Sitta pusilla: ave extinta reaparece nas Bahamas

· abril 27, 2019
Graças ao inconfundível canto da Sitta pusilla, semelhante ao de um pato de borracha, os pesquisadores conseguiram identificar um dos poucos exemplares que restaram após a destruição do habitat por causa do furacão Matthew.

A extinção é considerada o desaparecimento definitivo de animais, como aconteceu com o rinoceronte branco do Norte. É por isso que quando a Sitta pusilla, uma ave extinta, foi avistada nas Bahamas, os pesquisadores não acreditaram no que estavam vendo.

A Sitta pusilla

A Sitta pusilla é uma ave bastante indescritível que vive nos Estados Unidos. Este passeriforme pode ser encontrado no sul deste país, nas florestas de pinheiros presentes em áreas como a Carolina do Norte.

São aves com bicos afiados em forma de cravo, que eles usam para acertar sementes e árvores. Seu canto é muito curioso, já que parece um pato de borracha. Poderia ser uma das aves que vivem em seu jardim, se você mora nos Estados Unidos, desde que goste de usar alimentadores ou girassóis.

Sitta pusilla, um pássaro muito interessante

A Sitta pusilla das Bahamas, uma ave extinta

Embora a população americana esteja longe de ser extinta, uma população pequena na ilha Grand Bahama resistiu e estava à beira da extinção até 2016, quando o furacão Matthew chegou à ilha. Foi então que a ave se tornou extinta na região.

A população que vive nas Bahamas é considerada uma subespécie distinta (Sitta pusilla insularis) e, embora tenha sido avistada recentemente, poderia haver apenas dois exemplares dessa “ave extinta”.

O flagra foi feito por dois estudantes britânicos que iniciaram uma expedição ornitológica de três meses apoiada pela SEO Birdlife. Estudantes das Bahamas e algumas ONGs locais também participaram da pesquisa.

Ainda que seja difícil de ser vista devido a sua escassez, o fato é que por causa de seu canto e sua aparência, aqueles acostumados a observar a vida selvagem encontraram esta ave bela e inconfundível.

Praias nas Bahamas

Uma ave extinta ou uma agulha num palheiro?

Acredita-se que em 2004 havia 1800 espécimes, que caíram drasticamente em três anos para apenas 23 espécimes. Isso ocorreu devido à enorme perda de habitat que este animal sofreu, pois nidifica apenas em pinheiros maduros que foram devastados pelo furacão.

As equipes que estavam em serviço de busca puderam avistar a ave extinta, e até um vídeo do animal foi registrado, confirmando que ainda não havia desaparecido. No entanto, apenas um par foi avistado em 34.000 hectares amostrados em mais de 460 pontos de observação.

Os pesquisadores passaram um mês e meio na floresta antes de encontrar esta ave, então suas esperanças estavam desaparecendo cada vez mais.No entanto, o canto inconfundível deste animal levou a equipe a sua primeira aparição.

Depois de seis aparições, que poderiam ser do mesmo espécime, tivemos a oportunidade de observar um casal, o que confirma que há pelo menos dois exemplares dessa “ave extinta”.

Proteger a Sitta pusilla é complicado devido à escassez de espécimes. Além disso, o desmatamento, o turismo e as espécies invasoras são outras ameaças dessa ave esquiva. No entanto, esta descoberta dá esperança a aqueles que querem proteger as aves ameaçadas e em perigo de extinção.

Hayes, W. K., Barry, R. X., McKenzie, Z., & Barry, P. (2004). Grand Bahama’s Brown-headed Nuthatch: a distinct and endangered species. Bahamas Journal of Science12(1), 21-28.