As técnicas de sobrevivência das rãs

A fragilidade física desses simpáticos anfíbios tornou suas técnicas de sobrevivência extremamente diversas. Na natureza, engenhosidade e eficácia das rãs se destacam acima de tudo.
As técnicas de sobrevivência das rãs

Última atualização: 25 Março, 2021

Os anfíbios fazem parte da dieta de muitos predadores e carecem de defesas naturais eficazes. Por essa razão, talvez as técnicas de sobrevivência das rãs possam parecer produto de um roteiro de filme de fantasia. Quando faltam recursos, a engenhosidade é potencializada.

Se você está curiosa ou curioso sobre a vida desses animais fofos, aqui encontrará informações básicas sobre eles e vários exemplos de como às vezes eles conseguem não ser predados. Não perca.

Algumas informações sobre as rãs

As rãs são anfíbios, o que significa que precisam de adaptações para a vida aquática e terrestre. Essa é uma vantagem quando se trata de fugir de predadores que vivem apenas em um desses 2 ambientes, mas quando se trata de confronto direto, sapos e rãs sempre ficam em desvantagem.

Em todo caso, os anfíbios não chegaram aos nossos tempos por magia. Confira, a seguir, algumas características sobre eles para ter uma ideia de sua viabilidade em nível biológico:

  • Sua pele é coberta por uma pátina úmida e escorregadia, que a protege e mantém hidratada. Graças a essa pele, as rãs também podem absorver nutrientes ou outras substâncias.
  • O anfíbio anuro atinge a idade adulta por meio de metamorfose. Sua larva é chamada de girino e vive exclusivamente na água.
  • Rãs e sapos são animais ectotérmicos, ou seja, dependem da temperatura ambiente para regular sua própria temperatura.
  • Eles costumam ter uma audição muito boa. Contudo, o que mais se destaca nas rãs são seus olhos grandes. Seu sistema auditivo consiste principalmente de uma membrana timpânica externa em forma de círculo.
  • Suas patas traseiras são longas e articuladas, de forma que esses animais se movem por meio de grandes saltos.

Existem cerca de 6600 espécies diferentes de rãs, cada uma com suas características, então esse táxon brilha por sua diversidade. De qualquer forma, abaixo você encontrará exemplos de algumas espécies de rãs conhecidas graças à sua capacidade de sobrevivência.

As técnicas de sobrevivência das rãs

Existem várias técnicas para sobreviver sem lutar, desde fugas criativas até as camuflagens mais realistas. No entanto, quando as coisas ficam difíceis, até os sapos podem tirar uma carta da manga.

1. As dendrobatídeas, me veja mas não me toque

As rãs dendrobatídeas ou sapos-veneno-de-flecha é um nome genérico que designa os anuros da família Dendrobatidae, que habitam as florestas tropicais amazônicas. Qualquer uma de suas espécies tem pele de cores intensas e contrastantes, o que serve para despertar um comportamento escrito nos genes de quase todas as espécies: não me coma, vai fazer você se sentir mal.

Essa técnica de defesa é chamada de aposematismo, que consiste em alertar os predadores de que estão em perigo se tocarem ou engolirem essas rãs. O espécime atacado pode não ser poupado do ataque, mas é certo que o predador aprenderá a lição e não tentará atacar seus congêneres.

Os sapos-veneno-de-flecha secretam um veneno extremamente potente através da pele. Se entrar no corpo de alguma forma – por predação ou por uma fratura na pele, por exemplo – é capaz de matar animais muito maiores do que um humano.

Os nativos que dividem espaço com esses anuros conhecem bem os efeitos de suas toxinas: o apelido, sapos-veneno-de-flecha, vem do costume dos caçadores de impregnar flechas com esse veneno para garantir uma presa a cada flecha acertada.

Uma Dendrobatidae azul.

2. A rã que tem pelos

Na verdade, os pelos aparentes nos flancos dessa rã não são pelos realmente, mas filamentos de pele que o macho desenvolve para a época de acasalamento.

Além disso, essa rã africana (Trichobatrachus robustus), possui um método de defesa típico dos filmes de super-heróis: quando se sente ameaçada de morte, quebra os ossos das próprias patas, fura a pele com eles e os usa como arma.

3. Mimetismo batesiano: uma das melhores técnicas de sobrevivência para as rãs

Embora nesse caso não seja uma rã, não poderíamos deixar  de mencionar a espécie Sclerophrys channingi. Às vezes, o segredo é não ser perigoso, mas parecer perigoso.

Esse sapo, que possui vários predadores, tem como método de defesa a incrível semelhança com a cabeça de uma víbora-do-gabão (Bitis gabonica), com a qual partilha o habitat. Esse mimetismo batesiano faz com que os predadores pensem duas vezes antes de atacá-lo.

4. Rãs-folha e rãs-musgo

A camuflagem é uma das técnicas de sobrevivência mais úteis para as rãs, quando elas não possuem armas naturais para se defender. No entanto, algumas levam essa estratégia ao limite: é o caso da rã-folha Megophrys nasuta, que fica praticamente irreconhecível em meio à folhagem.

O mimetismo da rã-folha, Megophrys nasuta

Outro caso surpreendente é a Theloderma corticale, uma rã que vive no norte do Vietnã e que também recorre a uma camuflagem surpreendente para sobreviver. Nesse caso, sua pele é áspera a ponto de parecer ter pequenos espinhos, característica acompanhada de uma coloração que lhe permite passar longas horas entre o musgo das pedras sem ser notada.

Uma das técnicas de sobrevivência das rãs é o mimetismo.

A conservação das espécies de rãs

Além dos perigos de fazer parte da dieta alimentar de muitas espécies, os anfíbios são uma das classes mais ameaçadas pela ação humana. 40% dos anfíbios descritos até hoje encontram-se ameaçados, liderando o índice de extinção no reino animal.

Muitas vezes, esses sapos e rãs não são particularmente populares entre as pessoas, então as preocupações com a conservação são menores. Para combater esse desinteresse, parte do trabalho de divulgação é mostrar as incríveis maravilhas desses animais.

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