usar peles para se proteger do frio.

Um exemplo de cultura oriental que associa corvos à morte são os japoneses. Em muitas tumbas pré-históricas localizadas no sul da Ásia, há embarcações em forma de pássaros desenhadas e, às vezes, até mesmo os remadores estão desenhados disfarçados de corvídeos. No entanto, nesse caso a morte é conceituada mais como uma jornada do que como o fim da vida.

As representações díspares do corvo na cultura humana são um exemplo da incrível complexidade de seu comportamento e da conexão que essas aves são capazes de estabelecer conosco. As maravilhas dos corvídeos só aumentam com cada nova descoberta sobre eles.

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