Tatu-canastra: características e distribuição

março 17, 2019
O tatu-canastra é um animal de grande tamanho que é encontrado em quase toda a América do Sul. Atualmente está ameaçado de extinção pela caça ilegal e perda do seu habitat.

O tatu-canastra, também conhecido como tatuaçu, é uma espécie de mamífero da ordem Cingulata pertencente à família Dasypodidae. Seu nome científico é Priodontes maximus.

O Priodontes maximus é o único membro de um gênero monotípico endêmico da América do Sul e é o maior tatu do mundo.

Características do tatu-canastra

Os adultos podem chegar a pesar entre 19 e 33 quilos. Além disso, podem medir entre 75 e 100 centímetros desde o focinho até a ponta do rabo.

Sua cabeça é pequena e grossa, com o tronco coberto por placas poligonais. As orelhas são bem separadas, com placas entre elas. Tem um rosto de forma cônica, desprovido de pelos. Dispõe de cerca de 100 dentes, todos iguais.

Embora sua barriga fique à mostra, o resto do seu corpo é coberto por uma carapaça flexível formada por placas pequenas, de cor cinza, com tons amarelados até as bordas inferiores. São ordenadas em filas transversais, que cobrem também o rabo e as patas.

Tem garras muito grandes e robustas, e a central pode chegar a medir até 20 centímetros, especialmente em suas extremidades dianteiras.

Sua língua libera uma substância viscosa que lhe permite capturar insetos, sua principal fonte de alimento. Seu olfato é muito bom, mas seus outros sentidos não são muito desenvolvidos.

Não consegue distinguir cores, mas isso não tem importância, por ser um animal de hábitos noturnos.

Tatu-canastra: características

Distribuição e habitat do tatu-canastra

O tatu-canastra pode ser encontrado por todo o continente sul-americano. Vai desde a Colômbia até o norte da Argentina, passando pela Venezuela e as Guianas. É encontrado principalmente perto do rio Amazonas.

Seu habitat preferido são as florestas tropicais, as planícies inundadas e as savanas. Por isso, o tatu-canastra é capaz de se adaptar a uma grande variedade de ecossistemas, sendo visto inclusive em locais com uma altitude de 500 metros sobre o nível do mar.

Independentemente do habitat que os rodeia, todos os tatus desta espécie vivem boa parte de sua vida em tocas construídas por eles mesmos.

Reprodução e comportamento do tatu-canastra

Seu período de gestação ocorre durante o verão e dura cerca de quatro meses. Dá à luz apenas um filhote ou dois, que recebem leite materno nos primeiros meses, enquanto se adaptam gradativamente à dieta adulta. A maturidade sexual ocorre entre os 9 e os 12 meses de idade.

O tatu-canastra é noturno, solitário e de hábitos subterrâneos. Costuma fazer trajetos de mais de 3 quilômetros em busca de alimento.

Apesar da sua aparência rígida, é um animal bastante ágil, capaz de correr velozmente e cavar bem. São capazes de manter o equilíbrio sobre suas patas traseiras enquanto se apoiam no rabo, o que lhes permite alcançar os altos montes de cupins e ameaçar seus predadores.

Devido ao seu grande tamanho e forte blindagem, não precisa se esconder totalmente dentro da carapaça, diferentemente de outros tatus menores.

Sua dieta é composta principalmente por formigas e cupins. No entanto, podem consumir larvas de outros artrópodes, vermes, aranhas, serpentes e carniça em geral.

Tatu-canastra no escuro

Estado de conservação do tatu-canastra

Este tatu é considerado ameaçado de extinção pela União Internacional de Conservação da Natureza (UICN) e aparece no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES).

O tatu-canastra está em perigo de extinção na Colômbia, perigo crítico de extinção no Paraguai e Argentina, e vulnerável no Peru e no Equador. É considerado extinto regionalmente no Uruguai.

Na Venezuela está em perigo e é protegido desde 1983. Sua caça foi proibida e esta medida foi ratificada em 1996 por um decreto que estabeleceu seu veto indefinido.

O tatu-canastra é uma espécie frágil, já que se reproduz lentamente e apresenta hábitos alimentares muito especializados, pois prefere consumir formigas e cupins.

Sua população estimada em seu local de distribuição é desconhecida, mas estima-se que existam seis exemplares a cada 100 quilômetros quadrados.

Suas ameaças são, além da perda de habitat, a caça para obter sua carne (normalmente como alimento de subsistência).

Dado que o tatu é muito valorizado como fonte proteica, foi intensamente caçado e exterminado em uma grande parte de seu habitat original.

A captura ilegal para venda clandestina a colecionadores também pode ser uma ameaça, embora seja difícil de mensurar. Além disso, algumas populações indígenas amazônicas utilizam seus cascos para fabricar ornamentos.

Fonte da imagem principal: www.animalessalvajes.net

  1. Superina, M., Abba, A.M., Porini, G. y Anacleto, T.C.S. (2009). «Priodontes maximus». Lista Roja de especies amenazadas de la UICN.
  2. Wilson, D. E. y D. M. Reeder (Eds)(2005). Mammal Species of the World – A Taxonomic and Geographic Reference. Third edition.