Rinoceronte-indiano: habitat e características

Quando o calor é extenuante, os rinocerontes-indianos pulam na água ou chafurdam para se refrescar. Além disso, essa também é uma ótima maneira de manter as moscas longe.
Rinoceronte-indiano: habitat e características

Última atualização: 15 Setembro, 2021

O rinoceronte-indiano é um dos mamíferos mais peculiares que existem, já que seu revestimento de “armadura” e seu chifre único o levaram a ser imortalizado em diversas obras artísticas. Além disso, sua população tem travado uma intensa batalha contra a extinção, pois diversos problemas a levaram a estar à beira do desaparecimento.

Seu nome científico é Rhinoceros unicornis e é um dos 5 tipos de rinoceronte que existem no mundo. Leia e aprenda mais sobre esse espécime gigante.

Onde vive o rinoceronte-indiano?

Esse rinoceronte costumava ter uma distribuição abundante perto das planícies aluviais dos rios Ganges, Brahmaputra e Sind, entre a fronteira entre Índia, Birmânia e Paquistão. No entanto, durante a década de 1960, o declínio da população fez com que ficasse confinada à região do vale de Chitwan. Atualmente, esses mamíferos estão restritos a zonas de proteção na Índia e no Nepal.

Como mencionado, o habitat natural dessa espécie é principalmente as planícies aluviais. No entanto, também pode viver em pântanos e algumas florestas. Em geral, um excelente lar para esse mamífero é aquele que possui plantas e gramíneas abundantes, com um corpo d’água próximo.

Características físicas do rinoceronte-indiano

Os rinocerontes-indianos são organismos de grande porte, pois podem atingir 3,5 metros de comprimento e 1,8 metros de altura. Da mesma forma, o peso desse animal não fica atrás, já que chega a mais de 2 toneladas. Além disso, ele é capaz de manter velocidades de até 56 quilômetros por hora, sendo também um excelente nadador.

A característica marcante desse mamífero é o chifre cônico que se projeta diretamente de seu nariz, que pode ter mais de 50 centímetros de comprimento. Além disso, sua pele possui várias dobras ao longo do corpo, o que lhe confere a aparência de uma armadura, quase como a de um samurai.

A cor do corpo desse gigante tem tons de marrom ou cinza brilhante, que na maioria das vezes é escurecido pela terra de seu habitat. Além disso, os indivíduos da espécie são muito semelhantes entre os sexos. No entanto, um artigo da revista científica Journal of Mammalogy menciona que eles exibem dimorfismo sexual. Parece que os incisivos e alguns músculos são melhor desenvolvidos nos machos.

 

O rinoceronte e o unicórnio

Nos tempos antigos, o unicórnio era representado como um cavalo, cuja testa tinha um chifre alongado em espiral. Embora a aparência do rinoceronte e desse animal mítico não sejam semelhantes, alguns acham que o primeiro pode ter servido de inspiração para a criação do segundo.

O surgimento de seres com características estranhas em tempos passados era favorecido pela falta de imagens que sustentassem o que se via. Na verdade, muitas vezes a única fonte de informação eram as histórias contadas por alguns viajantes, que iam se modificando ao longo do tempo. Entre elas, surgiu uma que representava um animal enorme, com armadura de pele e um chifre no lugar do nariz.

Como você pode imaginar, referia-se especificamente aos rinocerontes-indianos. No entanto, como muito se desconhecia sobre eles, pensava-se que eles realmente tinham uma armadura. Isso motivou o artista Albrecht Dürer a fazer uma gravura dessa espécie pela primeira vez sem nunca tê-la visto. Ele exagerou suas características e deu-lhe um chifre em espiral, bem como uma aparência metálica.

A gravura desse artista tornou-se uma das peças mais populares da Europa no ano de 1515. Apesar de o mito do unicórnio ter surgido muitos anos antes, acredita-se que a existência desses rinocerontes já era conhecida. Além disso, alguns autores passaram a chamar esses animais de “monoceros“, referindo-se ao animal mítico.

Comportamento

Esses enormes mamíferos costumam ter um comportamento solitário, exceto quando as fêmeas criam seus filhotes. No entanto, isso não significa que sejam conflitivos: pelo contrário, podem conviver bem com outros espécimes, mesmo quando estão se alimentando. Além disso, eles não são muito territoriais e escolhem um lugar específico para viver, mas não o defendem tanto quanto seria de se esperar.

Embora não sejam indivíduos agressivos, em algumas ocasiões lutam entre si, correndo e colidindo com o oponente ou trocando golpes com o chifre. As brigas podem ser consideradas causa comum de morte, mas só ocorrem quando os espécimes estão sob estresse ou se houver excesso de população.

Alimentação

Os rinocerontes são herbívoros, por isso se alimentam de gramíneas, frutas, folhas e plantas aquáticas. Também aproveitam as noites e as manhãs para procurar alimento, pois procuram evitar a todo custo o calor do meio-dia. Além disso, bebem água constantemente e gostam de lamber pedras com minerais.

Reprodução do rinoceronte-indiano

Esses mamíferos podem se reproduzir durante todo o ano, mas apenas os machos dominantes têm o direito de acasalar. O cortejo pode parecer agressivo, já que os futuros pais se chocam como se fosse uma briga, mas nunca se machucam seriamente. Além do mais, quando terminam, a fêmea se torna submissa e concorda em ser montada.

A cópula dessa espécie consiste no macho montar na fêmea por um período de 20 a 75 minutos. Na verdade, depois disso, os dois exemplares se separam e não interagem entre si novamente. A partir de então, a nova mãe enfrentará o processo sozinha, começando com um período de gestação de 480 dias.

Na hora do nascimento, o filhote mede cerca de 120 centímetros de comprimento e pesa entre 60 e 70 quilos. Além disso, também ocorre um fenômeno denominado imprinting, em que a mãe e o filho se tornam “próximos”, reforçando o vínculo entre os dois. Por fim, a independência do filhote ocorrerá entre 1 e 2 anos, dependendo se sua mãe engravidar novamente ou não.

Estado de conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica esse animal como uma espécie vulnerável. Contrariando as expectativas, os esforços de conservação têm dado frutos, já que os governos locais na Índia e no Nepal são bastante rígidos. Graças a isso, a população de rinocerontes-indianos se recuperou d e estar à beira da extinção em apenas alguns anos.

Infelizmente, não podemos dizer que eles estão fora de perigo, pois sua população é frequentemente caçada por seus chifres. Na cultura popular, os chifres desse mamífero servem para curar várias doenças, além de ser um afrodisíaco “poderoso”. Não é nem preciso reiterar que essas são apenas crenças infundadas.

Além disso, seu habitat tem sido ameaçado pelas secas e pela agricultura, fazendo com que nem tudo seja uma boa notícia para o seu futuro.

Porém, é importante destacar as ações que foram tomadas para sua proteção, uma vez que os governos locais não pouparam gastos e obtiveram bons resultados. Dessa forma, mostra-se que é possível salvar espécies ameaçadas de extinção. Só falta disposição.

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